BNDES: empréstimo do Tesouro não pressionará inflação

Banco defende que empréstimo serve para combater a inflação, pois permite ao banco aumentar o investimento em capacidade produtiva

O superintendente da área de planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Cláudio Leal, rebateu hoje a tese de que os empréstimos do Tesouro Nacional para que o banco opere linhas de financiamento com juros subsidiados para incentivar os investimentos pressionam a inflação. Ao contrário, ele afirmou que, ao financiar a ampliação da capacidade produtiva, o BNDES ajuda a equilibrar a relação entre oferta e demanda.

“Para o BNDES, não existe choque com a política monetária. A contribuição do BNDES se soma aos esforços do Banco Central. No momento em que a gente financia enfaticamente o investimento e, portanto, ele gera capacidade produtiva, a gente está ajudando a remover obstáculos ao crescimento. É simples. Estamos financiando capacidade produtiva de tal forma que a oferta seja capaz de atender a uma demanda que vem crescendo e, portanto, que não seja necessário o aumento de juros”, afirmou, em entrevista coletiva hoje na sede do banco.

O anúncio de um novo empréstimo de R$ 55 bilhões do Tesouro ao BNDES foi visto ontem com reservas por analistas, que apontaram a medida como uma contradição em relação ao corte de R$ 50 bilhões do Orçamento da União e à trajetória de alta do juro básico da economia (taxa Selic) promovida pelo Banco Central. Os juros reduzidos do BNDES anulariam parte do efeito do aperto monetário.

Com o novo empréstimo, o BNDES somará R$ 260 bilhões em recursos do Tesouro emprestados em três anos. Cerca de R$ 25 bilhões foram empregados na ampliação da participação do banco na Petrobras no processo de aumento de capital da estatal, em setembro do ano passado. Dos primeiros R$ 180 bilhões repassados ao banco, R$ 134 bilhões foram destinados ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que ajudaram na recuperação da taxa de investimento na economia após a forte queda provocada pela crise mundial de 2008.

Leal justificou a manutenção da política em 2010 diante da necessidade de reforçar o investimento, que teve uma reação mais lenta em relação ao consumo durante a recuperação da economia nos últimos dois anos. Ele comemorou a alta recorde de 21,8% da formação bruta de capital fixo (FBCF) na economia em 2010, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em meio ao crescimento de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior desde 1986.

Com o empréstimo de R$ 55 bilhões, o BNDES acrescentará outros R$ 20 bilhões de capital próprio para manter o PSI até dezembro deste ano com orçamento de R$ 75 bilhões. As taxas das linhas foram reajustadas. Os juros do financiamento de ônibus e caminhões, por exemplo, subiram de 8% para 10% ao ano. Na Finame que financia máquinas e equipamentos, os juros subiram dos atuais 5,5% para 6,5% ao ano para as pequenas empresas e para 8 7% ao ano para as grandes.

“O BNDES está em sintonia com o esforço fiscal do governo, tanto que o empréstimo do Tesouro esse ano foi bem menor. A elevação das taxas também reduzirá o custo fiscal com equalização. Além disso, nenhuma linha do BNDES financiará mais de 90% de cada projeto”, disse Leal. “É um exercício de racionalização do BNDES e um convite para que o mercado de crédito privado ocupe este espaço, que até agora tem sido ocupado apenas pelo BNDES.”

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