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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

8 desdobramentos possíveis após delação da JBS que implica Temer

Gravações de dono da JBS são devastadoras para Michel Temer e Aécio Neves, mas efeitos não são tão drásticos para grupo político que detém o poder

Cisne Negro, conforme definiu Nassim Taleb, é um evento inesperado, ao qual em geral atribuímos uma baixa probabilidade de ocorrer, mas cujo impacto é devastador, caso ocorra. Ainda assim, o mesmo Taleb sugeriu que nem todos estão submetidos aos efeitos do Cisne Negro da mesma forma; alguns são mais frágeis que os outros.

Tendo em vista o contexto em que chegou ao poder, o governo Temer era composto por muitas fragilidades, constantemente relembradas pelos desdobramentos da Operação Lava Jato.

Trata-se do governo Temer no passado — porque o resultado das denúncias contra Temer surgidas na quarta feira (17 de maio) é devastador para Temer (e também para Aécio Neves), mas menos devastador para o grupo político que integra a coalizão no poder (assim como para o PSDB, na comparação com seu presidente).

No cenário mais provável, teremos a manutenção do atual grupo político no poder, mas com baixa capacidade de mobilização da maioria no legislativo para aprovar as reformas econômicas, o que apenas poderá lograr se conceder grandes alterações em relação àquilo que originalmente propõem; ou, então, a ascensão de um governo caretaker até a eleição de 2018, que pouco poderá alterar o status quo.

Cenários menos prováveis dizem respeito à alteração da Constituição ou à interpretação flexível da Carta Magna para permitir a realização antecipada de eleições diretas.

Ainda resta a probabilidade da eleição indireta de um político de forte expressão nacional e capaz de galvanizar a maioria no legislativo, para continuidade de uma agenda ampla e profunda de reformas. Não parece haver nomes à direita ou à esquerda com força suficiente para cumprir esse papel, especialmente sem estarem investidos da legitimidade conferida pela eleição direta para presidente.

Em resumo, as expectativas para o cenário político podem ser resumidas assim:

1. Além de antecipar o calendário eleitoral de 2018, a repercussão das denúncias deve impedir que as reformas econômicas sigam como previsto até ontem; e, caso se mantenham na agenda, as propostas deverão sofrer amplas alterações.

2. Por si só, essa antecipação eleitoral reduziria a capacidade de articulação política do governo. Mas a gravidade do cenário deverá conduzir a uma paralisia decisória no curto prazo, até que uma saída institucional clara seja definida.

3. Até mesmo no improvável cenário em que as denúncias de seu envolvimento mostrem-se falsas, Michel Temer perdeu boa parte de sua capacidade de liderar a coalizão e poderia sofrer pressões para abrir mão do governo.

4. A possibilidade de avanço da reforma previdenciária no primeiro semestre é quase nula, tendo em vista, ainda, a conjuntura crítica e o calendário de festividades do meio do ano (São João), que reduz consideravelmente a presença de deputados e senadores no Congresso Nacional, especialmente de parlamentares do Nordeste.

5. Mesmo que o governo Temer consiga manter-se no poder, as defecções no núcleo da coalizão devem avolumar-se.

6. O PSDB reduziu sua capacidade de coliderar a coalizão, sensivelmente prejudicado pelo envolvimento direto do senador Aécio Neves, atual presidente e candidato do partido à presidência em 2014.

7. Uma eventual eleição neste momento aumenta o risco de um cenário de baixa coordenação político-partidária, tal como ocorreu em 1989, em que o lançamento de diversos candidatos à presidência favoreceu a ascensão de duas lideranças outsiders (Lula e Collor), em detrimento das tradicionais lideranças políticas de então (Ulysses Guimarães, Mário Covas e outros).

8. Embora uma eleição indireta reduza as chances de ascensão de um completo outsider à Presidência, não as elimina totalmente, uma vez que a eleição pode ser disputada por qualquer brasileiro, num cenário de baixíssima confiança nas instituições e nos partidos políticos. Nomes aventados neste momento: Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal; Henrique Meirelles, ministro da Fazenda; Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça e da Defesa; e Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República.

* Este texto foi elaborado pela Pulso Público para EXAME.com

 

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