Investimento chinês no Brasil se concentra em fusões

Chineses investiram 93% em estatais em 2010, deixando as empresas privadas brasileiras com a menor fatia de injeção de capital

Xangai – Só 1% dos investimentos chineses no Brasil confirmados em 2010 são de empresas privadas. Nada menos que 93% das operações foram realizadas pelas poderosas estatais controladas pelo governo central, enquanto as 6% restantes têm como protagonistas companhias pertencentes a províncias e municípios, revela estudo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

O levantamento, que será divulgado hoje, calcula que os investimentos confirmados no ano passado somaram US$ 12,669 bilhões, dos quais 81,6% envolveram a transferência de controle por outras companhias estrangeiras. “Se subtrairmos a troca de controle, obteremos um número surpreendentemente inferior: US$ 1,51 bilhão”, observa a pesquisa.

Em outras palavras, o boom de investimentos chineses registrado em 2010 não significou uma injeção de novos recursos na economia brasileira nem o desenvolvimento de projetos a partir do zero, chamados de greenfield. A grande maioria dos negócios foi de compra de operações que já existiam.

A tendência se mantém se forem considerados os US$ 35,75 bilhões, resultados da soma dos US$ 12,669 bilhões de investimentos confirmados com os US$ 23,062 anunciados, mas ainda não efetivados. Desse total, 67% são relativos a fusões totais ou parciais, 10% se referem a joint-ventures (associações) e 23% são empreendimentos greenfield, mostra o levantamento. Mesmo sem um impacto econômico imediato, o CEBC ressalta que o aumento dos investimentos em 2010 marca uma mudança no relação entre os dois países, que até então era excessivamente focado no comércio.

Dos US$ 12,669 bilhões em negócios confirmados no ano passado, 95% se concentram nas áreas de petróleo e gás, agribusiness, mineração e siderurgia. Sergio Amaral, diretor-presidente do CEBC, diz que esses investimentos colocam o Brasil na base mundial de fornecimento dos produtos que a China precisa para sustentar seu crescimento e alimentar sua população de 1,3 bilhão de pessoas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.