A presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, despediu-se informalmente do cargo na terça-feira (10/7) ao som de samba e chorinho, na casa noturma Rio Scenarium, na Lapa carioca. Ainda sem um sucessor apontado pelo governo, Maria Helena dividiu as atenções mais uma vez com as especulações em torno da escolha do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Nos corredores da autarquia, um novo nome ganhou força na reta final da corrida: o de Sergio Weguelin, atual superintendente de meio ambiente do BNDES.
Weguelin foi diretor da CVM entre 2004 e 2008, mas passou dez meses do mandato afastado voluntariamente, durante uma investigação sobre uma troca de e-mails dele com um investidor internacional. Ele tornou a correspondência pública após ser alvo de uma denúncia anônima de vazamento de informação sobre um parecer, na época em elaboração na CVM, que influenciou a reorganização societária da Telemar. A investigação da autarquia e uma sindicância do Ministério da Fazenda o inocentaram e ele voltou ao cargo, mas ficou marcado pela suspeita, especialmente porque teria recebido pouco apoio dos outros membros do colegiado da CVM, presidido na época pelo advogado Marcelo Trindade e com Maria Helena entre os diretores.
O surgimento do nome de Weguelin, funcionário de carreira do BNDES, animou os servidores da autarquia, que não têm boa relação com a atual presidente e são contra a nomeação de outro egresso da BM&F Bovespa. O diretor Otavio Yazbek, até agora apontado como favorito na sucessão, é ex-funcionário da bolsa assim como Maria Helena. De qualquer forma, ele deve assumir o posto de xerife do mercado de capitais pelo menos interinamente, até que a futura indicação de Mantega seja aprovada pelo Senado. Além de um nome técnico com experiência no colegiado da CVM, o que agrada ao mercado, a nomeação de Weguelin serviria como uma reabilitação decisiva da reputação dele. Ele contaria ainda com o apoio do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, um influente conselheiro da presidente Dilma Rousseff e defensor do estímulo ao mercado de capitais como forma de aumentar as fontes de financiamento de longo prazo para investimentos das empresas, uma das principais preocupações do governo.
Outro candidato forte na disputa é Marcos Pinto, também ex-diretor da autarquia, que atualmente é sócio da Gávea Investimentos. Os nomes dos diretores da Bovespa Carlos Alberto Rebello e Cristiana Pereira perderam força nos últimos dias, assim como o da diretora da CVM Luciana Dias, considerada ainda jovem e inexperiente para o cargo. A advogada Ana Novaes, que também era cotada, acabou de assumir a quinta vaga da diretoria da autarquia, que estava aberta desde janeiro. Os quatro diretores e o presidente da CVM são os juízes da instituição para punir crimes financeiros. (Alexandre Rodrigues)


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