Após preservar Renan, STF amarga crise interna

Decisão sobre presidente do Senado provocou críticas nas redes sociais e na sociedade

Brasília – Desde que decidiu manter Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado, na última quarta-feira (7), o Supremo Tribunal Federal (STF) amarga com  divergências internas que podem se tornar irreparáveis.

Os ministros Marco Aurélio Mello, autor da liminar que pedia o afastamento do peemedebista do comando do Senado, Edson Fachin e Rosa Weber, que o acompanharam no voto, não teriam digerido bem a decisão de poupar Renan. A interlocutores, os três teriam admitido que o desfecho evidenciou problemas internos e ampliou o aborrecimento entre os magistrados.

Em conversas privadas, Marco Aurélio teria afirmado que o Supremo errou ao abrandar a pena para o presidente do Senado, que desrespeitou a decisão liminar sobre seu afastamento. Além de ter ignorado a liminar, Renan não assinou a notificação que um oficial de Justiça tentou, por três vezes, entregar a ele.

Entre os membros da mais alta Corte do país, a reação de Renan foi encarada como uma afronta. Tanto que, durante seu voto, a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, deixou claro o desconforto: “Dar as costas para um oficial de Justiça é o mesmo que dar as costas para o poder Judiciário”, afirmou antes de votar pela manutenção do peemedebista na presidência da Casa. 

Para além do incômodo entre os pares, a decisão da maioria dos ministros coloca em xeque a própria credibilidade da mais alta instituição jurídica do país. Os ministros que votaram pelo afastamento de Renan temem que o julgamento seja visto como um acordo entre os poderes, principalmente se o Senado derrubar o projeto de lei de abuso de autoridade.

 

Em seu voto, o ministro Marco Aurélio  não economizou nas críticas. Ele questionou qual seria o custo para o Supremo em blindar Renan Calheiros e deu a resposta: “Será um desprestígio para o STF, aos olhos da comunidade jurídica e da sociedade, se o afastamento de Renan não ocorrer”.

Comentários

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  1. José Luis Pereira

    Se o STF fechasse as portas seria um grande bem para o Brasil já que a ideia é salvar todos os políticos da Lava Jato.

  2. Infeliz engodo, que trará prejuízo a mais alta Corte Judicial do País! Evidentemente, a transparência dos atos do Ministros, esbarrou na conveniência de manter um infrator de Leis à frente da Casa dos fazedores de Leis, o Senado Federal!
    A pergunta que ficou no ar: Pra que serve o Artigo 5° e CF/88, promulgada por essa mesma ‘Casa da Democracia’, afinal, não somos todos iguais PERANTE a Lei? Ou, as desigualdades, são esbarradas na forma de política as decisões dos Magistrados? Nessa abertura de precedente, invocarão, os infratores, o tratamento dispensado ao Presidente do Senado, por entender que um Juiz pode ser sim afrontando nosxsei despachos mais legítimos, basta haver um ‘apadrinhamento’ político da esfera do Poder Legislativo!

  3. O STF ACABOU , PRECISAMOS DE MINISTROS QUE SEJAM JUÍZES DE CARREIRA E NÃO ESTAS FIGURAS QUE JÁ NÃO TEM MAIS O RESPEITO POPULAR

  4. Meu respeito a alguns membros da Suprema Corte. Mas, há alguns que deveriam renunciar e voltar aos seus escritórios. Seria mais bonito, aos olhos da sociedade e do mundo.