05.12.2011 - 16h44

Somos escravos do álcool

É realmente incrível o poder que o álcool exerce na sociedade. Se você sai com amigos e pede um suco, um refrigerante, todos te olham como se tivesse um ET na frente deles. É como se você fosse obrigado a beber. Essa cena aconteceu comigo no sábado quando fui almoçar com amigos. Eu não estava me sentindo bem e queria apenas um suco. Eu tive de insistir para impor minha vontade. E olha que são amigos.

Essa não foi a primeira vez que me vi em uma situação assim. A pressão social para que se tome álcool, qualquer coisa desde que tenha álcool na sua composição, é impressionante e me deixa assustado.

Não sou pudico, nem conservador, ou de alguma religião. Não sou careta, muito pelo o contrário. Eu não tenho nada contra bebida alcoólica. Adoro um bom vinho, uma caipirinha, um gin tônica, uma cerveja. Mas eu gosto de beber quando tenho vontade e não por obrigação. E a impressão que tenho é que as pessoas quando saem se sentem obrigadas a tomarem qualquer coisa que seja alcoólica. E o pior, tentam te excluir se você não faz o mesmo. Se você não tem força para permanecer firme na sua decisão, ferrou.

Todo mundo joga pedra no motorista embrigado que atropela e mata pedestres ou provoca outros acidentes, mas esquece que atitudes como essas de beber por beber e de não respeitar a vontade do outro o torna muito parecido com esse motorista.

01.12.2011 - 17h45

Você luta contra a Aids?

Hoje é o dia mundial de luta contra a aids. É um dia para lembrarmos que existe um vírus que já levou mais de 25 milhões de vidas nos últimos 30 anos e que faz hoje outros 34 milhões lutarem pela vida, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde. Lembre-se que o único jeito de prevenir a contaminação pelo HIV é fazendo sexo seguro e não compartilhando agulhas. Use camisinha! Mas o dia de hoje não é só contra o vírus; é também contra o preconceito. O vírus não pega no contato social, nem com um abraço ou qualquer demonstração de carinho.

 

29.11.2011 - 12h58

Os ignorantes são mais felizes

“Os ignorantes são mais felizes”. Essa frase atribuída à célebre escritora Clarice Lispector e mais tarde citada em uma música de Cazuza é corretíssima. Principalmente quando aprendemos que o cenário pintado por especialistas para a economia mundial não é nada bonito.

Estou fazendo um curso de curtíssima duração na ESPM sobre a crise financeira mundial e nas duas aulas que tive até agora saí da sala desanimado com a realidade que os números mostram; nada bom. A Europa não cresce, os Estados Unidos patinam, a Ásia, que até agora vinha se saindo bem, começa a dar sinais de enfraquecimento puxada pela China, cujas exportações passam a sofrer os sinais do desaquecimento das economias-clientes, além de outros fatores internos.  Não por acaso, a China tem investido em fábricas em países como o Brasil se preparando para a grande mudança que deverá acontecer no país nos próximos anos: o país deixará de ser exportador para ser o maior importador do mundo, segundo os especialistas.

Na última aula que tive, falou-se sobre a origem e as relações das crises econômicas, que antes aconteciam a cada cem anos, depois em espaços mais curtos, com uma tendência de esses lapsos se tornarem cada vez menores. As últimas, só para lembrar, foram a crise mexicana em 1994, a asiática em 1997, a bolha da internet em 2000, a crise do subprime de 2007 e essa atual crise que envolve as dívidas públicas dos países e está relacionada a de 2007.  Ou seja, a globalização das economias tornou tudo tão intrinsecamente conectado que todos pagam por qualquer coisa que aconteça em qualquer lugar. Acho que eu era mais feliz e tinha mais esperanças de um mundo melhor na ignorância.

Último comentário por Emanuel : Muito boa colocação Luiz ! Não é fácil administrar as preocupações quando descobrimos o problema. Eis o dilema: saber …
18.11.2011 - 19h34

Belo Monte é uma boa?

Não entendo porque o Brasil não investe mais, muito mais, em energia eólica, solar e alternativas energéticas menos impactantes para o meio ambiente?

 

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Pyd5oyIleyg[/youtube]

 

Se você concorda, é só assinar http://www.movimentogotadagua.com.br/assinatura

 

Agora uma outra versão:

 

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=feG2ipL_pTg[/youtube]

Último comentário por Emilia Braga Goncalves : Vamos acabar com o descaso com o nosso Brasil vamos proteger.
16.11.2011 - 17h51

O despropósito da nossa Justiça

Recebi há pouco um e-mail da Defensoria Pública que me chamou a atenção pelo despropósito da nossa Justiça. Um rapaz, chamado de W.C. pela Defensoria, foi condenado na última quarta-feira a 1 ano e seis meses de reclusão, em regime fechado, por furtar 4 latas de atum e uma de óleo. O rapaz, no entanto, teve sua prisão decretada de imediato por uma juíza da 9º Vara Criminal da Capital porque estava ausente durante a realização da audiência. W.C. demorou a chegar por causa do trânsito na cidade de São Paulo.

Uma ação da Defensoria libertou o rapaz depois que um desembargador entendeu que o fato de ele (ainda solto) ter se deslocado de ônibus até o Fórum para encarar sua responsabilidade pelo ato que ele cometeu, era sinal que ele tinha “interesse em cumprir com suas obrigações.”

Assim que li esse e-mail lembrei daqueles senhores e senhoras que roubam milhões dos cofres públicos (e privados também) e não são presos. Esse W.C. entendeu que o que fez foi errado e foi até o fórum para encarar suas consequências. Mas ser condenado a 1 ano e meio por quatro latas de atum e uma de óleo? Será que a juíza nunca ouviu falar em pena alternativa, serviços prestados a comunidade ou algo do tipo?

Se para quem rouba alimento para matar a fome (assim suponho), que custou 20 reais e 61 centavos, a sentença foi de 1 ano e meio de prisão, a quantos anos de prisão essa mesma justiça deveria condenar quem desvia milhares ou milhões de reais dos cofres públicos?

15.11.2011 - 13h30

USP versus PM

Depois de tanta confusão nas últimas semanas, a USP passará a ter uma base móvel da PM em seus campi. E por que essa questão da Polícia Militar tem chamado tanta atenção e revolta de alguns alunos e, inclusive, professores? A explicação primeira talvez esteja no artigo 207 da nossa Constituição Federal que garante às universidades autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial. Entre outras coisas, isso significa que as universidades são, ou deveriam ser, uma espécie de lugar sagrado de livre pensamento, criação e expressão.

A incompreensível revolta dos estudantes – que nos passaram a imagem de “rebeldes” sem causa nobre, pois brigavam apenas pelo direito de fumar seu baseado sem ser incomodado pela polícia – esconde também um outro lado de um processo que tem a própria polícia como agente; a falta de preparo e o abuso no uso do seu poder. Se condenamos aquele pequeno grupo de estudantes, que usaram a força para impor as suas vontades à maioria, também temos de condenar o despreparo da nossa polícia em lidar com os cidadãos.

As histórias contadas por alguns estudantes de constrangimento pela polícia desde que a PM começou a fazer a ronda no campus da USP reforçam o que me falava um professor daquela instituição sobre a insatisfação de alunos e professores gerada por relatos de intimidação feita por policiais despreparados, mesmo antes da prisão dos três jovens que gerou todo o protesto.

É inconcebível que a polícia trate todos como suspeitos. Talvez a insatisfação com a prisão de colegas pegos fumando maconha não tivesse tido a consequência que teve se aquele “incidente” tivesse sido um ato isolado. Pena que os estudantes que lideraram esse “movimento” não tenham sido competentes e partiram para uma linha de extremismo radical que só fez aumentar o ruido na comunicação entre alunos e sociedade, fazendo que aflorasse comentários conservadores e distorcidos do real contexto, que só agora se revela público. Segundo esse mesmo professor com quem conversei, a reitoria já havia dado sinais que poderia rever os pontos do contrato de prestação de serviço firmado com a PM, durante a negociação para a desocupação do prédio da reitoria. Mas o radicalismo desses “rebeldes românticos” não ajudou em nada quando eles insistiram na retirada total da PM do campus.

É preciso refletir sobre esses acontecimentos e sobre as atitudes e opiniões expressadas pela opinião pública e pela própria imprensa. Acho que ainda tem mais caroço nesse angu do que imaginamos. A única certeza que tenho é que nada se resolve com violência e que a educação e a discussão de ideias é que levam a uma solução.

Último comentário por Professor de filosofia : Ratificando:Brasil, Vietnã, Somália e Gabão.
08.11.2011 - 13h23

Aos incompreendidos

Depois do meu último post intitulado “os revolucionários idiotas”, venho falar dos incompreendidos. Pois parece que é isso o que esses 70 estudantes que invadiram a reitoria da USP são. Eles foram retirados hoje de lá pela polícia militar. Mas será que eles são mesmo incompreendidos ou será que eles não compreendem que o mundo é maior que os limites do campus e da residência estudantil? A impressão que tive ao ver as fotos do pessoal deixando o prédio sem máscara é de que parecem se tratar de jovens que vivem o ideal da rebeldia romântica; do ser rebelde por ser. Vivemos em uma democracia, a economia brasileira nunca esteve tão melhor (e tomara que assim permaneça), o acesso aos bens de consumo está mais amplo e atingindo um leque maior de gente que antes não tinha esse acesso. As opções de ideais por quais lutar diminuíram. Então lutar pelo simples ato de fumar seu baseado sem ser incomodado pela polícia militar parece ser um ideal razoável para esses estudantes.

05.11.2011 - 15h54

Os revolucionários idiotas

O mundo está em crise financeira e social. Na Grécia, jovens lutam por mais emprego. O mesmo na Espanha, que foi palco de grandes protestos em maio e agosto por reformas políticas e mais emprego também. Em Nova York e Londres, centenas de pessoas ocupam os centros financeiros há semanas para exprimir suas opiniões quanto ao rumo do capitalismo irresponsável, que levou economias nacionais para a quase bancarrota. E enquanto isso, aqui no Brasil jovens estudantes protestam pelo direito de fumar sua maconha, livre da presença da Polícia Militar no campus da USP, considerada a universidade referência no Brasil e com uma maioria quase absoluta de advindos da classe média tradicional e classe alta desse país.

Será que esses estudantes da USP não têm vergonha de estarem passando o atestado de idiotas, de garotas e garotos mimados sem causa nobre, de egoístas e manipuláveis por partidos de esquerda, que esqueceram que o mundo é outro e portanto precisam também mudar suas táticas? Será por isso que muitos cobrem o rosto para não serem reconhecidos?

O campus da USP é enorme. A falta de segurança é histórica. Vários casos de estupro, assalto e até assassinato já aconteceram por lá. Os próprios estudantes reclamavam dessa falta de segurança no campus. Veio a PM e eles perceberam que para se ter segurança teriam de pagar um preço; o da liberdade de fumar maconha. Ora, a maconha ainda não é legalizada no Brasil. Então era de se esperar que a polícia cumprisse o que manda a lei, quando pegou três estudantes fumando um baseado em um carro, em um estacionamento.

É lamentável que com tantos problemas que o Brasil enfrenta, o da corrupção, o da injustiça social, o da fome (pois ainda tem muita gente na miséria nesse país),  e o da má qualidade de ensino de escolas públicas, esses jovens estudantes se rebelam e se deixam manipular por um assunto tão menor. Acordem, crianças!

Último comentário por Rafael Nascimento : Só arrumaram para cabeça. Pelas conversas que ouvi, ninguém estava a favor. Concordo com quem sugeriu trabalho comunitário. Criança não …
22.10.2011 - 13h00

É certo comemorar a morte?

Quando a morte de Osama bin Laden foi anunciada, cheguei a dizer aqui que a notícia era sim motivo de comemoração. Afinal, tratava-se do mentor intelectual de milhares de assassinatos cometidos sob a estratégia terrorista. Quinta-feira passada o mundo recebeu outra notícia de morte com tanta repercussão quanto, a do coronel Muammar Gaddafi.

O ex-ditador da Líbia Muammar Gaddafi


Mas diferentemente de Osama, que foi executado durante uma operação militar americana, pois talvez achassem que sua prisão alimentaria outros atentados e sua morte seria um exemplo para os demais, Gaddafi – mesmo sendo um ditador tirano não deveria ter sido exterminado, como mostram dois vídeos com ele sendo capturado ainda vivo: ele e seu filho. Os dois foram claramente executados depois pelos rebeldes, que já representavam o novo estado líbio.

Suas vidas deveriam ter sido conservadas, seu governo sido julgado e ele, o filho e a família condenados à prisão pelas atrocidades cometidas ao seu povo. Suas vidas já não representavam o perigo terrorista que a de Osama representava. Talvez um perigo político, pois é certo que ele tinha aliados. Mas ele já tinha perdido a guerra interna pelo poder.

É interessante perceber como os ventos mudam rapidamente. Depois de ter sido exilado do mundo sob acusação de ajudar redes terroristas e de estar por trás do atentado que derrubou um avião na Escócia e matou centenas de pessoas, Gaddafi voltou à cena política internacional sendo reverenciado por líderes de várias países ocidentais. O motivo era óbvio: petróleo. A Líbia é um dos maiores produtores de petróleo e diante do eterno problema no Oriente Médio, a morte do coronel e ex-governante abre a porta para a exploração internacional da maior riqueza do país.

Essa repercussão em torno de sua morte também me fez lembrar que até há algum tempo, poucos eram os jornais que traziam fotos de pessoas mortas, com sangue na cara e detalhes. No mesmo dia da morte de Gaddafi houve uma invasão de imagens dele morto e todo ensanguentado na internet, na televisão e nos sites dos jornais, e no dia seguinte nas publicações impressas. Algo que deixou o saudoso matutino paulistano Notícias Populares parecendo um jornalzinho para crianças.

As fotos de Gaddafi e do seu filho tomaram as primeiras páginas dos jornais mostrando quão cruel também podemos ser ao exibir como troféu um tirano executado pelo “seu povo”.

11.10.2011 - 20h32

CEO da Siemens é demitido suspeito de corrupção

Ex-CEO da Siemens Adilson Antonio Primo é demitido por suspeita de corrupção

Mais um escândalo de corrupção atingiu a multinacional alemã Siemens, e mais uma vez envolvendo a subsidiária brasileira. Desta vez o suspeito era o ex-CEO Adilson Antonio Primo, que teria participado de um desvio de 6 milhões de euros da empresa. Ele foi demitido pela matriz e já substituído. Em seu lugar foi nomeado Paulo Ricardo Stark como novo presidente das operações da empresa no país.

Fiquei surpreso ao ver a notícia da demissão do CEO brasileiro, pois mês passado conversei com ele por telefone para a matéria da edição deste mês de outubro da VOCÊ S/A sobre a vinda de novos centros de pesquisa e desenvolvimento de algumas multinacionais no Brasil. Conversamos sobre a importância da vinda desses centros e do estimulo à inovação, tão necessária para o amadurecimento da indústria e economia brasileira.

De acordo com o jornal alemão Handelsblatt, investigações internas apontaram irregularidades praticadas antes de 2007. Esse não é o primeiro caso de corrupção envolvendo altos executivos da Siemens. Em 2008, um relatório de auditoria externa apontou evidências de práticas ilegais em várias divisões da empresa com transferências ilegais entre os anos 2000 e 2006 que ultrapassaram 1 bilhão de euros. As investigações foram feitas em vários países, entre Estados Unidos, Argentina, China e o Brasil.

Último comentário por magno de oliveira : Acho que quem cala aceita a acusação, ninguém trabalha mais de 30 anos em um empresa como esta e sai …