Brancos são maioria nas religiões afro em São Paulo

Os dados também indicam que as religiões afro-brasileiras registraram crescimento de 43,8% no número de adeptos

São Paulo – A maioria dos adeptos de religiões afro-brasileiras na cidade de São Paulo é formada por pessoas brancas.

Pesquisa da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial aponta que 60,6% dos seguidores dessas religiões são brancos, enquanto os pretos representam 13,1% e os pardos, 25,5%. O estudo também indica que a maior parte dos adeptos é de mulheres e tem, ao menos, ensino médio completo.

Intitulada “Diversidade Etnico-racial e Pluralismo Religioso no Município de São Paulo”, a pesquisa foi feita com base no cruzamento de informações dos recenseamentos de 2000 e de 2010, realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Os dados desconstroem o senso comum, porque o estereótipo é de que essas são religiões de preto e ignorante”, diz o advogado Hédio Silva Júnior, ex-secretário da Justiça do Estado, autor do estudo.

Os dados também indicam que as religiões afro-brasileiras registraram crescimento de 43,8% no número de adeptos em São Paulo.

Ao todo, 50.794 pessoas declararam ser de umbanda, 18.058 do candomblé e 854 de outras religiosidades afro-brasileiras. A soma representa 0,6% das 48 religiões ou convicções filosóficas declaradas. “Muitos de seus fiéis preferem não se identificar publicamente por receio de discriminação religiosa”, diz o estudo.

Gênero

Já na análise de gênero e de escolaridade, o estudo demonstra que 56,36% dos fiéis são mulheres, enquanto os homens correspondem a 43,63%. Do total, 23,93% têm ensino superior completo e outros 35% concluíram o ensino médio – porcentuais abaixo, apenas, dos grupos “espírita” e “evangélicos de missão”. Em relação ao perfil de renda, 27% dos adeptos ganham acima de três salários mínimos.

Para Silva Júnior, o aumento de fiéis guarda relação com o grau de esclarecimento da população, além de estar ligado à emergência de uma “classe média negra” e movimentos sociais de combate à intolerância religiosa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.