Deslizamentos matam 6 e deixam até 15 soterrados no Rio

Acidentes ocorreram na cidade de Sapucaia; bombeiros buscam soterrados

Rio de Janeiro – Ao menos 6 pessoas morreram e até 15 podem estar soterradas após dois deslizamentos de terra nesta segunda-feira em Sapucaia, município no interior do Estado do Rio de Janeiro na divisa com Minas Gerais – uma das regiões mais castigadas pelas chuvas de verão no Sudeste do país.

Um único deslizamento atingiu oito casas perto da BR-393 e deixou cinco mortos, enquanto outra morte aconteceu numa casa separada em outro ponto da cidade, de acordo com a Defesa Civil do município. Os seis corpos foram encontrados até o início da tarde, e até 15 pessoas ainda podem estar soterradas, disseram as autoridades responsáveis pelo resgate.

Equipes do Corpo de Bombeiros trabalham na operação de busca e salvamento no local. Cães farejadores e voluntários também auxiliam nas buscas.

“Já vínhamos monitorando muitas áreas de risco na cidade e conseguimos tirar muitas pessoas de suas casas, mas nesse local onde houve o deslizamento não havia nenhum sinal de que o perigo fosse iminente”, disse à Reuters por telefone o coordenador da Defesa Civil de Sapucaia, Marco Antônio Teixeira.

A chuva em Sapucaia começou no fim de semana e até o início da tarde desta segunda ainda não havia parado. Cerca de 50 casas em áreas de risco na cidade tiveram de ser esvaziadas às pressas e os moradores foram levados para abrigos improvisados.


Em janeiro de 2011, o Estado do Rio sofreu uma tragédia por causa das chuvas concentradas principalmente na região Serrana, com cerca de 900 mortos em decorrência de gigantescos deslizamentos de terra. Neste início de ano já são quase 20 mil pessoas fora de suas casas no Estado, mas apenas uma morte fora confirmada antes dos deslizamentos em Sapucaia.

A presidente Dilma Rousseff realizou uma reunião com ministros em Brasília na manhã desta segunda para tratar das chuvas e determinou um reforço no monitoramento de regiões sensíveis nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Serão enviados 35 geólogos e 15 hidrólogos para as regiões mais afetadas.

Segundo previsões do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as chuvas devem continuar fortes até quarta-feira, quando o tempo deve melhorar no Sudeste. Há alerta de risco alto para a região metropolitana de Belo Horizonte e para a região das cidades históricas mineiras, como Ouro Preto, onde já ocorreram diversos deslizamentos de terra, além da grande Vitória (ES) e região Serrana do Rio.

Outro dique rompido

No domingo, um segundo dique de contenção se rompeu no norte do Estado do Rio em consequência das chuvas, obrigando as autoridades a iniciarem à noite a remoção às pressas de cerca de mil pessoas no município de Cardoso Moreira.

O dique do Onça se rompeu no fim da tarde por causa da força das águas do Rio Muriaé, que corta a região. Com as chuvas de verão na área este ano, o nível do rio subiu bastante e a água invadiu uma área rural da cidade conhecida como Outeiro, onde vivem cerca de mil pessoas.

Um dique na rodovia BR-356 se rompeu na quarta-feira passada com a força da chuva, abrindo uma cratera de mais de 20 metros na via e inundando uma localidade vizinha chamada Três Vendas, na cidade de Campos, também no Norte fluminense.

Cerca de 4 mil pessoas ficaram em situação de risco e foram orientadas a sair de suas casas inundadas pela água do rio. No entanto, temendo saques e furtos, muitos decidiram ficar em casa.

Em Minas Gerais, são 12 os mortos desde o início de outubro, quando começou a estação das chuvas no Estado. Mais de 100 cidades já declaram situação de emergência e a mineradora Vale informou que o mau tempo está provocando paradas “ocasionais” na produção de minério de ferro no Estado.