Embaixadora assume consulado em Sydney

Américo Fontenelle, alvo de denúncias de desrespeito a funcionários da representação brasileira, foi afastado do cargo

Brasília – O Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, confirmou hoje (9) que uma embaixadora assumirá, em junho, o lugar do cônsul-geral do Brasil em Sydney, na Austrália, Américo Fontenelle, alvo de denúncias de desrespeito a funcionários da representação brasileira.

A diplomata cujo nome é mantido sob sigilo, por enquanto, ficará quatro meses no posto. Fontenelle recebeu ordens do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, para deixar o cargo e voltar para Brasília, depois que as denúncias de desvio de comportamento vieram à tona.

Fontenelle e o cônsul adjunto em Sydney, Cesar Cidade, foram denunciados por funcionários por assédio moral e sexual, homofobia e desrespeito. Ambos são esperados em Brasília para prestar esclarecimentos sobre as acusações. Eles têm prazo de 60 dias prorrogáveis pelo mesmo período, para apresentar defesa formal, mas a previsão é que isso ocorra antes do limite.

As investigações do caso serão conduzidas por três embaixadores com experiência consular e em questões administrativas. Dependendo do resultado das apurações, Fontenelle e Cidade poderão ser condenados com punições que vão desde uma simples advertência oral, até exoneração das funções. Ao Itamaraty, Fontenelle e Cidade negaram as acusações.

As denúncias surgiram a partir de acusações feitas por funcionários do Consulado de Sydney, que informaram ao Itamaraty situações em que foram humilhados e houve abuso de autoridade por parte do cônsul e do adjunto dele. Desde então, o ministério passou a apurar as informações. Há um dossiê com todas as denúncias.

Na edição do Diário Oficial da União de ontem (8) foi publicada a ordem para Fontenelle deixar o cargo. A íntegra da portaria determinando a saída de Fontenelle está na página da Imprensa Nacional.

Paralelamente, Cidade também deve deixar o cargo de cônsul adjunto. Antes das acusações virem à tona, ele pediu para ser incluído no plano de remoção – documento que reúne pedidos dos diplomatas que pretendem mudar de posto. A cada seis meses, o Itamaraty avalia os pedidos e define as mudanças.