2016: O ano em que (quase) tudo aconteceu na política brasileira

Um ano para entrar nos livros de História, com o segundo impeachment desde a redemocratização e com a queda do presidente da Câmara

2016, este ano com uma notícia bombástica atrás da outra até o último segundo. Já nos últimos dias de dezembro teve quem tentou desistir de compreender o que estava acontecendo.

Um ano para entrar nos livros de História, com o segundo impeachment desde a redemocratização, com a queda do presidente da Câmara dos Deputados, a desconstrução da imagem do PT e do ex-presidente Lula, que deixou a presidência do País com a popularidade nas alturas, o acirramento da crise entre Legislativo e Judiciário.

O HuffPost Brasil tentou resumir alguns capítulos deste ano em seis fatos marcantes:

Impeachment

Iniciado em 2015, o impeachment de Dilma Rousseff da Presidência do País foi finalizado em 31 de agosto. Depois de uma maratona incluindo choros de advogados de defesa e de acusação, foram 61 votos pelo afastamento da petista e 20 contra. Ela, contudo, foi poupada de perder os direitos políticos.

Na Câmara, o processo não foi menos dramático. Foram madrugadas tanto na comissão especial quanto no plenário, que encerrou a votação em 17 de abril, na mais longa sessão da História da Casa. Do lado de dentro, o então presidente da Casa, Eduardo Cunha, foi chamado de gângster e deputados trocaram cuspes. Do lado de fora, manifestantes contra e a favor do impeachment estavam divididos por um muro na Esplanada.

Com o afastamento de Dilma, o PT perdeu espaço de vez na política, tornou-se uma oposição tímida e abriu a discussão sobre o futuro da esquerda no Brasil. Nas eleições municipais, o partido perdeu 60% das cidades que comandava, em comparação com 2012.

Fora, Cunha

O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) iniciou o ano no comando do impeachment de Dilma e está na prisão desde outubro. Réu na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro, o peemedebista teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Sérgio Moro para evitar atrapalhar as investigações e pelo risco de fuga.

O mandato de deputado foi cassado em 12 de setembro, quase um ano após Rede e o PSOL entrarem com a representação contra ele e quatro meses após o Supremo Tribunal Federal (STF) afastá-lo do cargo. Entre as manobras no mais longo processo no Conselho de Ética, teve renúncia, troca de relator e de integrantes do colegiado, assinatura falsa e tentativas de reduzir punições.

E Renan ficou…

Do outro lado do Congresso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) também sofreu um revés na Justiça. Ele se tornou réu em um dos 13 inquéritos a que responde no STF.

Após comprar uma briga com o Judiciário, o ministro Marco Aurélio Mello chegou a conceder uma liminar para tirá-lo do cargo, mas o plenário da Corte reverteu a decisão, após um acordão com Legislativo e Executivo.

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O senador foi um dos protagonistas das gravações do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Alvo da Lava Jato, no diálogo, Renan defende limitações à delação premiada e sugere “negociar” com o STF uma “transição” para Dilma.

Governo Temer

Outro interlocutor de Machado, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), um dos principais articuladores do impeachment, falou em “estancar essa sangria” em referência à Operação Lava Jato. Após o vazamento da gravação, em maio, ele perdeu o cargo de ministro do Planejamento 10 dias após assumi-lo, mas atualmente é líder do governo de Michel Temer.

O senador foi um dos seis ministros que deixaram o governo do peemedebista, em sete meses. Também caíram Fabiano Silveira (Transparência), Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Fábio Medina (Advocacia-geral da União). Já Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Marcelo Calero (Cultura) foram protagonistas do escândalo envolvendo um apartamento de luxo em Salvador.

A principal resistência contra o governo Temer veio nas ocupações nas escolas, que criticaram o teto de gastos públicos e a reforma do Ensino Médio. Uma das principais bandeiras do Planalto, o novo regime fiscal visa a recuperar a confiança do mercado.

Segunda grande bandeira do peemedebista, a Reforma da Previdência foi anunciada duas semanas antes do recesso parlamentar. As mudanças também têm como objetivo o equilíbrio das contas públicas. Uma das medidas mais polêmicas é a ampliação no tempo de contribuição do trabalhador: será preciso trabalhar 49 anos para ter aposentadoria integral

Polícia x política

Além das citações aos ministros de Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, a Lava Jato chegou ao Rio de Janeiro. O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) foi preso em novembro, suspeito de desvio de dinheiro público para bancar jóias e outros luxos. Dias antes, outro ex-governador do estado, Anthony Garotinho (PR) foi alvo de uma prisão preventiva, suspeito de fraude eleitoral. Ele ficou detido por uma semana.

Outro alvo do Ministério Público foi o ex-presidente Lula, que se tornou réu cinco vezes. Em setembro, ao ser indiciado por corrupção e lavagem de dinheiro, ele foi chamado de “comandante máximo do esquema de corrupção” e apontado como responsável por instaurar a “propinocracia no País”.

Do outro lado, parlamentares articularam medidas em retaliação às investigações. Em novembro, o pacote de 10 medidas contra corrupção enviado pelo Ministério Público foi completamente modificado, em uma votação de madrugada.

Para terminar a temporada de 2016 e deixar todos ansiosos para os próximos capítulos da série Brasil, começaram a sair as primeiras informações sobre as delações dos executivos da Odebrecht, maior empreiteira do País. Já na primeira leva foram citados o presidente Michel Temer, ministros do PMDB e caciques tucanos.

Eleições municipais

Primeira eleição sem o financiamento privado de campanha, as disputas municipais foram marcadas pela vitória de candidatos com o discurso de outsiders da política.

Em São Paulo, João Doria (PSDB) conquistou o comando da cidade em primeiro turno, feito inédito na capital paulista. Com discurso similar, Marcelo Crivella (PRB) venceu no Rio de Janeiro e Alexandre Kalil (PHS) chegou à prefeitura de Belo Horizonte (MG). No geral, o PSDB foi o partido que mais cresceu, com aumento de mais de 15% nas prefeituras.

Reflexo do impeachment das denúncias de corrupção, o PT sofreu uma redução de 40% do comando do Executivo nos municípios. A quantidade de abstenções e votos brancos e nulos também foi destaque. Especialistas afirmaram ao HuffPost Brasil que o resultado reflete a percepção de descrença do brasileiro diante do cenário político.

O que virá a seguir?