16.08.2010 - 05h34

Até breve

Caros leitores,

Depois de quase três anos de notícias e de reflexões sobre o agronegócio, chegou a hora de dizer “até breve”. Estou indo para uma temporada de 1 ano de estudos no campus de Berkeley, da Universidade da Califórnia. Nesse período, ficarei fora da redação de EXAME. E, como o programa de Berkeley é bastante puxado, seria muito difícil manter o blog atualizado (o que já era cada vez mais raro ultimamente … sorry).  Por isso, Mundo Agro ficará agora oficialmente inativo.

Obrigada aos que acompanharam os posts e contribuíram com idéias, sugestões e críticas.  E até mais.

 Abs, Fabiane

17.06.2010 - 22h10

Guerra ao café

O que o aumento da produção de café de Minas Gerais tem a ver com o consumo mundial de drogas? Para a Colômbia e o México, tem tudo a ver. O jornal britânico Financial Times publicou hoje uma reportagem sobre a ofensiva de produtores colombianos e mexicanos contra o café brasileiro. Isso porque a bolsa de commodities de Nova York, a Ice Futures US, cogita incluir o grão brasileiro no contrato futuro de café arábica, do tipo despolpado. O contrato determina o padrão de qualidade do café negociado. Hoje, a produção de 19 países é referendada pela Ice, entre eles, Quênia, Nova Guiné e, obviamente, Colômbia. O Brasil, maior produtor mundial, não está nesse grupo de elite. Mas como a produção brasileira de café de qualidade está em franca expansão, a Ice estuda a inclusão do país na lista – o que valorizaria o grão nacional. A gritaria da concorrência foi imediata. O argumento dos colombianos é obtuso: o contrato da Ice estimularia os produtores brasileiros a cultivar uma quantidade muito maior de café de qualidade, roubando participação de mercado de países como Colômbia e México. Sem opção, os cafeicultores desses países deixariam de cultivar o grão para produzir coca – a matéria-prima da cocaína. “Eles apelam sistematicamente a esse tipo de argumento”, diz Guilherme Braga, diretor do Conselho de Exportadores de Café. “Qualquer movimento que favoreça a cafeicultura brasileira é contra-atacado com ameaças de expansão da produção de drogas”.

Último comentário por O EIKE BATISTA PRECISA COMPRAR A USIMINAS PARA SALVÁ-LA : O Marco Antônio Castelo Branco foi demitido da Usiminas mas estao se esquecendo do pessoal que ele admitiu e colocou ...
18.05.2010 - 17h21

Unilever põe à venda unidade de molho de tomates

A Unilever está em busca de um comprador para sua unidade de produção de atomatados, categoria de produtos que inclui molhos, polpas e extratos à base de tomate. A negociação não envolve as marcas Arisco e Knorr, estampadas nos atomatados da Unilever, mas apenas a estrutura industrial, localizada em Goiânia, Goiás. A fábrica de Goiânia faz parte do maior complexo industrial da Unilever no mundo. Além dos derivados de tomate, também estão lá linhas de produção da maionese Hellmann’s e dos temperos Arisco, que a multinacional anglo-holandesa pretende manter. A fábrica de Goiânia era a antiga sede da Arisco, empresa comprada em 2000 pela Bestfoods. Esta, por sua vez, foi incorporada no mesmo ano pela Unilever.

Último comentário por GAP- MASTER' : AGORA ACABO MESMO' CARGIL COMPRA UNIDADE TOMATES, EM GOIANIA' POR PREÇO ASSIM BAGATELLA NEH' 600 MILHOES' E O ...
07.05.2010 - 22h04

Monsanto pode deixar de produzir glifosato no Brasil

Até o final da próxima semana, a Monsanto trará para o Brasil 15 contêineres com 300 toneladas de glifosato ácido – matéria-prima para o principal produto da empresa, o Roundup. A importação é um teste logístico que a filial da multinacional americana pretende fazer no país. Hoje, a Monsanto mantém uma fábrica no pólo petroquímico de Camaçari, na Bahia (a única fora dos Estados Unidos), capaz de suprir a sua demanda local e ainda exportar para Argentina e atender outros fabricantes de agroquímicos. O problema que é uma invasão de glifosato chinês no mercado brasileiro vem impondo uma redução na produção da Monsanto. Resultado: há 12 meses, a fábrica de Camaçari opera no vermelho. Não é para menos que a empresa cogita a possibilidade de deixar de fazer o produto no Brasil e passar a importar da matriz. A primeira carga importada dos Estados Unidos representa três dias de produção no Brasil.

Último comentário por Clair : Até que enfim o agricultor brasileiro começa se soltar das garras do monopolio da Monsanto, que detem 90% da tecnologia ...
30.04.2010 - 19h42

Transgênicos: muito além da produtividade

 Há um bom tempo os produtores de soja e algodão – e mais recentemente os de milho – reconhecem que os transgênicos economizam custos e melhoram a produtividade das lavouras. Nessa semana, foi divulgado um estudo da consultoria inglesa PG Economics que mostra que as sementes geneticamente modificadas também pode ser um bom negócio para o meio ambiente. Segundo a consultoria, graças à adoção de transgênicos, 352 000 toneladas de defensivos agrícolas deixaram de ser aplicados no mundo entre 1996 a 2008. O estudo também calculou a emissão de gases de efeito estufa nas lavouras que adotaram sementes geneticamente modificadas. Com menos defensivos no campo, no ano de 2008, foram removidas da atmosfera 15,6 milhões de toneladas de dióxido de carbono – o que equivale a poluição emitida por 7 milhões de automóveis em um ano.

Uma série de estudos que avaliam o impacto dos transgênicos no meio-ambiente tem sido conduzidos no mundo. A edição de abril revista Nature Biotechnology traz um artigo que analisa os benefícios dos transgênicos ao meio ambiente e à economia dos países que adotaram a tecnologia. No texto, foram avaliados 49 estudos em 12 países. Em relação ao meio ambiente, uma das principais conclusões é que as culturas geneticamente modificadas ajudam a conservar o solo, pois a tecnologia facilita a adoção do plantio direto.

19.04.2010 - 20h41

Maçã protegida. Soja nem tanto

 Sabe qual é a lavoura mais protegida do Brasil? Quem pensou em soja ou milho, errou feio. É a maçã. Quase 80% da área de cultivo da fruta está coberta pelo seguro rural. O Ministério da Agricultura divulgou hoje os dados que mostram que pouco mais de 30 000 hectares de maçã estão sob a proteção do programa de subvenção ao prêmio do seguro rural – que, no caso da fruta, cobre 60% dos custos com o seguro. Hoje, a área total de cultivo da maçã no país é de cerca de 39 000 hectares. O programa de subvenção destinou quase 26 milhões de reais para os produtores da fruta – o que corresponde a 10% do total dos recursos destinados ao seguro rural.

A explicação para esse alto índice de cobertura na lavoura da fruta é que uma parte expressiva dos produtores de maçã é formada por pequenos ou médios agricultores – aqueles que justamente se enquadram nas regras de concessão do subsídio. Os grandes produtores acabam sendo excluídos do programa. Para as lavouras mais tecnificadas, isso significa baixíssimos índices de adesão ao seguro rural. A título de comparação: apenas 21% da área de trigo, 18% da de soja e 12% da de milho recebem o benefício da subvenção – que no caso de grãos, cobre apenas 50% do custo com o seguro. O restante sai do bolso do produtor.

29.03.2010 - 22h06

Agronegócio não é sinônimo de commodity

Estive hoje num seminário promovido pelo Instituto de Economia da Unicamp. O tema era a produção de commodities e o desenvolvimento econômico. Um dos palestrantes do evento era o economista José Roberto Mendonça de Barros, um dos maiores especialistas em agronegócio do Brasil. Para ele, há uma discussão tremendamente ultrapassada no Brasil: a dicotomia entre “o agronegócio dos maus” e a “indústria dos bons”. O agronegócio seria aquele segmento que esgotaria os recursos naturais e pouco investiria em tecnologia – e a indústria o oposto disso. Mendonça de Barros aponta a cadeia do açúcar e álcool como um exemplo do segmento que está se reinventando justamente graças à tecnologia. Até os anos 70, o açúcar era o principal produto das usinas. Depois, vieram o etanol e a co-geração de energia. Agora, a aposta são os bioplásticos. A Coca acabou de anunciar que irá fabricar garrafas PET com 30% de material à base de etanol de cana-de-açúcar. “Hoje, o agronegócio está indo além da produção de commodities. E o que está acontecendo hoje na indústria de açúcar e álcool vai se repetir em outros setores do campo”, diz Mendonça de Barros.

Último comentário por A USIMINAS É ATUALMENTE A PIOR EMPRESA SIDERURGICA DO BRASIL, ESTÁ EM ÚLTIMO LUGAR, VIROU UM CAOS : Na Usiminas atualmente quem mada são os ladrões Antonio Carlos da Rosa Pereira o Diretor de Suprimentos que é ...
17.03.2010 - 18h55

Apagão de caminhões

A cena acima aconteceu no comecinho do mês em Sapezal, Mato Grosso. No auge da colheita da safra de soja, a falta de caminhões no campo tem obrigado os produtores a despejar no chão os grãos que acabaram de ser colhidos. Ou seja, o estoque da soja está sendo feito literalmente dentro da própria lavoura. A imagem foi registrada pelo consultor Fábio Meneghin, da Agroconsult, durante o Rally da Safra. Ele presenciou o mais novo gargalo logístico do agronegócio: a falta de caminhões.  

O sumiço dos caminhões no campo pode ser explicado por dois motivos. O primeiro é o expressivo aumento da produção de soja em 2010. No ano passado, foram colhidas 57,2 milhões de toneladas do grão. A previsão para a safra atual é de 67,6 milhões de toneladas – 10,4 milhões a mais que serão colhidos e terão de ser transportadas. A segunda razão para o apagão de caminhões é a intensa competição entre o agronegócio e a indústria da construção civil, que está em forte expansão. Resultado: com mais produção e menos veículos, a disputa por caminhões no Cerrado ficou acirrada.

Último comentário por roni edson martins veiera : Na verdade os apagões de transporte se dão por conta de que as estradas de acesso até algumas fazendas do ...
05.03.2010 - 17h35

Uma estatal para fertilizantes?

Cada vez ganha mais força no governo a ideia da criação de uma estatal de fertilizantes no Brasil. O país é um dos únicos grandes países agrícolas que importa ostensivamente as três matérias-primas básicas para a fabricação de fertilizantes: nitrogênio, fosfato e potássio. Apenas 37% de tudo o que se consome no país é produzido por aqui. Tamanha exposição ao mercado externo já rendeu brigas homéricas entre produtores e indústria. Quando os preços internacionais sobem, os fazendeiros chiam porque os seus custos disparam. Não seria nada além de uma choradeira de ruralistas se o mercado internacional não estivesse de fato cada vez mais pressionado. “Nos últimos dois anos, o consumo na Índia e China cresceu 150% e isso está elevando os preços”, diz Rafael Weber, analista do setor da corretora Geração Futuro. A situação é particularmente mais grave no potássio. A Vale produz apenas 9% das 3,7 milhões de toneladas consumidas no país e a disponibilidade mundial é limitada.

Último comentário por Dalci Paranhos Mesquita : O que falta ao Governo Brasileiro é simplicidade e bom senso. Abra licitação para que Grupos Brasileiros e Estrangeiros possam ...
23.02.2010 - 20h44

Brasil é o número 2 em transgênicos

Treze anos depois de entrar sorrateiramente no Brasil pela fronteira com a Argentina, os transgênicos definitivamente ganharam o jogo. Hoje, o país é o segundo maior produtor de transgênicos do mundo. Os dados foram divulgados pelo Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA, em inglês), que calcula que foram plantados 21,4 milhões de hectares de organismos geneticamente modificados (OGM) no país.  – 100 000 hectares a mais que Argentina, que acabou de perder o segundo lugar no ranking mundial. O Brasil só perde para os Estados Unidos, que tem uma área três vezes maior dedicada aos transgênicos. Pelos cálculos do ISAAA, 71% da soja cultivada no Brasil é transgênica – contra 65% do levantamento anterior. Foram também 5 milhões de hectares de milho OGM e ainda 145 000 hectares de algodão transgênico.

Essa rápida adoção mostra que a realidade vem se impondo na questão dos transgênicos no campo: os produtores estão contabilizando ganhos com a tecnologia. No começo do mês, Basf e Embrapa lançaram uma soja 100% desenvolvida no país. Constam no site da CTNBio quase 1 500 pedidos de pesquisa de campo de diferentes produtos agrícolas transgênicos no país. Tudo isso num ambiente ainda muito hostil à tecnologia. De tempos em tempos surgem pesquisas científicas questionando a segurança alimentar e ambiental dos OGMs. Os números do ISAAA mostram o óbvio: os produtores brasileiros querem plantar transgênicos. E, você, está disposto a consumir transgênicos?

Último comentário por Paulo Simões Diniz : Perguntinha intrigante: Sereia come cereal?