De nascimentos a divórcios: como o Brasil mudou de vida em 2015

IBGE lançou nesta quinta-feira um levantamento com os dados coletados nos cartórios brasileiros em 2015

São Paulo — O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira, 24, os dados de registros civis feitos em cartórios brasileiros no ano de 2015.

O levantamento reúne dados sobre nascidos vivos, óbitos, casamentos e divórcios.

Essas estatísticas são coletadas anualmente e permitem fazer um raio-x do desenvolvimento da população dos municípios brasileiros.

A EXAME.com separou dados do levantamento que mostram como a população brasileira evoluiu no ano passado em comparação com anos anteriores:

1. Nascidos vivos

Foram registrados 2.945.344 nascimentos ocorridos durante 2015 contra 2.904.964 em 2014, um aumento de 1,4% no país inteiro.

O Sudeste é a região com o maior número de nascidos vivos: foram 1,17 milhão de nascimentos em 2015. Essa região, contudo, foi a que apresentou a menor variação positiva em relação aos nascimentos de 2014, 0,9%.

O Nordeste ficou em segundo lugar geral, com 822 mil nascimentos e a única variação negativa entre regiões:-0,3%. Já o crescimento dos nascimentos ocorridos e registrados em 2015 nas Regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sul foi de 1,2%, 2,3% e 2,4%, respectivamente.

O estado de São Paulo, o mais populoso do país, teve um número tão considerável de nascimentos que ele, sozinho, desbanca as regiões Sul, Centro-Oeste e Norte. Se colocado no ranking entre as regiões, ele apareceria em terceiro lugar geral, com  632,8 mil nascimentos, atrás apenas das regiões Sudeste e Norte.

2. Casamentos

O total de casamentos cresceu 2,8% no Brasil de 2014 para 2015.  Em números absolutos foram 1.131.707 casamentos entre pessoas de sexos opostos e 5.614 entre pessoas do mesmo sexo, um total de 1.137.321 casamentos civis no país.

Os casamentos homoafetivos aumentaram 15,7% em relação a 2014 e 51,7% em comparação a 2013. Já os registros com casais heterossexuais subiram 2,7% em relação a 2014.

Apenas sete estados apresentaram diminuição nos números de registros, mas as principais reduções ocorreram na Paraíba (-7,7%) e em Sergipe (-6,3%).

Nas uniões civis do país, a maior parte dos cônjuges era solteira (ou seja, não estava sob o status de divorciada), tanto no casamento entre pessoas do mesmo sexo quanto no casamento entre pessoas de sexos diferentes.

Nos casamentos heterossexuais, os homens se casaram em média aos 30 anos e as mulheres aos 27. Já os casais homossexuais resolveram esperar um pouco mais para oficializar a união: os homens gays se casaram entre 31 e 36 anos e as mulheres, entre 32 e 34 anos.

3. Divórcios

Os brasileiros que pediram divórcio em 2015 passaram, em média, 15 anos casados, tempo considerado entre o casamento e a sentença ou escritura do divórcio.

As regiões em que as uniões civis foram mais longínquas são o Nordeste e o Sul do país, onde, em média, os casamentos duraram 16 anos antes do divórcio.

Entre os estados, destacam-se o Rio Grande do Sul e o Piauí, locais onde os casais tiveram casamentos de 18 anos, em média, até se separar. Já o Acre teve o menor tempo: 12 anos.

Entre os casos de divórcio, os homens tinham, em média, 43 anos, enquanto as mulheres estavam com 40.  

Em 2015, houve um declínio no número de divórcios extrajudiciais ou em 1ª instância: um total de 328.960 conta 341.181 em 2014. Já a taxa de divórcios caiu de 2,41 divórcios a cada mil pessoas de 20 anos ou pais para 2,33/1.000 em 2015.

4. Óbitos

Desde 1974, o Brasil reduziu drasticamente a quantidade de óbitos de crianças menores de 1 ano e daquelas entre 0 a 4 anos.

A proporção de óbitos das crianças menores de 1 ano em relação ao total de mortes caiu de 28,2% em 1974 para 2,5% em 2015. Já entre as crianças de 0 a 4 anos, a participação caiu de 35,6% para 3%.

Em números absolutos, o Brasil registrou no ano passado 31.160 óbitos de crianças menores de um ano e 26.467 no grupo entre 0 a 4 anos.

Entre 2010 e 2015, foi mais intensa a redução do número de nascimentos e o aumento do número de idosos no país. Com isso, a pirâmide populacional brasileira ficou menor na base e mais larga no topo, favorecendo um maior número de mortes entre os grupos mais velhos da sociedade, fenômeno esperado no processo de envelhecimento populacional. No ano passado, por exemplo, a participação dos óbitos de pessoas de 65 anos ou mais de idade chegou a 58,1%.

Nos últimos dez anos, o Brasil registrou mais pessoas no grupo de 85 anos ou mais e, consequentemente, teve um crescimento do número de óbitos nessa faixa etária. Esse foi o grupo de idade com a maior variação de 2005 a 2015, com um aumento de 67,7% no número de mortes: saltou de 132.540 para 222.238 no período. Nesse grupo, as mulheres são as que morrem mais: elas são 134.497 contra 87.741 homens.