Como ninguém é de ferro, vamos entrar em férias coletivas na próxima segunda-feira e voltaremos no dia 2 de janeiro. Até lá, o blog deve ficar sem atualizações.
Boas festas a todos!
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A Western Union, maior empresa de transferências de dinheiro do mundo, anunciará no começo da semana que vem uma parceria com a rede de farmácias Pague Menos. Será possível enviar recursos para 200 países e pagar contas em 165 drogarias do país.
Segundo pessoas do mercado, a Western Union, que recebeu a aprovação do Banco Central em outubro passado para atuar como banco múltiplo e corretora de câmbio no Brasil, iniciou conversas com o Banco Postal para fazer uma parceria semelhante à firmada com a Pague Menos. A intenção é estar presente em cerca de 6 000 agências de Correios.
A Pague Menos, quarta maior rede de farmácias do Brasil, tem faturamento de 2 bilhões de reais. A empresa registrou o pedido de abertura de capital em outubro passado – e deve fazer o seu IPO em 2012. Procuradas, a Pague Menos e Western Union disseram que não comentam o assunto.
A crise de dívida da zona do euro deverá provocar um corte de 1% e 2% do PIB na região e, com isso, afetar a Alemanha e França, que estão lutando para salvar o sistema monetário europeu. Segundo a BlackRock, maior gestora de ações do mundo, o plano Merkozy, apelido dado pela imprensa europeia à tentativa da presidente alemã Angela Merkel e do presidente francês Nicolas Sarkozy de ter um maior controle sobre as finanças da Europa, não funcionará a menos que as empresas locais melhorem a produtividade mais rápido que o resto do mundo – algo que, no curto prazo, parece improvável. Nem mesmo os cortes na taxas de juros pelo Banco Central Europeu e outras flexibilizações na política monetária “vão compensar os efeitos da recessão”.
E qual será o impacto disso para as ações das empresas europeias? De acordo com o relatório, as companhias da zona do euro serão negociadas, em média, a 8,7 vezes o seu preço sobre o lucro (P/L) estimado para 2012 – o nível mais baixo dos últimos 35 anos (quanto mais baixo o índice, mais barata está a ação). Os analistas da gestora americana estimam que o lucro das companhias europeias sofrerá um declínio de cerca de 5% em 2012. “Estamos cautelosos. Nós nos concentramos em empresas com balanços fortes. Preferimos ações à prova de recessão, como os setores de saúde e alimentos e bebidas. E nós gostamos de empresas que obtêm uma grande proporção de vendas e lucros dos mercados emergentes”, diz a BlackRock.
O preço das ações das companhias brasileiras está bem próximo do patamar da crise de 2008. De acordo com um relatório do HSBC, as empresas listadas na Bovespa são negociadas a 1,4 vez o preço em relação ao valor patrimonial (PBV), contra 1,13 vez há três anos (quanto menor o PBV, mais barata está a ação).
“O Brasil tem praticamente o mesmo PBV dos desenvolvidos”, dizem os analistas do HSBC. O banco compara o mercado brasileiro com o mexicano, que negocia atualmente a 2,57 vezes o PBV, contra 1,6 vez em 2009 – ou seja, 83,5% acima da Bovespa.
Para o HSBC, este momento é oportuno para garimpar boas oportunidades no mercado brasileiro. Entre os papéis preferidos do banco, estão: AES Tietê, Multiplan, Brasil Foods, OdontoPrev e Cielo. Segundo os analistas, essas empresas têm faturamento robusto e estão focadas em cortar custos, o que melhora sua rentabilidade.
As ações dos quatro grandes bancos presentes na bolsa – Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil – subiram em média 11% na semana passada, o dobro do Ibovespa. Segundo relatório divulgado hoje pela corretora Raymond James, foi o melhor desempenho entre os bancos da América Latina. Nada mal para um segmento que havia caído 6% em novembro e ainda acumula queda média de 17% no ano.
O Santander teve a maior alta (13,4%), seguido por Itaú Unibanco (12,8%), Bradesco (9,7%) e Banco do Brasil (7,4%). “Os grandes bancos foram beneficiados pelas medidas de estímulo ao consumo e ao crédito adotadas pelo governo”, diz Osmar Camilo, analista da corretora Socopa, referindo-se a iniciativas como a redução do IOF para o crédito à pessoa física e do IPI da linha branca, o que incentiva as vendas financiadas. “As instituições trabalham com metas de crescimento da carteira de crédito e o estímulo facilitará o trabalho.”
Para o analista, os papéis têm potencial de continuar subindo. “É um bom momento de compra. As ações dos bancos estavam sob pressão, sofrendo com a aversão global ao risco, e ficaram baratas. As medidas de estímulo representam uma oportunidade de recuperação.” No relatório de hoje, a Raymond James calcula em 8,9 vezes o índice P/L (que mede a relação entre o preço da ação e o lucro da empresa) dos grandes bancos brasileiros – ante um P/L médio de 11,7 vezes para a América Latina. Quanto menor o P/L, mais barata está a ação. Por esse indicador, só os bancos argentinos estão mais baratos que os brasileiros, com um P/L de 4,7.
O 3i, índice de empresas inovadoras criado pela consultoria gaúcha Innoscience, ficou para trás do Ibovespa em outubro. Enquanto o principal índice da bolsa subiu 12%, a carteira das inovadoras valorizou apenas 5%. A construtora Even foi a companhia com a maior alta no índice em outubro (19%), enquanto a empresa de software Totvs teve o pior desempenho (queda de 11%).
O 3i é formado por 31 empresas classificadas como as mais inovadoras do Brasil no último ano em rankings divulgados em publicações de negócios. Entre elas estão Natura, Embraer, Marcopolo e Vale.
O desempenho tem sido irregular na comparação com o Ibovespa nos últimos meses: o 3i perdeu em julho, mas ganhou em agosto e setembro. No acumulado de 2011 até outubro, o 3i teve um desempenho melhor: caiu 7%, mas o Ibovespa perdeu 16%. No longo prazo, o 3i amplia a vantagem. O índice valorizou 114% desde 2007 até outubro deste ano, quase o triplo do Ibovespa.
Mais uma assessoria financeira brasileira se associou a um banco estrangeiro. O Andbanc, que tem sede em Andorra, fechou a compra de 50% do capital da LLA Investimentos, que tem 1,7 bilhão de reais sob gestão e 20 anos de mercado.
O Andbanc, claro, está de olho no crescimento das fortunas dos brasileiros – chamou a atenção dos banqueiros o dado, divulgado pela revista Forbes, de que surgem 19 milionários por dia aqui. “Poucos países têm tanto espaço para crescimento”, disse ao blog Ricardo Roca, diretor do Andbanc.
O objetivo da parceria é oferecer aos investidores locais mais opções de aplicação no exterior. E trazer estrangeiros que queiram colocar dinheiro no Brasil. Com escritórios em 14 países, entre eles Estados Unidos, México e Suíça, o Andbanc tem 14 bilhões de dólares de patrimônio.
Em maio, a GPS, um dos family offices mais tradicionais do país, com cerca de 10 bilhões de reais sob gestão, fechou uma parceria com o banco suíço Julius Baer.
Apesar de o setor de construção civil ser um dos mais afetados da bolsa, os analistas do Credit Suisse afirmam que algumas ações são bons investimentos para um horizonte de 12 meses. Em relatório enviado a clientes, o banco destacou seus papéis preferidos:
PDG: segundo os analistas do CS, a maior incorporada do Brasil tem uma gestão qualificada, vem apresentando um bom volume de vendas e deve manter uma forte geração de caixa no próximo ano. Após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, que mostram um crescimento tímido de 2% no lucro líquido, o banco adotou uma expectativa conservadora e revisou o preço-alvo das ações da companhia de 11,5 reais para 10 reais até o fim de 2012 – mas isso ainda indica uma valorização de 55% em relação ao preço atual.
MRV: a empresa, segundo o banco, se destaca de seus concorrentes porque tem uma gestão qualificada e focada em baixo custos. A companhia, que é beneficiada pela construção de casas populares do programa popular Minha Casa Minha Vida, também vem apresentando uma forte geração de caixa e conta com uma história sólida de crescimento no setor nos últimos anos. A expectativa dos analistas é que o papel valorize 35%, para 15,5 reais.
Even: de acordo com o relatório, a companhia está bem posicionada para o último trimestre do ano – falta cumprir apenas 30% da meta de lançamentos anunciada para 2011. “A empresa melhorou de forma significativa os seus estoques no terceiro trimestre, reduzindo os riscos de descontos para acelerar as vendas”, escrevem os analistas. O preço da ação em relação ao lucro da empresa (P/L) estimado para 2012 é de 5,3 vezes, um desconto de 15% em relação à média do setor. O preço-alvo é de 10 reais para o fim do próximo ano. Atualmente, a ação da Even é negociada a 6 reais.
Tecnisa: a expectativa dos analistas do Credit Suisse é que a primeira fase do projeto de construção de um megaconglomerado de 30 edifícios com 3 500 apartamentos de 180 metros quadrados, num terreno que pertencia à Telefônica, em São Paulo, seja lançado no primeiro semestre de 2012. O porte do loteamento e da incorporação deverá ter um impacto positivo nas receitas da companhia. O banco espera que a ação da Tecnisa termine o ano que vem valendo 17,50, ou seja, 61% de valorização em relação ao preço atual.
BR Brokers: os analistas do CS dizem que investir nas ações da imobiliária é uma maneira de apostar nesse mercado o sem correr os riscos inerentes às construtoras, como a alta da inflação que pressiona o custo das obras. O banco afirma que a companhia apresenta uma ótima perspectiva operacional, tem margens elevadas e possui potencial de crescimento nos próximos meses, graças ao setor de corretagem que continua aquecido no país. A expectativa de alta das ações para o fim de 2012 é de 67%.
Em 2011, o Índice de Desenvolvimento Imobiliário caiu 25%, enquanto o Ibovespa teve queda de 19%. Nenhuma companhia escapou ilesa – a ação da Gafisa foi a mais castigada, com desvalorização de 55%, enquanto o papel da Even, o menos afetado, caiu 25%.
As ações da CSN e da Usiminas estão entre as maiores baixas da bolsa hoje – os papéis ordinários da Usiminas caíam 6% por volta das 15h30; os preferenciais perdiam 4%, enquanto os da CSN tinham uma desvalorização de cerca de 3%. Ontem, só as ações ON da Usiminas fecharam em queda; as demais subiram.
Uma explicação para o desempenho ruim da Usiminas na bolsa hoje é a falta de confiança de parte dos investidores no novo comando da empresa. “Não conhecemos a capacidade de gestão da Ternium. Será que a Usiminas passará pelas mudanças que precisa passar para melhorar seus resultados?”, diz Wagner Salaverry, diretor do banco Geração Futuro e gestor de um fundo que aplica em ações de siderúrgicas.
No caso da CSN, o motivo da baixa é financeiro: a empresa comprou grandes quantidades de ações da Usiminas nos últimos meses, para tentar forçar sua entrada no bloco de controle da companhia. Perdeu para a Ternium. Agora, pode estar com um mico no balanço. Cabe discussão, dizem alguns analistas, mas é provável que os acionistas minoritários não recebam tag along (parte do prêmio de controle) pago pela Ternium para entrar no bloco de controle da Usiminas. Um relatório do banco HSBC diz que a empresa não tem uma “estratégia clara de saída” — e isso pode prejudicar seus resultados.
Mais de 1 000 funcionários do Magazine Luiza estão perdendo dinheiro com a empresa. Foi esse o número de colaboradores que, segundo informou a assessoria de imprensa da rede de varejo, compraram ações na abertura de capital. Desde a estreia no pregão, em 2 de maio, até agora, os papéis da empresa caíram 38%.
Pouco antes do IPO, em 29 de abril, o Magazine Luiza fez uma campanha intensa com os cerca de 20 000 funcionários da empresa, incentivando-os a comprar ações – a campanha incluiu comerciais na rede interna de televisão (a TV Luiza) e na intranet. Quem comprou as ações recebeu até um bônus de 15% sobre o valor inicial do investimento.
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