04.08.2011 - 18h58

Chances de Temer na Defesa são remotas

Segundo o blog apurou, apenas a própria Dilma Rousseff e mais os ministros Gilberto Carvalho e Gleisi Hoffmann saberiam o nome do sucessor de Nelson Jobim no ministério da Defesa.

Dilma exigiu da dupla sigilo absoluto até a conversa em que deve demitir Jobim, prevista para o começo da noite.

E ao contrário do que tem saído na imprensa, seriam magras as chances do vice-presidente Michel Temer acumular a pasta da Defesa. Ele próprio não gosta da ideia.

A fim de agradar os militares Dilma estaria inclinada a não nomear um nome político de grande projeção, tal como o próprio Temer, o ministro de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco, ou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

03.08.2011 - 15h17

Cultura de Dilma impressiona jornalista americano

Dublê de repórter da revista “The New Yorker” e reitor da escola de jornalismo da Universidade Columbia, o americano Nick Lemann entrevistou ontem por cerca de 15 minutos a presidente Dilma Rousseff.

Durante a conversa, Dilma comparou a situação atual do Brasil com a dos Estados Unidos, mencionando o livro “A Educação de Henry Adams”, uma reflexão sobre as profundas mudanças políticas, tecnológicas e intelectuais sofridas pela sociedade americana na passagem do século 19 para o 20.

Lemann se mostrou impressionado pelo fato de Dilma comentar o livro em detalhes, um clássico conhecido por poucos fora dos Estados Unidos.

Durante a manhã, de bloco na mão e tradutora ao lado, Lemann assistiu ao lançamento da nova política industrial do governo.

Ele disse ao blog que prepara um artigo sobre o Brasil para a revista durante suas férias de verão.

03.08.2011 - 06h05

MME vetou medida pró-competição em energia

Segundo o blog apurou, se dependesse dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, o plano “Brasil Maior” que foi anunciado ontem pela presidente Dilma Rousseff, teria um belo reforço: o incentivo para que empresas autoprodutoras de energia – gigantes como a Vale e Votorantim, que geram eletricidade para o consumo próprio – participassem dos leilões das novas usinas hidrelétricas a ser construídas no rio Tapajós.

Tais empresas têm uma bolada anual de 3 bilhões de reais para investir em geração de eletricidade.

Acontece que o ministério das Minas e Energia vetou um modelo de leilão de novas usinas que permitiria a participação desses gigantes do PIB. Nesse modelo, uma parte considerável da nova energia iria para o mercado livre.

Mas o MME se opõe a que essas empresas tenham um papel de destaque em hidrelétricas, que são concessão da União.

Porém, quando se trata de construir as caras e poluentes termoelétricas, as autoprodutoras não encontram oposição junto ao governo.

Com o veto do MME, boa parte da indústria pesada, como aço, cimento e alumínio, e que arca com altos custos de energia, perdeu a chance de ser mais competitiva.

Segundo um levantamento recente da Fiesp, a energia brasileira é a terceira mais cara do mundo.

Ironicamente, no primeiro semestre, assim que o governo percebeu que o consórcio de Belo Monte estava em apuros, convocou a Vale para comprar da Bertin uma participação de 9% no empreendimento.

02.08.2011 - 06h05

As dores de Romero Jucá

Antes mesmo de seu irmão Oscar Jucá ser demitido da Conab e sair atirando contra dois ilustres peemedebistas, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e o vice-presidente, Michel Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) já se considerava desprestigiado pelo governo Dilma Rousseff.

Há alguns meses, Romero — que é líder do governo no Senado — se ressentia do fato de não ser recebido a sós por Dilma.

E depois que Oscar Jucá, ex-diretor financeiro da Conab afirmar à revista Veja que no ministério da Agricultura “só tem bandido”, além de provocar a ira de Temer, Romero também acabou levando uma bronca da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, sua ex-colega de Senado.

Por ora, nada indica que Romero Jucá vá perder a liderança, mas ele, que tem lá suas pendências na justiça, anda bem fraquinho.

29.07.2011 - 16h20

Dilma exige política industrial para o dia 2

Segundo o blog apurou, a presidente Dilma Rousseff volta a se reunir neste sábado com os ministros do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, e Guido Mantega, da Fazenda, para dar a formatação final na nova política industrial, a ser anunciada na próxima terça-feira, dia 2.

Se dependesse de Mantega, o lançamento seria adiado em função de um desacordo entre a Fazenda e os demais ministérios sobre a desoneração fiscal em investimentos produtivos e exportações.

Mas Dilma, que defende a desoneração, bateu o pé, exigindo uma solução rápida para a questão.

A reunião deve acontecer no meio da manhã de sábado no Palácio da Alvorada.

29.07.2011 - 06h05

Dilma aperta parafusos da nova política industrial

Segundo o blog apurou, caberá à presidente Dilma Rousseff bater o martelo sobre o nome da nova política industrial, prevista para ser anunciada na próxima terça-feira, dia 2 de agosto.

Hoje o governo se divide entre duas marcas: “Brasil Maior” e PIB, sigla para “Plano de Inovação Brasileira.”

Enquanto o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, defende o Brasil Maior, o marketeiro João Santana advoga o PIB.

Nesta sexta-feira pela manhã, antes de receber a presidente argentina, Cristina Kirchner, Dilma deve se reunir com os ministros Pimentel e Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para definir o pacote.

E na terça-feira de manhã, antes da cerimônia de lançamento no Planalto, Dilma deverá apresentar a novidade às lideranças do Fórum Nacional da Indústria, que reúne entidades como a CNI, Abdib, Única e Abinee.

27.07.2011 - 06h23

A Boeing volta ao ataque no Brasil

Apesar do governo Dilma Rousseff ter adiado a decisão sobre a compra de caças para a Aeronáutica para 2012, a americana Boeing continua no ataque.

Daqui a três semanas, o CEO da área de defesa da Boeing, Jim McNerney, deve visitar o Brasil para tratar do tema.

Convencida de que tem o melhor jato na competição que reúne também a francesa Dassault e a sueca Saab, a Boeing tem como desafio provar tanto ao governo quanto à opinião pública brasileira que, caso vença a disputa, irá promover a transferência de tecnologia exigida pelo Brasil.

Num recente boletim enviado à imprensa, a Boeing não se furta a traduzir uma audiência do subcomitê de relações internacionais do Senado americano, de 17 de fevereiro, que confirma o apoio do Congresso americano – responsável pela autorização da transferência de tecnologia – ao negócio com o Brasil.

Já no âmbito da opinião pública, a Boeing convidou duas professoras do ensino básico de Brasília para participar este mês de um programa nos EUA com simulação de viagens espaciais, além de palestras com astronautas americanos.

26.07.2011 - 06h05

Eurasia: Humala traz riscos de médio prazo

Ollanta Humala deve tomar posse como presidente do Peru nesta quinta-feira, dia 28.

Segundo o analista Erasto Almeida, da consultoria americana Eurasia, se por um lado Humala deve assumir o governo com uma política econômica moderada, em médio prazo ele pode seguir uma linha mais intervencionista.

“Ele anunciou o respeitado tecnocrata Luis Miguel Castilla como ministro da Fazenda e Julio Velarde, outro respeitado tecnocrata, continuará no cargo de presidente do Banco Central”, diz Almeida.

“Tais nomeações, feitas em parte em função de dificuldades políticas iniciais, reforçam nossa visão de que Humala irá seguir uma política econômica relativamente moderada, priorizando a estabilidade no começo de seu governo.”

Mas o analista observa que a recente queda de Humala nas pesquisas de opinião sugere o aumento do risco político em médio prazo.

Caso a popularidade do novo presidente peruano continue caindo, ele poderia ser tentado a adotar uma política fiscal expansionista, além de intervir no setor de extração mineral.

25.07.2011 - 06h05

O custo da banda larga nas cidades sede da Copa

Recentemente, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, anunciou que o governo irá investir 200 milhões de reais para dotar as 12 cidades sede da Copa de conexão de banda larga de 5Mbps.

O blog perguntou ao consultor de telecomunicações Ronaldo Sá, que também já presidiu a Telebrás, quanto custaria dotar os estádios da Copa, os principais hotéis, aeroportos e corredores de trânsito – ruas e avenidas no percurso dos hotéis aos estádios – com esse tipo de conexão.

Segundo Sá, o custo seria três vezes maior do que o previsto pelo governo.

A propósito, perguntado pelo blog, o secretário-executivo do ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, esclareceu que o compromisso da União com a Fifa é de fornecer a banda larga apenas para os estádios.

O governo prevê que as demais áreas das cidades da Copa sejam cobertas pelos serviços de empresas privadas.

Abaixo, as estimativas de Ronaldo Sá:

Investimentos para a implantação de banda larga de 5 Mbps em todas as 12 cidades sede da Copa do Mundo de 2014.

Condições de projeto:

  • Há necessidade de prestação dos serviços nas cidades sede com cobertura nas regiões dos aeroportos, estádios, hotéis e nos corredores de tráfego entre eles.
  • Terão que ser usadas redes fixas, com e sem fios, e redes móveis.
  • Os investimentos necessários compreendem acesso, interconexão , “backbone”e PTT.
  • Todos os torcedores, pessoal de apoio e serviço e o pessoal de segurança disporão de terminais móveis. Destes, pelo menos 40% serão smartphones.
  • Não existe total segurança se o leilão [previsto pela Anatel para 2012] e a limpeza da faixa de 2,5 GHz sejam efetivos para permitir a implantação, ajuste e ativação da rede 4G a tempo do início da Copa do Mundo.
  • Os pontos de maior concentração de tráfego serão os estádios de futebol no período compreendido entre 1 hora antes do início e 1 hora após o encerramento dos jogos oficiais. O tráfego predominante será de “upload”. Mesmo com o uso de todas as freqüências das redes sem fios fixas e móveis (inclusive 4G) não será possível assegurar estáveis 5Mbps nos serviços sem fios durante o período de 4 horas citado.
  • Aeroportos, hotéis e estádios devem contar com uma bem estruturada rede de Wi-Fi para completar o escoamento de tráfego.
  • Consideramos que as atividades jornalísticas serão suportadas diretamente por redes fixas de fibras ópticas especialmente dedicadas a tais atividades. Tais investimentos não fazem parte dos investimentos de acesso mas aparecem no cálculo do tráfego das interconexões e dos acréscimos de “backbone”.
  • Os investimentos normais das operadoras fixas e móveis não estão incluídos nos adicionais abaixo estimados (69 bilhões no período janeiro de 2011 a dezembro de 2014).

Valores estimados de investimentos:

Considerando estáveis o dolar e a inflação no período 2011 a 2014, a estimativa para o investimento adicional necessário ao provimento dos serviços de telecomunicações nas 12 cidades sede da Copa do Mundo, será de 600 milhões de reais, apenas para atingir a qualidade anunciada de 5Mbps para a comunicações de dados.

Conforme dito nas condições de projeto acima, tais investimentos incluem construções e ampliações de acesso, interconexões, “backbone”  locais e de longa distância e de pontos de transferência de tráfego.

22.07.2011 - 06h05

Petrobras paga alto por menos etanol na gasolina

Em função da alta do etanol, o governo tem indicado que vai reduzir a mistura desse combustível na gasolina da proporção atual de 25% para 18%.

Caso isso aconteça, do próximo mês de agosto até março de 2012, a Petrobras poderá amargar uma perda de 2 bilhões de reais.

O cálculo é de Adriano Pires, especialista em energia e diretor do CBIE.

Segundo Pires, para compensar a diminuição do álcool, a Petrobras se veria forçada a importar o equivalente a 6 bilhões de reais de gasolina.

E como o preço de venda da gasolina para a Petrobras no país está congelado desde 2009, a estatal acabaria oferecendo no mercado interno o combustível a um preço mais baixo do que o de custo.

Ainda segundo Pires, no primeiro semestre a Petrobras já perdeu 2 bilhões de reais na venda de gasolina – consequência direta da política do governo de intervenção no mercado de combustíveis para conter a inflação.

“Caso o governo julgue inevitável reduzir a mistura do etanol na gasolina, ele deveria fazê-lo na proporção mínima de 22% e não de 18%”, disse Pires ao blog. “Assim, a Petrobras teria uma perda menor.”