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Zeros e Uns

05.02.2010 - 12h41

E-book: muito além do livro eletrônico

Na edição de EXAME que chegou às bancas nesta semana, escrevi uma reportagem falando sobre iPad, alguns impactos do aparelho no mercado e também sobre editoras com projetos para investir na área dos e-books. Um dos casos que eu citei por lá foi o da Ediouro, que criou em 2008 a Singular, um braço exclusivo para assuntos digitais.

O que chama mais atenção na estratégia da Ediouro, que deixei para escrever aqui, é a forma como a empresa está vendo os negócios dos e-books. Para a empresa, produzir livros eletrônicos também é sinal de produzir conteúdo multimídia.

Funciona assim: além do livro propriamente, podem ser criados vídeos, gravações em áudio para complementar a história.  A Singular começou a fazer isso com o livro “O Seminarista”, do autor brasileiro Rubem Fonseca, que foi lançado no fim do ano passado. Além do livro – criado nos formatos impresso e eletrônico com versão para iPhone e Kindle –, a editora preparou um site sobre o livro, além de um vídeo em que o autor comenta trechos da obra e exibe cenários em que se passa o livro. Em setembro, será a vez do autor Laurentino Gomes estrear seu livro nos mesmos moldes.

“Aparelhos como ipad poderão reforçar a tese de que o e-book não é apenas um livro, ou um texto, mas pode trazer conteúdo multimídia. É uma oportunidade de trazer o leitor para dentro da história”, diz Newton Neto, diretor da Singular. Pouco se sabe sobre a ibook Store, mas é certo que os exemplares colocados lá para vender rodarão apenas no leitor digital do aparelho. Ou seja, o livro continuará sendo apenas texto nessa ferramenta. A navegação pelo conteúdo adicional poderá ser feita pelo navegador. E no caso do ipad, a compatibilidade com os aplicativos deixa a experiência bem interessante.

Newton Neto ocupa a direção da Singular há nove meses e, ao contrário de muitos da indústria editorial que se recusam em pensar por enquanto em como será a era dos e-books, está confortável em levar o conteúdo escrito para o mundo digital. Isso especialmente em virtude de suas experiências anteriores. Aos 30 anos, ele passou uma boa parte da carreira na área de negócios da Meantime, pernambucana desenvolvedora de games. “Tanto o modelo de negócios quanto a distribuição dos games têm semelhanças com o segmento editorial”, afirma.

Além de coordenar as estratégias multimídia, Neto é responsável por uma equipe de cerca de 40 pessoas que fazem a digitalização de cerca de cem livros por mês – leiam-se a captação de conteúdo e a adaptação de diversos formatos. Além de transformar em e-books os livros da própria Ediouro, a Singular também presta serviços para outras editoras.

Perguntei para o executivo como a empresa vê o “sacrifício de receita” com os livros eletrônicos – hoje os exemplares digitais são cerca de 30% mais baratos que as obras impressas. Segundo Neto, no preço de capa a diferença representa inquestionavelmente uma queda de receita, mas por outro lado, os e-books não implicam outros custos como transporte, logística e armazenamento.

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