As dúvidas sobre se Roger Agnelli permanecerá na presidência da Vale devem continuar até maio, quando vence o contrato do executivo com a mineradora. No entanto, uma coisa é certa: mudou o tom dentro do Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil e um dos controladores da Vale, que sempre defendeu atuação do executivo de forma veemente. Hoje pela manhã, um executivo do fundo fez a seguinte afirmação, depois de ler a entrevista de Roger Agnelli no jornal Valor: “Certas coisas simplesmente não podem ser ditas, nem fora nem dentro do contexto”. Ele se referia à parte da entrevista em que Agnelli diz que uma frase atribuída a ele durante uma viagem a Zâmbia foi citada fora do contexto. O ‘episódio Zâmbia’ teria causado intenso desgaste de Agnelli com o governo. A frase atribuída a ele e que circulou nos jornais foi a seguinte: “tem muita gente procurando uma cadeira (na empresa), e geralmente essas pessoas são do PT”.
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“Há coisas que simplesmente não podem ser ditas”
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1 + 1 = zero
Alguns ex-correntistas do Unibanco têm mudado de canal ao ouvir os primeiros acordes da musiquinha da campanha publicitária do Itaú “Um Mais Um Maior que Dois” (http://www.youtube.com/watch?v=EAeyHYibUok). No filme, o banco comemora o final da integração de sua rede com a do Unibanco e agradece a paciência dos clientes pelos quase dois anos de duração da fusão operacional. Só mesmo tendo a paciência de um santo — que não precisa comer nem pagar contas —, para lidar com os transtornos causados pela tal integração nos últimos meses. Tudo indica que os mais prejudicados foram aqueles que tiveram a infelicidade de ser contratados recentemente por empresas que depositavam o salário de seus funcionários no falecido Unibanco.
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Não importa o partido
A economista americana Barbara Bruns, especialista em educação do Banco Mundial, está animada com os rumos da educação brasileira. Segundo ela — que acompanha o setor no Brasil desde o final da década de 80 —, o país conta atualmente com uma geração muito talentosa de gestores públicos, alguns dos quais estariam entre os mais inovadores do mundo na área educacional. “Eles querem saber se as políticas implantadas dão resultado para valer. Não é mais como acontecia até o início dos anos 90, quando a maioria só queria aparecer em fotografias cortando a fita de inauguração de qualquer coisa”, diz Barbara. Outro sinal animador, segundo ela, é que essa geração pertence a vários partidos políticos. Entre os que mais admira estão a secretária de Minas Gerais, Vanessa Guimarães (governo PSDB), o ex-secretário de Pernambuco, Danilo Cabral (governo do PSB), a secretária municipal do Rio de Janeiro, Cláudia Costin (governo PMDB), o secretário estadual de São Paulo, Paulo Renato Sousa (governo PSDB), e o ministro Fernando Haddad (governo PT). “O Brasil está muito longe de ter uma educação de qualidade, mas essas pessoas deram e estão dando passos fundamentais para mudar esse cenário”, afirma Barbara.
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Beltrame fora do bonde?
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, o gaúcho José Mariano Beltrame, foi involuntariamente o mais importante cabo eleitoral do governador Sérgio Cabral, eleito no primeiro turno com dois terços dos votos no estado. Modesto e de poucas promessas, Beltrame ganhou notoriedade de maneira rara: trabalhando duro no dia a dia, sem tempo para fazer marketing pessoal. Agora, são seus admiradores que estão em campanha: querem impedir que interesses políticos alterem o rumo da segurança pública no estado, algo que volta e meia destrói empreitadas sérias e áridas, como a pacificação das favelas do Rio de Janeiro. Nos últimos dois anos, Beltrame comandou a instalação de 12 Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) em áreas da cidade dominadas pelo tráfico de drogas. O sucesso do programa tornou as UPP’s um dos principais trunfos da campanha de Cabral. Há quem diga que o governador andou pensando em mexer no cronograma de implantação das unidades pacificadoras após o confronto entre policiais e traficantes, ocorrido há dois meses em São Conrado, área nobre do Rio — o conflito evoluiu para a invasão por traficantes do hotel Intercontinental e ganhou repercussão internacional. A pressão de alguns setores da sociedade para a instalação de uma UPP na favela da Rocinha, localizada na região do conflito, teria aumentado. O problema é que a Rocinha não estava entre as próximas favelas a serem pacificadas, dada a complexidade que a operação exigirá. Essas mesmas pessoas garantem que se houver politização com as UPP’s, Beltrame salta do bonde.
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“Deixar seguro de vida pro Ricardão aproveitar?”
A pergunta usada como título deste post foi feita a um jovem vendedor de seguros da Rocinha, favela localizada em São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Lá, vários moradores se tornaram corretores da seguradora carioca Capemisa para vender seguros dentro da favela. Hoje, quase toda a frota de moto táxis da comunidade — muito utilizada pelos moradores para vencer os trechos de difícil acesso no morro — é segurada pela empresa. Mas o que interessa mesmo é a resposta que o rapaz deu ao potencial cliente, que acabou comprando o tal seguro: “Não seria melhor deixar sua mulher com dinheiro para cuidar dos seus filhos? Poderia ser bem pior se ela tivesse de conseguir dinheiro não com um Ricardão, mas com vários”.
Tudo bem, a história é meio mundo cão. Mas não dá para negar seu valor, afinal o rapaz conseguiu convencer o marido desconfiado a comprar o seguro. Os executivos da Capemisa ficaram intrigados com a questão e quiseram saber se ela assombrava outros potenciais compradores. Dito e feito: perguntas parecidas já haviam sido feitas outras vezes ao rapaz e a outros corretores da Rocinha. Resultado: a experiência do moço passou a fazer parte do treinamento da Capemisa para corretores que atuam em áreas de baixa renda. Isso é que é gestão do conhecimento!
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É preciso seguir regras, camaradas
Os bastidores da investigação que culminou na maior multa já aplicada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) — 2,9 bilhões de reais, a maior parte paga pela empresa White Martins, por formação de cartel no setor de gases medicinais — revelam a dificuldade do ex-ministro José Dirceu em seguir as regras de um Estado democrático. O cartel começou a ser investigado em 2003 pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) — órgão que investiga os casos de práticas anticoncorrenciais antes de enviá-los ao CADE, a quem cabe julgá-los. Logo depois da operação de busca e apreensão em algumas das empresas investigadas, o então Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, pediu “explicações” à SDE. Dirceu havia se solidarizado com as reclamações das empresas investigadas. Em seguida, a SDE recebeu uma “orientação” do então subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, Antonio Dias Toffoli: as futuras buscas e apreensões deveriam ser previamente informadas e autorizadas pela Casa Civil.
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Procura-se um estadista
Os três candidatos à presidência da República, Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva, deram uma prova do pouco compromisso que possuem com os rumos do país que pretendem governar. Nas últimas 24 horas, os três recusaram o convite do Movimento Brasil Eficiente (MBE) para discutir como melhorar o sistema tributário brasileiro. O desapontamento com a recusa dos candidatos nada tem a ver com quem promoveria o evento em 2 de setembro — no caso, o recém-nascido MBE, criado por 70 entidades empresariais e da sociedade civil, como a Ordem dos Advogados do Brasil. Tem a ver com o descaso dos três com um sistema que, no ano passado, cobrou quase 1,2 trilhão de reais de cidadãos e empresas, sem dar em troca boas escolas, hospitais ou segurança. Tudo indica que o evento seria de alto nível. Em vez de debate, cada candidato exporia seus planos para o tema, em horários diferentes. Depois, cada um discutiria a proposta do MBE elaborada por dois economistas de estatura: Paulo Rabello de Castro, doutor pela Universidade de Chicago, e Raul Velloso, doutor pela Universidade de Yale. Os dois estariam entre os interlocutores dos presidenciáveis.
Tudo bem que praticamente toda a população mundial ache a discussão sobre impostos uma tremenda chatice. É chato, mas também é um dos nós mais difíceis e necessários de ser desatados para que o Brasil consiga vencer a rebentação do subdesenvolvimento e atinja o patamar de bem estar social de nações desenvolvidas. Qualquer candidato que se preze deveria ter na ponta da língua um plano sobre como melhorar o sistema tributário do país. Não têm. É claro que o clima de “já ganhou”, dado o avanço de Dilma Rousseff nas pesquisas, ofuscou os próximos eventos e desanimou os demais postulantes. De qualquer forma, convém tratar melhor a democracia. É nesse momento que todos deveriam estar discutindo o futuro do país. Não estão. A plaquinha “Procura-se um estadista” continuará pendurada pelos próximos quatro anos.















Roberta Paduan
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