Governo deve ouvir iniciativa privada, diz executivo da CCR

Empresários e consultores discutem no EXAME Fórum Rio maneiras de melhorar a rodada de concessões que o governo federal anunciou em agosto

Rio de Janeiro – Foi na primeira chance de falar, hoje, no Fórum Exame Rio, que Ricardo Castanheira, vice-presidente de relações institucionais do Grupo CCR, defendeu o lado da iniciativa privada: “Somos vistos como um mal necessário”. Ele questiona se a rodada de concessões que o governo federal anunciou em agosto, de 133 bilhões de reais em rodovias e ferrovias, seria feita se não tivéssemos uma queda tão acentuada no crescimento do PIB. “O desafio é que o poder público e a iniciativa privada se entendam. Para isso, o governo precisa nos ouvir”, diz.

O tema do Fórum – o papel da iniciativa privada na expansão da infraestrutura brasileira – já anunciava que haveria um embate entre a visão do governo e a das empresas. Bernardo Figueiredo, presidente da recém criada Empresa de Planejamento e Logística, defendeu o teto para tarifas que os concessionários irão cobrar em rodovias e ferrovias. Já o consultor econômico Raul Velloso alfinetou: “Querer a menor tarifa e não a que é possível pode significar estimular a entrada de concorrentes despreparados.”

Velloso brincou dizendo que Bernardo Figueiredo foi embora rapidamente para não ouvir as críticas que sabia que viria dele. Mas não só as dele. A defesa de um ambiente mais atrativo para que as empresas se interessem pelos projetos que o governo quer pôr em prática foi uma constante nas mesas até aqui. Foram argumentos pautados por exemplos como o que Paulo Fleury, CEO do Ilos, Instituto de Logística e Supply Chain, usou. Ele pegou a Ferrovia Transnordestina para mostrar o estrago que concessões mal feitas podem causar. Essa obra, que vai ligar o Porto de Pecém, no Ceará, ao de Suape, em Pernambuco, passando pelo Piauí, foi concedida em 1997 e até hoje ainda não foi concluída. “A empresa que ganhou trocou de presidente cinco vezes nos últimos oito anos”, afirma Fleury.

A preocupação de possíveis competidores nas licitações, como a CCR e a Odebrecht Transport, é com a forma como o governo anunciou que vai escolher os vencedores das concessões. “Quando você vai construir sua casa, você não escolhe o preço mais baixo. Você escolhe o que você julga ser o melhor. Não pode ser o menor preço a qualquer custo. Se isso acontece, depois há arrependimento”, afirma Castanheira, da CCR.

“Defendemos modelos em que sejamos premiados quanto mais rápido for feita a obra e quanto melhor seja o serviço. Os usuários querem pagar tarifa compatível com a qualidade”, diz Paulo Cesena, presidente da Odebrecht Transport.