Lula rebate; Bumlai condenado…

“Vou andando”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento no começo desta tarde a respeito da denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra ele na quarta-feira 14. Lula disse que é alvo de uma perseguição vinda de setores conservadores da sociedade e que há uma tentativa de impedi-lo de concorrer ao Planalto novamente em 2018 por meio de uma eventual prisão. Lula discursou durante 1 hora e 10 minutos e reafirmou que a denúncia contra ele e sua mulher é mentirosa. O ex-presidente disse que, caso “provem uma corrupção minha, irei a pé para ser preso”.

No ataque

O presidente também atacou os procuradores que fizeram a denúncia. “Ninguém está acima da lei, nem um ex-presidente, nem procuradores”, disse. Em certo momento, relembrou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002, preferia que ele fosse eleito a Serra, do PSDB. De acordo com Lula, FHC acreditava que o PT não desempenharia um bom papel na Presidência, mas depois se arrependeu. Durante a tarde, num evento no Rio de Janeiro, FHC respondeu que não tem comentários a fazer porque “eles foram feitos pelo Ministério Público” e que essa é a “hora de Lula desabafar”.

Reação das ruas

O ex-ministro Jacques Wagner disse que a forma como a denúncia do Ministério Público foi feita pode estimular protestos nas ruas. Wagner disse que o MP politizou as denúncias contra Lula e que isso é ruim para a imagem do Brasil no exterior. “Todo mundo sabe, é clássico, que, quando a política entra no tribunal, a Justiça sai pela janela”, disse. A avaliação do ex-ministro e de senadores presentes na reunião do partido em São Paulo foi de que essa é uma tentativa de continuar o “golpe” iniciado com o processo de impeachment.

Planalto aposta que não

O governo de Michel Temer avalia que a denúncia apresentada contra Lula deve diminuir a força dos movimentos que puxam as manifestações de rua. Mesmo sem comentar publicamente, o Planalto avalia a divulgação como pesada. De acordo com VEJA, a avaliação interna do PT segue na mesma linha: no momento em que o partido encaixava um discurso para o futuro, sofreu um duro golpe.

Pimentel indiciado

O Superior Tribunal de Justiça autorizou nesta quinta-feira o indiciamento do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, pelo crime de corrupção passiva nas investigações da Operação Acrônimo. O empreiteiro Marcelo Odebrecht também foi indiciado. A operação investiga a influência de agentes públicos para a liberação de empréstimos do BNDES. Pimentel teria atuado para que a Odebrecht fosse beneficiada por esses empréstimos. Na manhã desta quinta-feira, também foi deflagrada a oitava fase da operação, que mais uma vez investiga a Odebrecht. A empresa foi beneficiada por 3 milhões de dólares do BNDES para fazer projetos no exterior.

Bumlai condenado

O juiz federal Sergio Moro condenou o pecuarista José Bumlai, apontado como um dos laranjas do ex-presidente Lula, a nove anos e dez meses de prisão. Bumlai seria o responsável por tomar um empréstimo de 12 milhões de reais no banco Schain e repassar o dinheiro ao PT. Parte desse dinheiro teria sido usado para comprar o silêncio do empresário Ronan Maria Pinto, que estaria chantageando Lula e o partido. Como contrapartida, o Grupo Schain ganhou um contrato de 1,6 bilhão de reais com a Petrobras.