A bancada da bala pressiona

A crise no sistema prisional segue fazendo pressão na cúpula do governo Temer. Agora é a vez de deputados da “bancada da bala” —grupo de ex-policiais que defende pautas como redução da maioridade penal e a revogação do Estatuto do Desarmamento— usar os massacres na Região Norte para ganhar espaço. Nesta quarta-feira, um grupo de parlamentares se reúne com Michel Temer para cobrar uma demanda antiga, a criação do  Ministério da Segurança Pública.

É mais uma encruzilhada para o presidente. Por um lado, precisa mostrar à população que está agindo de forma efetiva para combater o problema nos presídios. Por outro, criar uma nova pasta mancharia a imagem de austeridade do Planalto. Temer se mostrou publicamente simpático à criação da pasta. Nos bastidores, há mais em jogo: a nova pasta atrairia mais lealdade ao governo da Frente Parlamentar da Segurança Pública, um grupo de quase 300 deputados federais que engloba a bancada da bala, às vésperas da eleição para presidente da Câmara.

“A bancada da bala é muito grande, com muita gente do Centrão”, afirma um analista. “No contexto atual [de eleição], como ignorar? O governo tem que ao menos fingir que dá importância para a opinião deles”.

O grupo sabe o caminho das pedras. Como a criação de uma nova pasta é um desejo ambicioso, trataram de atacar Alexandre de Moraes, ministro da Justiça. “[O ministro] não conhece os problemas gravíssimos que assolam todo o país. Ele ignora a informação de vários deputados federais oriundos da segurança pública e que militam no dia a dia na área”, disse presidente da Frente, Alberto Fraga (DEM-DF), nesta terça-feira. Não bastasse o problema das cadeias, há agora uma disputa de poder político em jogo.