Janot vai entregar todos os depoimentos antes do recesso

Informação é do jornal O Estado de S.Paulo; Procurador teria dito ainda que vai homologar delações em fevereiro

São Paulo – Todos os depoimentos de executivos e ex-executivos da Odebrecht nas delações da Lava Jato serão entregues pelo Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavaski, até o início do período de recesso do Judiciário, na próxima terça-feira (20).

A informação foi publicada neste sábado (17) pelo jornal O Estado de S.Paulo, citando que foi o próprio Janot que comentou sobre isso com interlocures, entre eles o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Ainda segundo o jornal, o Procurador teria prometido homologar as delações na volta do recesso, em fevereiro.

Janot estaria atendendo a um pedido do presidente Michel Temer, que teria sido citado em delações, segundo vazamentos publicados na imprensa.

Na última segunda-feira, Temer encaminhou a Janot uma carta pedindo celeridade na conclusão das investigações e que as delações terminassem o quanto antes, sendo divulgadas “por completo”.

Nome citado

Segundo reportagem da revista VEJA publicada no dia 15 deste mês, um dos principais executivos da Odebrecht, o empresário Márcio Faria da Silva citou o presidente Michel Temer em esquema de propina, durante seu depoimento na Lava Jato.

O empresário contou à PF, segundo a revista, que em 2010 ele e o presidente participaram de uma reunião no escritório de Temer em São Paulo, junto com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o lobista João Augusto Henriques, o coletor de propinas para o PMDB dentro da Petrobras.

Foi a segunda vez que Temer teria sido citado em delações. No dia 9 de dezembro, a revista VEJA publicou que o presidente teria pedido 10 milhões de reais ao empreiteiro Marcelo Odebrecht em 2014. Temer negou as acusações.

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  1. O DIALOGO DA DEUSA COM O JUIZ

    Antes de mais nada é preciso esclarecer que qualquer semelhança dos fatos aqui narrados é mera coincidência, a desaprovar qualquer julgamento.

    . “Pega ladrão!” Gritava a multidão.

    . Quem é o próximo? esbravejava, o cidadão que olhava a viatura na TV.

    Alguns anos antes daquelas cenas, um menino, assustado com o assalto a sua mãe, decidira que seria juiz e prenderia os ladrões.

    Anos depois, já togado, ele dedicou tempo a estudar a operação italiana que prendeu os mafiosos. Seu livro e filme preferido era o Poderoso Chefão. Foi aos EUA e ficou maravilhado quando viu que os condenados em primeira instância quando recorrem da decisão, o fazem de dentro da prisão.

    Sabia que não poderia levar a cabo a sua missão sozinho. Criou-se então uma força tarefa se unido a delegados e promotores. Dizem que na primeira tentativa, cruzou algumas linhas da legalidade e a operação foi suspensa por ordem superior.

    Em casa teve um ataque de nervo, quando fez a pergunta que iria mudar a sua vida: “Como as Cortes Superiores da Justiça Italiana não calaram um juiz de primeira instância?”

    Assim, descobriu que para furar o cerco da justiça era preciso mostrar para a multidão o pescoço do corrupto e provocar os instintos de vingança do ser humano. Os vazamentos para a mídia das operações eram calculados minuciosamente.

    Logo, a tática começou dar seus frutos e a multidão ia ao delírio a cada prisão realizada. O país virara um grande Coliseu à medida que as cabeças rolavam. Nas redes sociais continuava o “reality show” em tempo integral.

    Já famoso, o abnegado juiz passou na frente da estátua grega Têmis, símbolo da justiça e teve vontade de arrancar suas vendas.

    . “Idiotas!” Exclamou o único líder que restou naquele país, referindo ao que julgava ter sido o maior erro da história da humanidade.

    . “Abram os olhos da justiça, sem a qual não terá justiça!” Já destemido, o juiz passou a defender publicamente a tática e não havia quem ousasse questionar seu trabalho.

    Sua vida começou a mudar um dia em que interrogava uma testemunha.

    .”Doutor, por causa desses bandidos perdi o meu emprego de zelador. O Doutor sabe o que é perder o emprego?” No final da audiência, já desconcertado, o juiz pede desculpas ao depoente pelo empego perdido.

    Naquela noite, o Juiz teria um sonho revelador. Ele estava dentro de um gigante coliseu e à medida que mostra em uma bandeja as cabeças dos corruptos, a multidão aplaudia freneticamente.

    O espetáculo já durava quase um dia quando o desempregado interrogado levantou-se da multidão e gritou: “Doutor, estou com fome!”

    Com a mão no estomago, a multidão passou a gritar em coro: “Doutor, mate a nossa fome!”

    . “Eu estou apenas fazendo justiça!” Gritou duas vezes o Juiz. Na terceira tentativa recebeu uma chuva de pedra.

    Desolado e sozinho no meio do Coliseu, o Juiz recebeu a visita de Têmis, que desceu dos céus com os seus olhos tampados.

    . “Filho, jamais olhe apenas o que você quer ver. Ao tirar minha vendas e mostrar para a multidão a justiça, você se afastou do que faz a justiça forte: O seu silêncio.”

    . “Mas sem o grito da multidão, eu jamais teria ido tão longe.” Retrucou o bom juiz, sangrando pelas pedradas.

    . A Deusa passou a mão em seu rosto e disse: “Ao fazer uma aliança com os gritos da população, você foi capaz de impor suas decisões. Ao se tornar um homem forte, você perdeu a espada da justiça, cuja força nasce do silêncio que traz a sensatez e a saberia.”

    . “Mas não é justo que tenham me depredado assim!.” Gritou o equilibrado juiz.

    . “As leis que trago no colo, não foram feitas para serem interpretadas. É sobre as letras frias dessas leis, que devemos analisar as provas que as partes trazem aos autos.”

    . “Mas somos soberanos para interpretar as leis e os fatos.” Disse o juiz.

    . “Não, você é humano e como tal sujeito a erros. A leis e os fatos não podem estar sujeitas às tentações das interpretações humanas.” Lembrou a Deusa.

    .”Mas o direito não é uma ciência exata”! Retrucou o juiz, com soberba.

    . Continuo a Deusa: “O direito não é a única ciência não exata, e isso não empodera as profissões a atuarem de acordo com suas percepções pessoais.”

    Por um minuto ouvia-se apenas os gemidos das pedradas. Foi quando a Deusa sussurrou nos ouvidos do juiz: “É do princípio da razoabilidade que nasce o senso de justiça a reconfortar ganhadores e perdedores, das decisões da pena da justiça.”

    . “Mas eu fui razoável, minhas decisões foram mantidas até pelas Cortes Superiores!.” Insistiu o Juiz.

    Nessa hora a Deusa pegou o Juiz no colo, beijou-o na testa e disse:

    . “Filho, você se esqueceu que para fazer Justiça, não se faz inocentes de reféns. As nossas decisões não podem prejudicar as pessoas que não são parte do conflito.”

    Ainda gritando de dor o Juiz exclamou: “Deusa, não tenho culpa se encontramos os cadáveres, vítima dos corruptos.”

    . “Sim, mas não se coloca fogo em toda uma vila para matar o ladrão. A Justiça tem os seus meios e não perdoa os justiceiros!”

    A esposa bate a porta vestida de mamãe-Noé. Ela carrega uma bandeja com um farto café da manhã, um celular e um jornal. O Juiz acorda assustado e ela tira uma foto.

    No canto direito da “selfie” a manchete do Jornal: Desemprego sobre para 25%.
    No segundo título: População faminta invade supermercado.

    Gil Lúcio Almeida, PhD