25.08.2011 - 06h05

Eurasia: Humala preocupa em médio prazo

O novo presidente do Peru, Ollanta Humala, deve apresentar hoje seu plano de governo para os próximos cinco anos.

De acordo com a consultoria de risco político Eurasia, o projeto de Humala não deve destoar do tom moderado que ele se viu forçado a adotar para ganhar a eleição.

“O governo irá enfatizar sua meta de promover a inclusão social e dará mais detalhes sobre seus planos de gastos, enquanto reafirmará o compromisso de manter os desembolsos dentro dos limites de uma política fiscal prudente”, diz o analista Erasto Almeida, da Eurasia, em recente nota.

Segundo Almeida, dificilmente Humala anunciará hoje o aumento de impostos no setor mineral, uma vez que ele ainda não teve tempo para finalizar sua proposta.

Entretanto, para o analista, se por um lado os novos sinais de moderação reforçam a percepção de que Humala adotará políticas relativamente pragmáticas, por outro deve se esperar um ambiente mais negativo para os investidores em médio prazo caso Humala venha a enfrentar dificuldades políticas.

24.08.2011 - 06h15

Uma nova ferramenta em prol da gestão pública

Em tempos de sucessivos escândalos do governo, uma bela iniciativa da sociedade civil visa inspirar gestores públicos a adotar políticas inovadoras em setores cruciais para o país, como educação, saúde e mobilidade urbana.

Trata-se do Portal Tellus Inspira, que entre outros fundadores reúne o economista Felipe Salto, da consultoria Tendências.

 “Queremos que o portal se torne uma referência para os gestores públicos em busca de políticas de alto impacto”, diz Salto.

O portal também tem um espaço para que cidadãos compartilhem experiências que possam ajudar os vários níveis de governo a melhorar a qualidades dos serviços prestados.

23.08.2011 - 06h05

A Vale admite conversar sobre os royalties

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, deve se encontrar hoje no Rio com Darci Lermen, o prefeito de Parauapebas, a cidade paraense que abriga a mina de Carajás e que questiona na justiça o pagamento de royalties pela mineradora.

No começo do ano, em função de um processo movido pelo petista Lermen, que tem o governo federal como aliado, a Vale esteve na iminência de perder a concessão da lavra de Carajás, a maior mina de minério de ferro do mundo.

Mas desde a saída de Roger Agnelli da empresa, em abril, o processo está em banho-maria.

“Estou cautelosamente otimista com a negociação com o novo presidente da Vale”, disse Lermen ao blog. “Ele tem dado mostras de que quer dialogar.”

Segundo as estimativas do governo, a Vale teria deixado de recolher 4 bilhões de reais em royalties do minério desde os anos 90 em todo o país.

Agnelli negava a existência da dívida, mas um cauteloso Ferreira parece interessado em entrar num acordo com o governo e com as cidades mineradoras.

Em função da escala bilionária da disputa, os milhões de acionistas da Vale estão de olho em seu novo CEO.

16.08.2011 - 06h05

O marketing da Boeing ataca no Congresso

Nesta quinta-feira, dia 18, o CEO da divisão de Defesa da Boeing, Dennis Muilenburg, deve participar da primeira sessão de uma série de audiências públicas do Senado com as empresas finalistas para fornecer um novo caça à Força Aérea Brasileira.

Os rivais da Boeing são a francesa Dassault, que fabrica o Raffale, e a sueca Saab, que tenta vender o Super Gripen.

Em sua passagem por Brasília e São Paulo, Muilenburg deve martelar na tecla de que o caça Super Hornet 18 é a melhor opção para o país, seja em termos de preço ou tecnologia.

Mas o desafio da Boeing é convencer o governo e a opinião pública brasileira de que o governo americano está sinceramente disposto a permitir a transferência de tecnologia da Boeing para a Embraer, parceira do vencedor da disputa na fabricação do caça no país.

Além dos argumentos de Muilenburg, a Boeing também ataca no marketing.

A partir de hoje, a empresa deve expor no saguão do Congresso um simulador de voo capaz de demonstrar as manobras e poder de fogo do Super Hornet.

O simulador, que já foi mostrado recentemente na feira LAAD (Latin America Aéreo and Defense), do Rio, ficará disponível ao público até esta sexta-feira, dia 19.

Será que a Dassault e a Saab também vão contra atacar no marketing?

15.08.2011 - 06h05

O que Dilma quer em troca das emendas

Se tudo acontecer como o governo planeja, a liberação de cerca 4 bilhões de reais em emendas parlamentares deve garantir-lhe as seguintes barganhas no Congresso:

1) A aprovação da DRU, a Desvinculação das Receitas da União, que permite ao governo gastar como bem quer 20% do orçamento. Dilma quer que a aprovação valha para até o final de seu mandato, em 2014.

2) A aprovação do marco legal da recém lançada política industrial

3) A não votação de aumentos de gastos contidos na PEC 300, que aumenta o piso de policiais e bombeiros, da emenda 29, que fixa gastos mínimos para a saúde, e do aumento de salário pedido pelo Poder Judiciário.

O governo promete para amanhã o cronograma de liberação de emendas, com desembolsos imediatos de 150 milhões de reais durante a semana e mais 1 bilhão até o final de setembro.

A conferir.

11.08.2011 - 06h05

Será que Novais vai dar conta do recado?

Segundo o blog apurou, o governo Dilma Rousseff está tranquilo quanto à inocência do ministro do Turismo, Pedro Novais, no escândalo que sacode sua pasta, alvo de recente devassa da Polícia Federal.

Afinal, os indícios de fraude em repasses de emendas parlamentares teriam acontecido quando o ministério era comandado por Luiz Barretto, hoje à frente do Sebrae.

Mas o governo se pergunta se Novais terá a mesma capacidade operacional dos ministros Wagner Rossi, da Agricultura, e Paulo Passos, dos Transportes, que recentemente tiveram que ir ao Congresso para explicar escândalos em seus setores.

Aos 80 anos, Novais foi indicado para o Turismo pelo deputado Henrique Alves (PMDB-RN), líder do partido na Câmara. Sua queda significaria mais um desgate do Planalto com a base aliada.

10.08.2011 - 06h05

Dilma não quer precipitação diante da crise

Segundo o blog apurou, a presidente Dilma Rousseff não pretende tomar nenhuma medida de emergência diante do derretimento dos mercados.

A ordem no Palácio do Planalto e nos demais ministérios é esperar para ver onde vai dar a volatilidade global.

A propósito, Dilma não gostou da recente entrevista do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, neste último domingo ao Estadão.

Pimentel disse: “espero, ardentemente, que no segundo semestre a Selic comece a cair.”

Acontece que Dilma prometeu autonomia total ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. 

Logo, ela  não quer que o mercado leia na declarações de Pimentel, que é seu amigo de juventude, um recado seu ao Copom.

A propósito, a próxima reunião do Comitê de Política Monetária acontece nos dias 30 e 31.

Se como tudo indica, o Copom interromper o ciclo de alta da Selic, a presidente não quer passar recibo de que se meteu nas decisões do BC.

09.08.2011 - 06h06

Crise mundial deve aumentar proteção brasileira

Segundo a consultoria americana Eurasia, a deterioração da crise na Europa e nos Estados Unidos deve levar o governo Dilma Rousseff a adotar mais medidas para proteger a indústria brasileira.

Para o trio de analistas Erasto Almeida, Jefferson Finch e Christopher Garman, “se a Europa e os Estados Unidos entrarem num segundo mergulho recessivo, representantes do governo [brasileiro] poderiam muito bem pensar em como expandir esse tipo de iniciativa.”

Em recente nota, eles se referem ao pacote da política industrial “Brasil Maior” lançado pelo governo na semana passada.

As medidas do governo incluem eliminação da contribuição previdenciária patronal para quatro setores – têxteis, móveis, calçados e TI – e incentivos fiscais para as montadoras.

De acordo com os analistas, líderes do Congresso já estariam estudando medidas adicionais para o pacote do governo.

Eles observam também que apesar da alta da inflação, o governo tem-se mostrado crescentemente preocupado com a apreciação do real, o que explica o novo imposto para o mercado de derivativos.

E concluem: “se por um lado a incerteza do cenário global levou a uma desvalorização do real (que é agora é cotado a 1,6 dólar), por outro a disposição do governo em adotar mais medidas para deter uma futura apreciação também deve crescer.”

08.08.2011 - 06h05

Compra de caças deve ficar para 2013

A entrada de Celso Amorim em substituição a Nelson Jobim no ministério da Defesa não deve alterar o prazo e tampouco a decisão do governo Dilma Rousseff sobre a compra de caças para a FAB.

A opinião é de David Fleischer, professor de ciência política da Universidade de Brasília.

“É o cenário econômico negativo que deve levar a Dilma a adiar mais uma vez a compra dos caças”, disse ele ao blog. “No ano que vem, o caixa do governo será prejudicado pela crise global e também pelo aumento de 14% do salário mínimo, que vai pesar nas contas da Previdência.”

Segundo Fleischer, tanto Jobim quanto Amorim preferem os caças franceses da Dassault aos aviões americanos da Boeing e aos suecos da Saab.

Mas no começo do ano, Dilma sinalizou que o fator preço e sobretudo a transferência de tecnologia serão cruciais na escolha dos aviões.

05.08.2011 - 06h15

Indústria pressiona Congresso por nova política

Diante do temor de que o Congresso não aprove a toque de caixa ou altere radicamente as medidas provisórias que sustentam a nova política industrial do governo — como é o caso da MP que elimina a cobrança do INSS para os setores de calçados, vestuário, móveis e TI — as lideranças empresariais já pressionam os parlamentares.

O grande argumento dos empresários é o risco de que a crise dos EUA e da Europa cause uma desvalorização ainda mais avassaladora do dólar, provocando uma tsunami de importados baratos no mercado brasileiro — o que por sua vez acarretaria em milhões de demissões no setor de manufaturas brasileiro.

Aliás, durante seu discurso no Palácio do Planalto no dia do anúncio do pacote, o presidente da CNI, Robson Andrade, disse que para funcionar, as medidas teriam que ser adotadas com um “senso de urgência.”

A questão é saber o preço que base aliada, indisposta com o governo Dilma, vai cobrar da indústria.

Não custa lembrar que 2012 é o ano de eleição e que boa parte dos parlamentares pretende se candidatar a prefeito.