Gols da Copa diminuem e jogos apresentam mais faltas

A média de gols por jogo caiu para 1,25, contra 2,75 por partida na fase de grupos e nas oitavas de finais

Rio de Janeiro – A enxurrada de gols e viradas da Copa do Mundo se dissipou, abrindo caminho para um jogo mais conservador, temperado com faltas e estratégias para gastar o tempo.

Brasil, Argentina, Alemanha e Holanda — com 33 aparições nas semifinais entre eles desde 1930 — estão a um jogo da final do campeonato após marcarem um total de quatro gols em suas quatro quartas de finais.

Nessas partidas, a média de gols por jogo caiu para 1,25, contra 2,75 por partida na fase de grupos e nas oitavas de finais.

O Brasil, com um recorde de cinco títulos, sufocou o artilheiro do torneio, James Rodríguez, da Colômbia, no jogo com o maior número de faltas no torneio, para avançar às quartas.

A Argentina derrubou o fluxo ofensivo da Bélgica dois dias atrás após abrir o placar com um gol de Gonzalo Higuaín, segundo o técnico belga Marc Wilmots.

“Nós vimos a experiência dos argentinos”, disse Wilmots a repórteres. “Eles podem distorcer o ritmo, eles podem demorar 30 segundos para cobrar um lateral”.

A seleção do técnico holandês Louis van Gaal precisou das cobranças de pênalti, dois dias atrás, para superar a estreante em quartas de finais Costa Rica, que mostrou pouca pretensão de atacar.

A equipe conhecida como Los Ticos fechou sua defesa e parecia atrasar o reinício do jogo após as paralisações. O goleiro da Holanda, Jasper Cillessen, fez sua primeira defesa aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação.

Desperdício de tempo

“O árbitro permitiu que eles fizessem de tudo para gastar o tempo”, disse van Gaal. “Isso sem falar nas faltas. Não pudemos fazer nada”.

Amanhã o Brasil enfrentará a Alemanha, em Belo Horizonte, por um lugar na final da Copa do Mundo, enquanto a Argentina joga contra a Holanda, em São Paulo, um dia depois.

Com Neymar, principal artilheiro do Brasil, fora do torneio por uma lesão nas costas e com a eliminação da seleção da Colômbia, de James Rodríguez, o risco de jogos com um baixo número de gols está aumentando. Esses dois jogadores marcaram um total de 10 gols, ou 55 por cento dos 22 anotados por suas seleções. O principal atacante do Brasil, Fred, marcou apenas uma vez.

“Nós perdemos alguém que não queríamos perder, especialmente para a semifinal e a final”, disse o técnico do Brasil, Luiz Felipe Scolari, em referência a Neymar.

As equipes anotaram 154 gols em 56 partidas antes das quartas de finais, mais que em toda a edição anterior do torneio, na África do Sul, em 2010. Houve um recorde de 171 gols em 1998. Críticos disseram que a fartura ocorreu por tudo, desde jogadores mais bem preparados até táticas ofensivas, e inclusive por causa de uma bola mais aerodinâmica da Adidas AG.

Mata-mata

Agora, no mata-mata, as seleções são mais avessas ao risco.

O Brasil, cuja seleção de 1970, liderada por Pelé, estabeleceu um modelo para o jogo ofensivo ao vencer o torneio, não pode se dar ao luxo de copiar aquele estilo em cada partida, segundo Neymar, que está fora do torneio após quebrar uma vértebra nas costas contra a Colômbia.

“O futebol de hoje é tão difícil –tão uniforme– que a equipe que está mais empenhada no campo acaba vencendo”, disse Neymar, antes da partida.

“Nós não necessariamente estamos aqui para produzir um espetáculo. Estamos aqui para correr até o fim, até ficar cansados, e sair como vitoriosos”.

No Rio de Janeiro, a Alemanha venceu a França por 1 a 0 para chegar à quarta semifinal seguida. A Holanda precisou das cobranças de pênalti para passar pela Costa Rica, em Salvador, depois que o jogo terminou em 0 a 0 após a prorrogação.

O atacante da Alemanha Lukas Podolski disse que não há espaço para erros nas cobranças de pênalti.

“Não importa como você joga, quantas habilidades você mostra antes do gol”, disse Podolski. “O que importa, apenas, é terminar o jogo com uma vitória”.