Bia Doria usou Lei Rouanet para fazer exposição em Miami

Futura primeira-dama da capital, Bia Doria recebeu R$ 400 mil para expor obras "sustentáveis" nos EUA, mas maior parte do dinheiro veio de produtora de cigarros

São Paulo – A futura primeira-dama de São Paulo (SP), Bia Doria, captou cerca de R$ 400 mil via Lei Rouanet para uma exposição em Miami em dezembro de 2014.

Mulher de João Doria (PSDB), prefeito eleito neste ano em São Paulo, a artista plástica conseguiu autorização para arrecadar até R$ 1,79 milhão para esse projeto, mas conseguiu angariar 22% desse valor.

Segundo os dados publicados no site do Ministério da Cultura, a artista produziu uma exposição para “divulgar a arte sustentável brasileira” com “obras sustentáveis feitas de resíduos de floresta e flores” da série “Florações”. A proposta enviada ao governo previa uma primeira mostra em galerias locais de uma praça pública de Miami.

Apesar do viés sustentável, a maior parte do dinheiro arrecadado veio da maior produtora de cigarros brasileira, a Souza Cruz, que transferiu R$ 300 mil para a mostra. Os outros R$ 100 mil foram doados pela empresa Weg Equipamentos Eletrônicos S/A.

Mais valores

Além da exposição em Miami, Bia Doria conseguiu a aprovação de outros R$ 1,7 milhão de reais para mais três projetos culturais via Lei Rouanet, dois deles livros sobre suas próprias obras e um para uma exposição em Roma.

Desses três projetos, o único que conseguiu arrecadação foi a produção do livro “Raízes do Brasil”, lançado em 2014, que angariou R$ 302 mil. Esse valor foi também doado pela Souza Cruz.

Projeto Valores aprovados pela Lei Rouanet Valores captados
Exposição em Miami R$ 1.794.290,26 R$ 400.000,00
Exposição em Roma R$ 1.131.850,36 R$ 0,00
Livro “Preto no Branco” R$ 300.022,00 R$ 0,00
Livro “Raízes Do Brasil” R$ 302.902,60 R$ 302.902,00
Total R$ 3.529.065,22 R$ 702.902,00

Polêmica

A futura primeira dama de São Paulo foi alvo de críticas nesta semana após conceder entrevistas polêmicas aos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo. Entre as declarações dadas aos jornalistas dos dois veículos, ela comparou Paraisópolis à Etiópia e disse que “ficaria feliz se chegasse uma arrumadeira já sabendo fazer as coisas”, em referência à necessidade de diminuir a desigualdade econômica na cidade.

Outro lado

A reportagem procurou a assessoria da futura primeira-dama. Até a publicação dessa reportagem, Bia Doria ainda não havia se pronunciado. 

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