A percepção dos líderes europeus ainda é a de que é importante preservar a União Europeia, porque o bloco é um mercado de porte que dá vantagens aos países que o integram. A afirmação foi feita hoje à tarde por Vikram Pandit, presidente mundial do Citi, em entrevista a um pequeno grupo de jornalistas em São Paulo. Para ele, a saída da Grécia da zona do euro é pouco provável, ao menos por enquanto. “É claro que não há certezas, porque qualquer definição depende do processo político, mas não acredito que seja do interesse da Grécia sair”, disse.
Na opinião de Pandit, o custo da saída do bloco para a Grécia – e para outros países europeus – seria alto demais (alguns analistas estimam que as perdas poderiam passar de 1 trilhão de dólares). “Pesquisas mostram que os cidadãos gregos, de forma geral, querem ficar na zona do euro. Esse é um indicador importante. As pessoas veem benefícios, apesar dos problemas”, afirmou. Outra questão importante, segundo ele, é: como os líderes europeus fariam para manter o bloco unido se a Grécia sair.
Pandit também falou sobre os planos do Citi para o Brasil – nada de novo em relação ao que já foi dito, mais de uma vez, por outros executivos do banco. O objetivo central é crescer de forma orgânica, sem aquisições, e direcionar investimentos tanto para o crédito a consumidores, via cartões de crédito, financiamento imobiliário e empréstimos pessoais, como para o segmento de empresas. “A próxima etapa do crescimento da economia brasileira é a expansão da infraestrutura do país, e queremos participar disso”, disse ele.
Sobre o mercado de crédito no Brasil, Pandit afirmou estar avaliando a expansão dos empréstimos “de forma cuidadosa há cerca de três anos, para ver se há lições que podem ser trazidas de outros países para cá”. Uma das conclusões a que chegou é que o mercado brasileiro é muito particular e caracterizado por alguns desequilíbrios. Um exemplo: há um volume grande de crédito ao consumo e pouca oferta de financiamentos imobiliários. “Queremos ver esse mercado se tornar mais uniforme, como ocorre em outros países”, disse. “Ainda não estamos preocupados, mas estamos avaliando os índices de inadimplência, endividamento das famílias e crescimento dos empréstimos. O Citi está numa posição confortável. Mas a situação do sistema depende de outros bancos também”, afirmou.



Giuliana Napolitano é editora da revista EXAME.
Thiago Bronzatto é repórter da revista EXAME.