Maia garantido na Câmara?

Ao contrário do Senado, onde Eunício Oliveira (PMDB-CE) foi escolhido o novo presidente com a folgada maioria de 61 votos, a eleição para presidente da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira promete emoção. O atual presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) sai na frente. Na noite de ontem, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou a última arma de seus opositores para inviabilizá-lo, uma liminar que pedia o impedimento da candidatura. Com o apoio de 13 partidos, Maia teria – se todos votassem orientados pelos líderes – mais de 350 votos, o suficiente para vencer no primeiro turno.

A vitória é essencial para que o presidente Michel Temer possa tramitar reformas como da Previdência, Trabalhista e Tributária. Ainda que aliados do presidente cantem vitória pelos corredores da Casa, Maia é perseguido pela insistente campanha de Jovair Arantes (PTB-GO), candidato do Centrão e que propõe uma agenda independente para a Câmara. O goiano aposta em dissidentes da orientação dos líderes para se capitalizar e chegar a um segundo turno. “Se chegarmos vivos ao segundo turno, é para ganhar”, diz um assessor de Jovair.

Caso dê certo, conta com os eleitores dos demais candidatos para a “virada histórica”. Inscreveram-se também Júlio Delgado (PSB-MG), Luiza Erundina (PSOL-SP), Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e André Figueiredo (PDT-CE). O cearense pode incomodar, já que angariou apoio do PT e do PCdoB para formar um bloco de 90 deputados. Com voto secreto, é impossível cravar números – e os dois lados contam com traições para aumentar suas fileiras.

Outra disputa na mesa é pela 1ª Vice-Presidência da Casa. Pelo tamanho da bancada, o cargo ficaria com o PMDB, mas deputados federais do partido racharam. A votação ficou em 28 a 28 entre Lúcio Vieira Lima (BA) e José Priante (PA). O voto de minerva foi do líder Baleia Rossi (SP), que levou a disputa ao critério de desempate: o tempo de presença na Câmara. Lima, irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, saiu vitorioso. Priante saiu revoltado, e há um imbróglio que torna impossível saber como o PMDB vai se comportar na votação de hoje.

As contendas começam às 9h.