Dois em cada três profissionais aceitariam trabalhar no exterior | EXAME.com
São Paulo
Germano Luders
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Dois em cada três profissionais aceitariam trabalhar no exterior

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Segundo um estudo do The Boston Consulting Group (BCG), uma das principais consultorias de gestão do mundo, e da The Network,  uma aliança global dos 50 principais sites de recrutamento, quase dois em cada três candidatos a emprego dizem que estariam dispostos a mudar para o exterior para trabalhar.

Principalmente em países que ainda estão em desenvolvimento econômico ou estão passando por instabilidade política, a quantidade de pessoas que querem trabalhar no exterior é particularmente elevada. Mas há também uma grande disponibilidade para se trabalhar no exterior em alguns países que não têm esses desafios. Por exemplo, mais de 75% dos entrevistados na Suíça, mais de 80% dos entrevistados na Austrália, e mais de 90% dos pesquisados na Holanda dizem considerar a mudança para outro país para trabalhar, de acordo com o relatório Decoding Global Talent: 200,000 Survey Responses on Global Mobility and Employment Preferences.

O BCG e a The Network pesquisaram candidatos a emprego em 189 países para saber quais os fatores que os motivam e quais os países eles considerariam para a mudança. Também foram realizadas entrevistas com mais de 50 participantes da pesquisa, incluindo engenheiros, médicos pesquisadores, gerentes de projeto e funcionários do governo. Estas entrevistas trazem uma dimensão humana aos números e oferecem uma visão adicional sobre o que os trabalhadores de hoje estão procurando, incluindo os 64% que dizem que estariam dispostos a deixar o lugar que vivem e começar de novo em um novo país.

“Este é um mundo em que as barreiras geográficas para o emprego estão caindo, inclusive nas mentes de alguns dos trabalhadores mais talentosos e altamente qualificados”, diz Rainer Strack, sócio sênior do BCG e um dos quatro coautores do relatório. “Isso está abrindo oportunidades significativas para profissionais e para os muitos países e empresas multinacionais que estão enfrentando escassez de talentos de um tipo ou de outro.”

Os EUA é o destino preferido da mão de obra estrangeira, visto como atraente por 42% das pessoas que procuram emprego no estudo. Outros dois países de língua inglesa chegaram próximos aos resultados dos EUA: Reino Unido e Canadá foram citados por 37% e 35% dos entrevistados, respectivamente. A maioria dos outros locais citados entre os dez melhores destinos para se trabalhar, são países europeus que têm economias fortes, atrações culturais famosas ou ambos.

“As pessoas nunca fazem suas escolhas de carreira estritamente com base no que acontece quando elas estão no trabalho”, diz Mike Booker, diretor administrativo da The Network e um dos coautores do relatório. “Há sempre um cálculo implícito de como o trabalho lhes permitirá aproveitar seu tempo livre. A diferença é que hoje, com um ambiente de trabalho mais móvel, os trabalhadores vêm considerando as possibilidades de emprego fora de seus países de origem.”

Uma das descobertas mais significativas do estudo Decoding Global Talent tem a ver com o que faz as pessoas se sentirem motivadas no ambiente de trabalho – mas isso não se refere apenas aqueles dispostos a trabalhar fora do país de origem, mas pessoas em qualquer lugar. Apesar de o dinheiro continuar tendo um peso importante, o estudo fornece fortes evidências de que as recompensas intrínsecas deixaram no passado os que levam considerações estritamente financeiras como o determinante para a satisfação no trabalho. A grande maioria dos entrevistados citou o apreço pelo seu trabalho como sua prioridade número um. Outros dois fatores comentados foram as boas relações com colegas e a boa relação entre vida pessoal e trabalho.

Outras conclusões do  Decoding Global Talent:

• Embora os europeus ocidentais estejam frequentemente agrupados, a vontade de trabalhar no exterior varia significativamente entre os países. Na Grã-Bretanha e na Alemanha, apenas 44% dizem que estariam dispostos a trabalhar fora do país de origem. Isso é menos da metade do número de holandeses que estão dispostos a se mudar para trabalhar e consideravelmente abaixo da vontade dos suíços

• A profissão tem uma grande influência sobre a mudança. Pessoas que trabalham em engenharia e trabalhos técnicos são os mais propensos a considerar um emprego fora do país. Aqueles que trabalham em áreas mais fortemente regulamentadas, como o trabalho social e medicina, são os que menos tendem a se mudar.

• A idade tem um grande impacto sobre o que os trabalhadores procuram no local de trabalho. Trabalhadores na faixa dos 20 anos se concentram no desenvolvimento de carreira. Na faixa dos 30 anos, o foco passa a ser o equilíbrio na relação trabalho e vida pessoal. Quando chega aos 40, o profissional coloca as responsabilidades familiares como prioridade. Conforme as pessoas envelhecem, esses fatores desaparecem em importância e a satisfação com o trabalho passa a ter um significado adicional para a maioria dos trabalhadores.

• Em países com renda per capita alta, a vontade de trabalhar no exterior é geralmente ligada a fatores experienciais, não econômicos. Essa é uma realidade para quem trabalha na Suíça, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, os quais são analisados isoladamente e aparecem on-line juntamente com Decoding Global Talent.

• Quem deseja ser expatriado não pensa apenas em termos de países; eles pensam em termos de cidades, sendo que Londres é o destino preferido, seguido de Nova Iorque e Paris. Como um candidato a emprego turco diz no relatório, “Se você perguntar a um jovem neste país, ‘Aonde você quer ir no Reino Unido?”, eles nunca dirão Liverpool ou Manchester. Todos dizem Londres por causa da harmonização cultural.”

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