Diálogo é chave contra “Choking Game”, dizem especialistas

O "Jogo do Enforcamento" provoca obstrução do fluxo sanguíneo que vai para o cérebro e pode levar à morte

São Paulo – O diálogo sem intimidação é a principal recomendação de especialistas para orientar crianças e adolescentes sobre os riscos do “Jogo do Enforcamento”, que pode causar danos no cérebro e levar à morte.

“Isso já estava acontecendo nos Estados Unidos há muito tempo. Os pais devem abrir espaço para o diálogo para criar um vínculo de confiança. Com ações punitivas e castradoras, eles se afastam dos filhos”, diz Ricardo Monezi, especialista em Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Em 2008, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, publicou levantamento de mortes por estrangulamento acidental entre jovens de 6 a 19 anos no período de 1995 a 2007.

Com base em informações de noticiário, os pesquisadores chegaram a 82 casos e constatam que 86% dos registros ocorrem entre meninos. A idade média das vítimas era de 13 anos, a mesma de Gustavo Riveiros Detter.

Professora do Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP), a psicanalista Gabriela Malzyner diz que os pais não precisam ser invasivos, mas devem acompanhar hábitos dos filhos.

“São os responsáveis pela criança e devem ficar atentos, perguntar o que o filho está fazendo, com quem está falando. Ao identificar um comportamento arriscado, devem procurar espaços para a conversa, que também pode ser feita por um tio ou primo mais velho. É importante colocar o jovem na comunidade e fazer uso dela para o bem.”

Gabriela explica que é importante verificar se o jovem está com algum problema e, por isso, resolve participar de brincadeiras perigosas.

“Sabemos que tem o comportamento que faz parte do jovem, que é de querer se inserir em um grupo. Mas há casos em que o jovem está em sofrimento e acaba errando ao participar de uma brincadeira. Uma coisa é colocar a mesma calça que um amigo usa e outra é se colocar em risco.”

Em sua conta no Facebook, que estava fora do ar na noite de segunda-feira, 17, Detter costumava colocar informações sobre o universo dos games.

Em julho, escreveu: “Meu sonho é morar num cemitério”. A publicação não causou preocupação entre seus amigos. Uma página lamentando a morte do jovem foi criada e já contava com mais de 400 seguidores na segunda-feira.

Danos

Monezi explica que, ao se enforcar, há uma obstrução do fluxo sanguíneo que vai para o cérebro e o desmaio é causado por essa falta de oxigenação.

“A obstrução do fluxo sanguíneo prejudica o sistema nervoso e pode causar a morte ou causar sequelas. Dependendo do tempo da obstrução, a pessoa pode ter paralisia cerebral, lapsos de memória e perda de função cognitiva. Isso está longe de ser uma brincadeira”, diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários

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  1. Fabiana Vasconcelos

    As fontes de pesquisa do Instituto DimiCuida afirmam que a motivação de jovens para a prática de jogos ou desafios como o jogo do desmaio está na raiz natural de ser adolescentes: experimentar o mundo, impulsividade devido a não amadurecimento do cortex pre-frontal, aonde mora a capacidade de julgamento de ações, a necessidade de participar de um grupo, vulnerabilidade ao necessitar do grupo social e aceitar seus desafios. Não há sofrimento em pesquisas, a adolescencia é em si um processo de desenvolvimento repleto de intensas transformações, mas devemos sair desse modelo e começar a ver o jovem como criador e promover uma educação preventiva para a valorização dos cuidados com o corpo e de como dizer não aos possíveis riscos advindos de grupos sociais, sejam eles virtuais ou pessoais. Fabiana Vasconcelos, psicóloga do Instituto DimiCuida