12.04.2012 - 21h44

STF passa em mais um teste

A Justiça brasileira passou mais uma vez no teste. Ao aprovar o aborto nos casos de fetos anencéfalos (sem cérebro), o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizou novamente que o Brasil caminha para uma sociedade mais justa com direitos que refletem uma realidade atual e não o passado. Assim foi com o reconhecimento da união homoafetiva, das pesquisas com células-tronco embrionárias e da ficha limpa aprovados pelo mesmo tribunal nesse último ano.

Como todo assunto polêmico, muitas vozes se manifestaram contra a medida, ajuizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) em 2004 e que defendeu a descriminalização da antecipação do parto em caso de gravidez de feto anencéfalo. Vivemos em uma democracia e como tal é de se esperar que sempre haja o lado contrário. O problema é que nesses casos sempre usam o mesmo e velho discurso religioso. Sorte nossa vivermos em um estado laico.

Por que será que a maioria desses porta-vozes é homem? Será que se eles fossem mulheres e pensassem que eles (ou elas) poderiam passar por uma situação como essa, de carregar um feto sem esperanças de viver, eles seriam contra?

Como afirmou o ministro Luiz Fux, é justo evitar que a mulher que gera um filho com anencefalia “assista a uma missa de sétimo dia durante nove meses, a missa de sétimo dia de seu filho”.

No placar, que foi de 8 a favor e 2 contra, um dos votos mais bonitos em defesa da medida foi certamente o do ministro Carlos Ayres Britto, que disse: “Metaforicamente, o feto anencéfalo é uma crisálida que jamais chegará em estado de borboleta, porque não alçará voo jamais”, e que, portanto, “Dar à luz é dar à vida, não é dar à morte. É como se fosse uma gravidez que impedisse o rio de ser corrente (…) É um organismo prometido não ao registro civil, mas a uma lápide mortuária.”

Mesmo sabendo que a estrada para um país melhor é longa e que tem muito chão ainda pela frente para caminharmos, são decisões como essa que nos dão mais energia para continuar nessa trilha.

12.03.2012 - 12h22

O Brasil precisa de líderes

Educação é sempre um tema interessante de discutir. Semana passada fui almoçar com um diretor de uma empresa de tecnologia que viveu por 14 anos no Canadá e que, ao voltar para o Brasil, descobriu um grave problema entre os profissionais brasileiros. Ele diz que o Brasil precisa de escolas que formem líderes desde crianças. Segundo ele, o brasileiro – em termos gerais – não é preparado para se comunicar como tal e muito menos falar para o mundo. Claro que como toda regra há sempre exceções.

Marcos Damasceno, da Borland, lembrou que no modelo escolar americano e canadense os alunos primários e secundários são estimulados a participarem de projetos em grupo, e a se apresentarem em público. E isso influencia na formação de líderes na vida adulta. A gente até vê exemplos desses em filmes americanos.  E isso não parece que acontece por aqui.

Claro que escolas muito específicas, e particulares, imagino, devam fazer isso aqui no Brasil. Mas no ensino em geral, e público, não consigo imaginar isso acontecendo.  O resultado são adultos que não sabem expressar seus pensamentos de forma linear e muitas vezes apresentam debilidades profissionais que podem limitar sua carreira.

Nesse momento em que o Brasil vive, saber falar globalmente é fundamental. E esse tem sido um problema para muitas empresas porque falta o básico, gente com fluência em inglês, por exemplo.

Talvez o país tenha ficado muito tempo isolado e o inglês macarrônico que aprendemos deu pra suprir algumas necessidades básicas até o momento. O problema é que tem muita gente lá fora que fala muito bem a língua e que sabe como os negócios lá fora correm, inclusive americanos, que estão em crise.  E já existe um movimento de descoberta do Brasil por esse pessoal.

Moral da história: Ou o Brasil muda o jeito de ensinar suas crianças para formar líderes ou esse boom brasileiro será passageiro limitado pela falta de gente qualificada, que não apenas execute mas que pense e inove.

Último comentário por Adelize : Parabéns por esse texto tão analítico! Vamos começar essa mudança a partir de nós! É o que está mais ao nosso …
17.02.2012 - 12h56

A Justiça tardou, mas não falhou

Ontem foi um dia de boas notícias produzidas pela Justiça brasileira. Um bandido foi condenado e vários outros não poderão concorrer às eleições de 2012.

O primeiro bandido todo mundo conheceu em 2008 quando ele manteve refém a ex-namorada Eloá Pimentel e a amiga dela, em Santo André, na Grande São Paulo, e terminou com a morte de Eloá depois da invasão, muito discutida, da polícia militar. Na época eu gastei algumas madrugadas de plantão cobrindo o caso por um outro veículo de comunicação. Presenciei a angustia de tudo acabar mal a qualquer momento. O que de fato ocorreu. A justiça de São Paulo condenou Lindemberg Alves a 98 anos de prisão, em um julgamento que durou quatro dias. Se bem que em 26 anos ele estará solto, com 51 anos de idade.

Os outros bandidos todos nós conhecemos também. São os políticos condenados por órgãos judiciais colegiados por crimes como lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e contra o patrimônio público, improbidade administrativa, corrupção eleitoral ou compra de voto, mesmo que ainda possam recorrer da decisão. Ainda não poderão se candidatar aqueles que renunciaram aos mandatos para fugir de processos de cassação por quebra de decoro. A decisão saiu depois de o Supremo Tribunal Federal discutir por quase dois anos a constitucionalidade da lei da Ficha Limpa. A Corte suprema acaba de pavimentar uma via que possibilitará um país melhor, sem essas figuras que aproveitam suas posições públicas para se beneficiarem. Agora cabe a nós fazer a Justiça valer e escolher bem em quem votar.

30.01.2012 - 13h18

Um mosquito, um remédio e um médico mal informado

Erro médico não ocorre apenas na sala de cirurgia e nem em hospitais públicos. Eu pensei duas vezes antes de escrever sobre isso, mas resolvi fazer do meu primeiro post do ano um alerta e dividir com vocês o que aconteceu comigo, até para ficarem atentos se, por desventura, passarem pelo o que passei.

Um dia antes de voltar ao trabalho, depois das férias de fim de ano, comecei a ter febre, dor de cabeça, ardor nos olhos e dores nas costas. Eu tinha voltado de uma viagem que fizera a Recife havia três dias e desconfiado que pudesse ser dengue fui ao hospital. Quase três horas depois de ter sido atendido no pronto atendimento do Sírio-Libanês, veio o resultado: dengue. O médico que me atendeu receitou uma dosagem de 750mg de paracetamol para tomar a cada seis horas por sete dias e me liberou para ir pra casa. Não fui trabalhar e fiquei a semana seguinte em casa. Segui à risca o que o médico de um respeitável hospital havia receitado. Foi uma das piores semanas que já tive. Mas o pior estava por vir.

Uma semana depois voltei ao mesmo hospital porque continuava mal. Fui atendido por um outro médico que resolveu pedir outros exames. Tirei sangue e algumas horas depois ele viu que alguma coisa estava errada com meu fígado. Fui imediatamente encaminhado para um infectologista do hospital, que, assustado com as taxas do meu fígado, preferiu me internar. Só saí do hospital três dias depois.

Resumindo, o primeiro médico que me atendeu devia ter receitado o remédio apenas até a febre abaixar, o que aconteceu dois dias depois. O uso prolongado do paracetamol, que é um hepatotóxico, ferrou meu fígado, causando uma hepatite medicamentosa. Fiquei assustado com a falta de informação de um médico de um hospital de referência como o Sírio-Libanês. Agora estou bem, de volta ao trabalho e às atividades normais. Mas fica o alerta. Dengue é de fato uma doença perigosa, que pode matar. O mosquito está por aí em praticamente todos os estados brasileiros. E médicos que podem errar também.

O Ministério da Saúde divulgou recentemente o novo mapa de risco da dengue (click na imagem abaixo para ampliar). Vamos ser mais conscientes e cuidar para eliminar possíveis focos do mosquito da dengue.

 

Último comentário por Luiz De França : Obrigado.
31.12.2011 - 18h28

É hora de abraçar 2012 com fé e esperança de um ano melhor

Este post, o último do ano de 2011, é para refletirmos sobre o que queremos para nossas vidas nos próximos 12 meses. Pode parecer bobagem essa coisa de final de ano, de celebrar o fim de um calendário anual e o início do outro, mas o inconsciente coletivo é mais forte nessas horas. Avaliar o que alcançou no ano que passou e traçar metas para o próximo são importantes para determinar nossa vida. Precisamos de objetivos para viver, nem que seja o mais simples deles.  A vida é curta e se não conseguimos alcançar o mais simples desses desejos, ela se torna além do mais vazia.

Esse ano foi cheio de desafios, transformações e perdas, como todos os demais foram. Talvez, um pouco mais para alguns do que outros. Portanto, outros desafios, transformações e perdas virão pela frente. O segredo é saber como lidar com tudo isso com sabedoria, paciência e generosidade.

Todos ou muitos se chocam com a partida repentina, ou anunciada, de gente próxima a nós ou de personalidades que de alguma forma tocaram nossas vidas. Há pouco fiquei sabendo da morte, aos 41 anos de idade, do jornalista Daniel Piza, quem conheci pessoalmente durante o período que trabalhei na Gazeta Mercantil. Embora fôssemos apenas colegas de profissão, sem nenhum lastro de amizade, fiquei surpreso e triste com a notícia. Assim como de tantas outras pessoas que se foram em 2011. No entanto, devemos olhar para a trajetória de vida delas para enxergamos as experiências e os exemplos que de alguma forma deixaram, seja na carreira profissional ou pessoal, e tirar dali coisas que podem ser inseridas em nossas vidas, para melhorá-la, é claro.

Que 2012 seja repleto de saúde, paz e muitas realizações pessoais e profissionais. E que as pessoas sejam mais gentis e digam mais “bom dia, boa tarde, boa noite, obrigado, por favor”, que deem passagem aos outros, aos pedestres, e que torne as suas vidas e as dos demais mais positivas.

É isso aí. Feliz Ano Novo!!!