Empreiteiras cooperavam para se proteger, diz delator

Augusto Mendonça disse que o "clube das empreiteiras" foi uma iniciativa das próprias empresas a partir da crise dos anos 90

Brasília – O executivo Augusto Mendonça Neto, da Toyo Setal, disse em depoimento à CPI da Petrobras que o “clube das empreiteiras” foi uma iniciativa das próprias empresas a partir da crise dos anos 90. “Elas decidiram cooperar entre si para se proteger”, explicou.

Segundo ele, cada uma das empreiteiras ficaria com uma oportunidade de negócio para que não competissem entre si em determinadas situações.

Com o aparecimento dos diretores Paulo Roberto Costa e Renato Duque e o crescimento dos investimentos da Petrobras, o grupo foi ampliado.

No depoimento, Mendonça declarou que o pagamento das “comissões” saía da margem de lucro das empresas.

Questionado sobre possível faturamento de obras na Petrobras, ele disse achar difícil haver ajuste de preços na estatal. Ele ressaltou que nunca soube se a comissão de licitação tinha conhecimento antecipado de quem venceria a licitação.

No começo do depoimento, Mendonça recorreu aos primórdios da retomada dos investimentos na indústria naval, no final da década de 90, e sinalizou que a ação em conjunto das empresas (que deu origem ao acordo das empreiteiras que seriam convidadas para as obras) teria sido originado de 1997 até recentemente.

Depois, Mendonça disse que a corrupção efetivamente se deu no período de atuação dos ex-diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Renato Duque (Serviços) e do ex-gerente Pedro Barusco.

“No início, foi iniciativa das empresas, atuação interna entre as companhias. A relação entre as empresas e as Petrobras se deu a partir de 2004, 2005”, declarou.