Ciro Nogueira diz que renunciará caso surja prova objetiva

Durante as investigações da Operação Lava Jato, o nome do senador foi ligado ao do doleiro Alberto Youssef

Curitiba – O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou na terça-feira, 3, pelo Twitter, que renunciará ao cargo, caso surja ‘qualquer prova objetiva’ que manche sua atitude como homem público.

Durante as investigações da Operação Lava Jato, o nome do parlamentar foi ligado ao do doleiro Alberto Youssef e ao do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, ambos delatores do esquema de corrupção e propina na Petrobrás.

“Assumo mais uma vez este compromisso porque tenho consciência plena de meus atos e sei que as acusações não tem nenhuma base na realidade”, disse o senador no Twitter.

“Desde o início, agora e até o final desta circunstância política, mantive, mantenho e manterei uma única posição: jamais tive qualquer relação imprópria com qualquer dos acusados da operação Lava Jato.”

Nogueira é presidente nacional do PP. O partido, com PT e PMDB são suspeitos de lotear diretorias da Petrobrás para arrecadar entre 1% e 3% de propina em grandes contratos, mediante fraudes em licitações e conluio de agentes públicos com empreiteiras organizadas em cartel.

O esquema instalado na estatal foi desbaratado pela força-tarefa da Lava Jato.

Em setembro de 2014, ele havia dado declaração semelhante. Na ocasião, ele também disse que renunciaria caso ficasse comprovada qualquer vinculação entre ele e Youssef.

O doleiro pagou passagens de assessores de Nogueira e do senador Cícero Lucena (PSDB-PB) de Brasília a São Paulo. Os assessores Mauro Conde Soares, que trabalhava com Ciro Nogueira desde o início de seu mandato, e Luiz Paulo Gonçalves de Oliveira, que assessora Lucena há oito anos, saíram de Brasília no dia 4 de janeiro de 2012, desembarcaram em Congonhas e retornaram a Brasília na mesma data.

O boleto foi faturado pela Arbor Contábil, empresa da contadora do doleiro, Meire Poza.

Nogueira e o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) participaram de uma reunião com Paulo Roberto Costa, em 2013, em que o deputado federal Simão Sessim (PP-RJ) pediu a “valiosa ajuda” do ex-diretor da Petrobrás para indicar uma locadora de veículos de um amigo para “grandes empresas”.

Em e-mail encontrado nos computadores da Costa Global, empresa aberta pelo ex-diretor da estatal e alvo central da Operação Lava Jato, o deputado Sessim cita o encontro com os demais parlamentares.

“Caro amigo Dr. Paulo Roberto. Por ocasião da visita que lhe fiz em seu escritório acompanhado do Deputado Dudu da Fonte e do Senador Ciro Nogueira, cometi a ousadia de pedir sua valiosa ajuda para a Empresa NIL Locações Ltda., que pertence a um grande amigo”, informa o parlamentar em e-mail para Costa datado de 7 de abril de 2013.