São Paulo – A Polícia Federal deflagrou hoje (4) a 24ª fase da Operação Lava Jato, que tem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como principal alvo. As medidas investigativas foram colocadas em prática para buscar provas que possam comprovar ou não a participação do ex-presidente no esquema de corrupção da Petrobras.

No total, foram expedidos 33 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Lula foi ouvido no Aeroporto de Congonhas das 8 horas da manhã até próximo do meio dia. 

Para o procurador Carlos Fernando, a prisão do ex-presidente não foi pedida pois não há pressupostos necessários — tratavam-se de "indicativos fortes". "As investigações não são conclusivas para pedir a prisão", ele diz.

O Ministério Público Federal trouxe detalhes da ação de hoje em coletiva de imprensa que EXAME.com cobriu ao vivo. Toda a cobertura do dia que o ex-presidente depôs na Lava Jato, você confere abaixo.

Ao vivo

  • Termina aqui a cobertura ao vivo de EXAME.com

    Continue seguindo todas as notícias sobre o esquema no link Operação Lava Jato.

  • O DISCURSO DE LULA

    Em declaração nesta tarde, Lula disse ter ficado indignado com a ação do MPF, já que estava disposto a colaborar com as investigações.

    "Eu estou indignado também com o comportamento de determinados meios de comunicação", afirmou o ex-presidente. "Hoje quem incrimina é uma manchete."

    Lula voltou a negar ser proprietário dos imóveis investigados pelos procuradores. "Eu uso a de um amigo, porque os inimigos não me oferecem", disse sobre o sítio em Atibaia. 

    A respeito do tríplex no Guarujá, Lula afirmou que o dia que encontrarem seu nome na escritura, podem chamar o apartamento de seu. 

    "Se eu não comprei e não paguei, não é meu", afirmou o ex-presidente. "Quero saber quem vai me dar esse apartamento quando o processo terminar. Vai ser a Globo? Vai ser o Ministério Público?" 

    Por fim, Lula disse que se tornou uma dos maiores palestrantes do mundo, por tudo o que fez pelo Brasil — em especial a respeito dos avanços sociais em seu governo. O preço das palestras, portanto, foi baseado naquele que o ex-presidente via como semelhante, o ex-presidente norte-americano Bill Clinton.

    "Quem é o que cobra mais caro? É o Bill Clinton? Vamos cobrar que nem ele", disse. "Bill Clinton foi meu paradigma."

  • A VERSÃO DO MPF

    O objetivo da operação foi destrinchar os ganhos da LILS Palestras e do Instituto Lula, controladas pelo petista. Entre 2011 e 2014, ambas teriam recebido R$ 30 milhões, boa parte repassado por empreiteiras com participação já comprovada no âmbito da operação.

    De acordo com o procurador Carlos Fernando, cerca de 60% das doações ao Instituto Lula e 47% dos rendimentos com palestras foram feitas por Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão, UTC, Andrade Gutierrez e OAS.

    "Estamos investigando também vantagens indevidas pagas ao ex-presidente, que é outro aspecto do crime de corrupção", diz o procurador.

    Isso porque OAS e Odebrecht, além de serem doadoras, seriam as responsáveis pelas altas cifras despendidas nas reformas no tríplex do Guarujá e do sítio em Atibaia. Pesa sobre ambos os imóveis a suspeita de que se trata de pagamento de favorecimentos ilícitos e, consequentemente, lavagem dinheiro.

    Há indícios também de que duas empresas da família receberam recursos do Instituto Lula por motivos desconhecidos. Como as maiores doadoras do Instituto são empreiteiras, o MPF investiga se houve triangulação para favorecimento indireto. Foram dois repasses: R$ 1 milhão e R$ 90 mil, segundo o procurador.

    "Ainda estamos em investigação", disse o Carlos Fernando. "Não há nenhuma conclusão a respeito."

    Os pedidos de busca e apreensão chegaram ao juiz federal Sérgio Moro há 15 dias, não há, portanto, qualquer relação com as delações do senador Delcídio do Amaralrevelados pela revista Istoé.

    O procurador justifica a condução de ex-presidente dizendo que se fosse marcada uma oitiva com antecedência, haveria problemas com segurança. A evidência são as manifestações que ocorreram em São Bernardo e no Aeroporto de Congonhas.

    Por fim, foi revelado pelos investigadores que houve quebra do sigilo bancário e fiscal do presidente Lula para auxiliar a checagem dos fatos, medida que corre em sigilo de justiça.

  • Dilma Rousseff encerra sua fala

    Fechando o discurso, Dilma Rousseff diz que a suposta delação tem único objetivo de prejudicar sua imagem e governo.

  • SUPOSTA delação

    Dilma bate na tecla que a delação pode nem ter ocorrido. As afirmações atribuídas ao senador estão claramente desmentidas por termos temporais, de acordo com a presidente.

    "É absurda qualquer associação com o encerramento da CPI dos Bingos com a campanha eleitoral de 2010. Eu não só não antecipei o final, como é absurdo supor que, em 2006, sabia o que aconteceria em 2010."

  • Operação Lava Jato

    Sobre a medida para atrapalhar as investigações da Lava Jato, em conversa tratada com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, Dilma diz que o ministro reiteradamente negou qualquer intereferência sobre o processo.

    O assunto, ela reafirma, era o reajuste de funcionários do judiciário.

  • Dilma contesta fatos revelados pela delação de Delcídio

    Dilma Rousseff diz que todas as etapas da investigação da PGR foram seguidas. 

    Segundo a presidente, nenhum elemento novo foi revelado em relação ao que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tinha em mãos quando pediu o arquivamento das acusações sobre Pasadena.

  • Foi uma desnecessária condução coercitiva, diz Dilma

    "É preciso respeito aos direitos individuais em face as investigações e que elas jamais impliquem em providências mais fortes que aquelas necessárias para o esclarecimento dos fatos."

  • Presidente Dilma fala agora

    Entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

  • Ex-presidente Lula chega à cidade de São Bernardo do Campo

    Sindicalistas que foram a São Bernardo recepcionar o ex-presidente pedem para grupo não dispersar. Eles cantam agora o hino nacional.

    Em seguida, serão passadas orientações para manifestação de apoio a ser realizada amanhã.

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