5 mitos dos investimentos | EXAME.com
São Paulo
Germano Luders
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5 mitos dos investimentos

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Na hora de investir surgem diversas dúvidas, principalmente algumas que derivam de mitos financeiros que ainda nos dias atuais são considerados verdadeiros. O economista Richard Rytenband analisou alguns desses mitos e desmistificou algumas crenças sobre eles:

1. Caderneta de poupança é o investimento sem risco.

Um investimento só é interessante quando gera um retorno acima da inflação, ou seja, aumenta o poder de compra do investidor. Além de produzir um retorno real (quando descontada a inflação) negativo em muitos anos, temos o episódio do Plano Collor de 16 de março de 1990 quando as cadernetas de poupança que excedessem a NCz$ 50 mil (cruzados novos) foram congelados por 18 meses.  No caso da poupança há sim o risco de perda de poder aquisitivo e um histórico de confisco.

2. As Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) por serem títulos públicos federais e pós-fixadas não apresentam volatilidade.

Até hoje alguns especialistas acreditam nisso. Durante o processo eleitoral de 2002 com a desconfiança sobre os rumos da política econômica do então candidato Lula além da disparada do dólar, queda da bolsa de valores, o mercado de renda fixa também sofreu abalos, principalmente os títulos públicos. A Letra Financeira do Tesouro é um título pós-fixado, mas negociado com um pequeno deságio, durante este período com uma aversão por estes títulos o deságio aumentou bruscamente, afetando negativamente a cotação de mercado. A grande maioria dos fundos de investimentos em renda fixa “conservadores” possuíam estes títulos em suas carteiras, mas não estavam adotando a metodologia de marcação a mercado, ou seja, a queda não estava refletida no valor das cotas. O agravamento das perdas e as solicitações de resgate por parte dos investidores mais bem informados obrigou o Banco Central a exigir a marcação a mercado. E de um dia para o outro fundos conservadores amanheceram com perdas de cerca de 5%!

3. Imóvel é um investimento seguro e dificilmente cai de preço.

Assim como em qualquer ativo o preço dos imóveis é cíclico, há ciclos de alta e baixa. Um bom exemplo é o ciclo de baixa do início do Plano Real até meados de 2008. Muitos desconhecem este ciclo graças a chamada ilusão monetária, enquanto os preços dos imóveis pouco se valorizaram nesse período, a inflação acumulada aumentou significativamente. Um bom exemplo foram os apartamentos em diversos bairros de São Paulo que do início do Plano Real até o começo de 2008 apresentavam rentabilidade real negativa de até 40%!

4. Investir em renda fixa é seguro e não tem riscos.

Virou quase um mantra dos investidores conservadores afirmar que só investem em renda fixa. E o argumento apresentado é que não há riscos envolvidos.  O investidor de renda fixa deve ter a consciência de 3 riscos básicos, o de crédito, mercado e liquidez. O de crédito diz respeito ao emissor do título não honrar o pagamento, o de mercado que o preço do título pode oscilar e o de liquidez que pode ser ou não difícil negociar este título junto ao mercado. Estes foram apenas alguns exemplos de mitos de investimentos, há centenas de outros, que sem exceção apenas dificultam a já difícil tarefa de investir.

5. Em um cenário de inflação elevada os títulos indexados à inflação são sempre o melhor investimento.

Pelo contrário, o recente episódio com as Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) mostrou justamente o contrário. Em um cenário que o mercado precificava taxas de juros reais próximas a 3% ao ano, a cotação destes títulos atingiram um patamar elevado, despertando a atenção dos investidores. Mas a partir do momento que o mercado passou a precificar um ciclo de aperto monetário, estes títulos foram duramente penalizados com a exigência de taxas de juros reais cada vez maiores, em alguns casos ultrapassando 7% ao ano.

 

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