Dilma vai ao STF; Maranhão nas cordas…

Dilma vai ao STF


Na contagem regressiva para a votação que pode afastar a presidente Dilma Rousseff do cargo, que deve acontecer na quarta-feira 11, o governo tenta de todas as formas parar o processo de impeachment. Nesta terça, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, entrou com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal argumentando que o processo tem vícios de origem. De acordo com o pedido de Cardozo, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, somente recebeu o processo de impeachment após o PT se negar a protegê-lo contra a própria cassação no Conselho de Ética da Câmara.

A sinuca de Maranhão

O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, desculpou-se com os colegas nesta terça-feira, durante a reunião de líderes da Casa, pela decisão de anular o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff emitida ontem. Ele foi bastante criticado pelos parlamentares e comprometeu-se a dar uma resposta ao PP, seu partido, até as 10 horas da manhã da quarta-feira, se ficará ou não na presidência. Os parlamentares querem que ele renuncie à vice-presidência. Ele chegou a dizer, na reunião, que não deixaria o cargo. O segundo vice-líder da Câmara, deputado Fernando Giacobo, já se coloca como o novo presidente e disse que a sugestão dada a Maranhão pela renúncia foi “unânime”.

Rei morto, rei posto

No PP, já existe uma pré-campanha para assumir a vice-presidência no caso de Maranhão renunciar ao cargo. Nessa hipótese, o partido entende que tem o direito de indicar um novo nome à vice-presidência. Os deputados Esperidião Amin, Julio Lopes e Aguinaldo Ribeiro estão cotados para a disputa.

Governadores no vermelho

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, defendeu nesta terça-feira a moratória de pelo menos dois anos no pagamento dos juros da dívida dos estados com a União. Numa reunião com os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e Santa Catarina, Raimundo Colombo, no Palácio da Guanabara, no Rio. Os governadores ainda aguardam a votação da admissibilidade do processo de impeachment no Senado, que deve ocorrer na quarta-feira, para definir uma posição a ser entregue a Michel Temer. Enquanto isso, o governador Luiz Fernando Pezão estendeu a licença para seu tratamento de câncer até 30 de julho.

Delcídio quer afastar Renan

O advogado de Delcídio do Amaral, Antonio Figueiredo Basto, disse nesta terça-feira que apresentará uma representação criminal contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, na Procuraria-Geral da República pedindo seu afastamento do cargo. Segundo Basto, Delcídio não participa da sessão que votará sua cassação nesta terça-feira porque a manobra de Calheiros para garantir que a votação seguisse viciou o processo. Para Basto, o senador fez uma “barganha” com o plenário ao vincular a continuação do processo de impeachment à cassação de Delcídio. O objetivo de Renan e seus aliados, de acordo com o advogado, era evitar que Delcídio expusesse supostos crimes cometidos por eles. Ao longo da noite, os senadores estão discutindo a cassação de Delcídio.

Lava-Jato funcionando


Nesta terça-feira, o juiz Sergio Moro aceitou a denúncia contra o ex-senador Gim Argello, acusado de cobrar propinas para não convocar empreiteiros na CPI do Senado que investigava os crimes da Petrobras. Junto com Argello, mais oito pessoas se tornaram réus, incluindo seu filho, Jorge Afonso Argello Junior, assessores do político e executivos das empreiteiras OAS e UTC que teriam pago as propinas. Na mesma denúncia, o Ministério Público Federal denunciou o dono da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e outro executivo da companhia, mas Moro afirmou que as provas contra ambos são frágeis.

Dia de manifestações


A terça foi um dia de manifestações pelo país. Em São Paulo, os taxistas protestaram em diversos pontos da cidade contra o decreto do prefeito Fernando Haddad que regulamenta o Uber e outros serviços de transporte parecidos. O aplicativo já funcionava em São Paulo por meio de decisão judicial. O dia também foi de protestos contra o impeachment de Dilma Rousseff em pelo menos 18 estados. Lideradas principalmente pela CUT e pelo MST, as manifestações pararam vias importantes de capitais.