Após denúncia, Temer está nas mãos da base – ela vai segurá-lo?

Temer precisa de apenas 172 votos na Câmara para barrar avanço de denúncia no STF

São Paulo – Em um ano e quase dois meses à frente do Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer  (PMDB) sempre teve a coesão (e satisfação) de sua base aliada no topo de sua lista de estratégias prioritárias. A princípio, o esforço tinha como foco a aprovação de medidas econômicas impopulares. Agora, essa articulação será fundamental para garantir a permanência do peemedebista no poder.

Com a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente, a resolução da crise política volta para o colo do Congresso. Lá, é necessário que dois terços da Câmara dos Deputados aprove o oferecimento da denúncia para que ela avance para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Isso significa que, na prática, Temer precisa de apenas 172 deputados para barrar o processo. Na teoria, sua base comporta hoje 311 deputados – ou seja, mais do que o necessário para rejeitar a denúncia de Janot contra Temer.

“Se não houver nenhum fato novo, ele deve conseguir [barrar]”, afirma Marcelo Issa, sócio da consultoria Pulso Público, “Mas a questão é que a ofensiva do Ministério Público também está bastante intensa”.

Para os próximos dias, a Procuradoria-Geral da República deve apresentar outras duas denúncias contra o presidente Temer. A persistência do apoio a ele vai depender do teor dessas acusações. Eventuais delações do operador Lúcio Funaro ou do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, denunciado junto com Temer, podem ser explosivas nesse sentido

Outros quatro fatores devem pesar nos cálculos dos deputados, segundo Marcelo Issa: a capacidade de Temer para arrefecer os efeitos da Lava Jato (e a eleição da PGR será um teste), a reação da opinião pública (ainda morna, pelo visto), além da própria articulação do presidente (que já liberou 1 bilhão de reais em emendas na crise) e o desempenho da economia (que dá sinais de recuperação).

Corre nos bastidores o relato, divulgado pela jornalista Andrea Sadi, da GloboNews, de que o presidente teria atrasado seu pronunciamento nesta terça-feira a espera de mais aliados para a plateia. Um grupo chegou e se postou ao lado de Temer enquanto ele discursava. Entre eles, segundo o jornal Folha de S. Paulo, estavam dois cotados para a relatoria da denúncia na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara:  os deputados do PMDB, Jones Martins (RS) e Alceu Moreira (RS). 

“Para muitos parlamentares, enquanto há poucos incentivos hoje para apoiar o governo Temer abertamente, há ainda menos incentivos para tirá-lo do cargo”, afirma a consultoria Eurásia em nota divulgada ontem.  Com isso em mente, a consultoria mantém sua estimativa de que as chances do peemedebista permanecer no Planalto até o fim do mandato são de 70% (por enquanto).

A conferir as cenas dos próximos capítulos.

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Comentários

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  1. Esse panorama é mais acentuado em alguns países em desenvolvimento, onde sexo de risco
    (sem proteção e também com múltiplos colaboradores) representa a
    maior desculpa de doenças infecto-contagiosas entre adolescentes. http://j-band.com/jamaska/cgi/yyh_253/yoyuuha.cgi?time=p044&enm&post=745

  2. A aposentadoria especial rural, concedida no valor de apenas
    um salário mínimo, seguiria bem deficitária, claro, se considerada apenas a arrecadação da Previdência Social
    e não da Seguridade Social como um todo. https://Www.instagram.com/previcalc/

  3. Tadeu Passarelli

    é LÓGIXO que a “base” vai mantrr o cara ate o fim… todos VAGABUNDOS… País palhaço… urnas eletrônicas fraudadas…