15.03.2012 - 12h03

Distribuidora de aço investe em fábrica de peças para o pré-sal

O Grupo Sacchelli, conhecido pela distribuição de aço bruto, vai investir 26 milhões de reais em uma nova empresa para a fabricação de peças para o setor de óleo e gás. No início do segundo semestre, será oficializado o lançamento da Sacchelli Energia, que será instalada num espaço de 15 000 metros quadrados no bairro da Vila Santa Teresa, em São Paulo, próximo à Rodovia Anchieta. O objetivo é disputar com companhias internacionais o fornecimento para a promissora indústria que está sendo criada ao redor do pré-sal. No ano passado, 3,5 bilhões de dólares em investimento estrangeiro foram direcionados para o setor de petróleo. A estimativa é que a modernização da cadeia de fornecedores e da prestação de serviços demandará 80 bilhões de dólares em investimento até 2019 (a reportagem completa sobre o crescimento do investimento direto estrangeiro no Brasil está na edição 1 011 da EXAME). A Sacchelli Energia, porém, não quer ficar restrita apenas a fornecer para empresas de óleo e gás. Dos quatro executivos contratados recentemente, dois foram trazidos da Petrobras e outros dois vieram de empresas do setor elétrico. “Queremos aproveitar também o crescimento do fornecimento de peças para as hidrelétricas, um mercado específico que exige conhecimento”, diz Wagner Sacchelli, diretor superintendente do Grupo Sacchelli.

07.03.2012 - 13h06

Minoritários não aceitam oferta para fechar o capital da Net

O grupo mexicano Telmex informou na terça-feira, 6, as condições para fechar o capital da empresa de tevê a cabo Net. Em janeiro, a Agência Nacional de Telecomunicações autorizou a Telmex a apresentar uma solução para adquirir a parte do grupo Globo e dos acionistas minoritários na Net – os mexicanos também controlam a Embratel no país. O problema é que a proposta foi recebida como oportunista pelos pequenos investidores. O controlador quer pagar 26,04 reais por ação – o papel fechou cotado a pouco mais de 25 reais na Bovespa na terça-feira, 6. Para um grupo de minoritários que detém um terço das ações em circulação, uma oferta abaixo de 36 reais não remunera o custo dos investidores. Eles não aceitaram a oferta e vão evitar o fechamento de capital.

Em 2010, a Telmex ofereceu 23 reais por ação num processo semelhante de fechamento de capital. Na época, a Anatel não autorizava o controle de grupos estrangeiros em companhias de distribuição de conteúdo. Com a mudança na legislação no segundo semestre do ano passado, a Telmex pode retomar o seu plano original de retirar a Net da bolsa de valores. Para chegar à proposta atual de 26,04 reais para os minoritários, a empresa corrigiu o valor original pelo CDI sem acrescentar os ganhos conquistados no período, como o aumento de 35% da receita bruta. “A controladora quer nos forçar a vender as ações”, diz Guilherme Vicente, da Mauá Sekular, gestora de fundos de investimento que está entre o grupo interessado.

24.02.2012 - 15h53

Americanos implodem ponte igual à Hercílio Luz

O departamento de transportes do estado americano de Ohio demoliu na terça-feira, 21 de fevereiro, a Fort Steuben Bridge. A ponte, que serve a cidade de Steubenville, no centro-oeste dos Estados Unidos, tem características semelhantes à ponte Hercílio Luz, de Florianópolis. As duas foram inauguradas na década de 1920 e têm estruturas de aço com bases de concreto – características das chamadas de ponte pênsil. A diferença entre elas estava no tempo de interdição. Enquanto a Hercílio Luz está fechada há 30 anos, a Steuben foi bloqueada em 2009. Técnicos americanos concluíram em três anos que a estrutura da ponte estava deteriorada e obsoleta. Os riscos e os custos de manutenção não compensavam. A implosão custou 2,3 milhões de dólares.

Na edição 1 008 da EXAME, a coluna Só no Brasil mostrou os problemas com as inúmeras tentativas de recuperar a Hercílio Luz. Desde 1982 o governo catarinense gastou mais de 350 milhões de reais em reformas mal feitas e projetos inacabados. A estimativa é que serão necessários mais 180 milhões de reais para que a Hercílio Luz seja reaberta em 2014. Em Santa Catarina, a notícia da implosão da Fort Steuben Bridge estava entre os assuntos mais lidos e comentados do jornal Diário Catarinense. Você poder ver o vídeo aqui: Demolição da Fort Steuben Bridge.

13.02.2012 - 16h31

Empresas brasileiras vão debater concorrência na América Latina

O Etco, instituto criado há nove anos para divulgar práticas leais de concorrência entre empresas, vai levar o debate sobre sonegação fiscal, pirataria e contrabando para os principais países da América Latina. As multinacionais associadas à organização – Ambev, Coca-Cola, Pepsi, Microsoft, Souza Cruz entre outras – serão a porta de entrada na região. É provável que um evento capitaneado pelo Etco aconteça em dois meses. O tema e o primeiro país que receberá o seminário estão em fase final de estudo. Num primeiro momento, a abertura de escritórios está descartada. O crescimento da economia brasileira e o aumento da influência das empresas nacionais nos países vizinhos levaram o Etco a decidir espalhar o conceito dos prejuízos da concorrência desleal. É a primeira vez na história de quase uma década da organização que a ética concorrencial será discutida, por iniciativa de brasileiros, fora do Brasil. No ano passado, a Receita Federal destruiu 5 200 toneladas de mercadorias como cigarros, bebidas e medicamentos apreendidas por contrabando ou falsificação. O valor total estimado para os produtos era de 246 milhões de reais.

03.02.2012 - 17h04

Grupos brasileiros ganham nova chance em licitação do metrô carioca

A entrega de propostas para o fornecimento de 60 trens para o Metrô do Rio de Janeiro, que deveria ter sido feita na Secretaria de Transportes do Estado na quinta-feira, dia 2, foi prorrogada para 27 de fevereiro. A razão alegada para o adiamento é que haveria um erro no edital. Fontes do setor ferroviário, porém, avaliam que o verdadeiro motivo é outro: a falta de interesse de grupos brasileiros teria motivado o governo fluminense a dar mais alguns dias para atrair mais concorrência à licitação.

Nos bastidores, dava-se como certa a vitória de algum grupo chinês – o consórcio China National Machinery venceu a primeira disputa realizada há dois anos para a entrega de 30 trens. Empresas brasileiras teriam desistido de participar da nova etapa pela falta de condições para competir com o baixo preço dos asiáticos. Com o adiamento, o governo espera que os brasileiros possam formar grupos e reunir condições financeiras para tentar fabricar as composições com mão de obra nacional.

19.01.2012 - 18h45

Gela. Mas não conserva

A redução de impostos para incentivar a venda de geladeiras, em vigor desde dezembro, contemplou apenas produtos considerados classe A, aqueles que consomem menos energia. A medida é bem-intencionada, porém, evidencia o quanto o Brasil está atrasado em termos de conservação energética. A última revisão dos índices mínimos de eficiência aconteceu em 2007. Hoje, 60% das geladeiras vendidas no país são classe A.  Mesmo assim, de acordo com um estudo da Unicamp, os padrões de eficiência dos refrigeradores no Brasil são 15% inferiores aos da Califórnia – estado americano que é referência em conservação de energia e adota regras rígidas desde os anos 70. Lá, a obsessão por poupar eletricidade tornou o consumo per capita 40% menor que a média americana. Se o Brasil adotasse os mesmos padrões, somente com geladeiras e freezers economizaria o equivalente ao consumo anual de uma cidade de 11 milhões de habitantes. A estatal Eletrobras, que faz a revisão dos patamares de eficiência no país, promete novos índices mínimos para esses eletrodomésticos até o fim de 2012.

04.01.2012 - 16h45

Após Estados Unidos e Europa, etanol fará lobby na Ásia

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar quer levar o etanol brasileiro para o mercado asiático. A Unica, como é conhecida a organização dos produtores de açúcar e etanol, planeja estreitar o relacionamento com os países daquele continente neste ano. A ideia é montar um escritório ou buscar uma parceria na Ásia para divulgar o biocombustível brasileiro. Atualmente, a entidade tem representantes em Bruxelas e Washington. China e Japão ocupam a segunda e a terceira posições entre as maiores frotas mundiais de veículos. Somente os chineses compraram 16,8 milhões de carros de janeiro a novembro de 2011. O Brasil comercializou 3,4 milhões de unidades em todo o ano passado – um recorde para nós.

Os passos da Unica, porém, devem ser mais cautelosos do que foram nos Estados Unidos. Nos últimos anos, os representantes da organização concentraram os esforços no lobby pelo fim dos subsídios ao etanol derivado do milho no maior mercado global, que constituía na prática uma barreira ao etanol brasileiro, de custo mais baixo. A pressão deu certo (reportagem aqui), mas o momento do setor sucroalcooleiro no Brasil é delicado. A produção de cana de açúcar caiu nos últimos dois anos e a indústria precisa de pesados investimentos para conseguir atender a demanda do mercado externo. O país exporta 1,5 bilhão de litros de etanol de uma produção de 25 bilhões por ano.

02.01.2012 - 14h50

Sucesso olímpico brasileiro deve aparecer a partir de 2020

Os ingleses investiram quase 1 bilhão de dólares para incentivar jovens de 16 a 19 anos a praticar esportes. Mais de 900 mil interessados chegaram a participar do projeto que começou em 2006, ou seja, cinco anos antes da Olimpíada que terá início em Londres no dia 27 de julho. O objetivo, porém, não é ter o melhor desempenho do país na história dos Jogos neste ano. Os ingleses querem aproveitar o clima olímpico para formar uma nova geração de campeões. Se o legado da construção das arenas está em constante discussão (como você pode ler na edição da EXAME – Ideias, Líderes e Produtos 2012 – que está nas bancas), os cuidados com o futuro esportivo inglês não terminam na festa de encerramento de 12 de agosto. No Brasil, a falta de uma clara política esportiva poderá frustrar o sonho brasileiro de se transformar em uma potência a partir de 2016. “A Olimpíada no Rio de Janeiro deve ser o início de uma nova fase esportiva no país”, diz José Carlos Brunoro, sócio fundador da Brunoro Sport Business.

Quando será possível medir o resultado da Olimpíada no Rio de Janeiro?

Brunoro - O maior problema será medir o sucesso dos Jogos de 2016 pelo número de medalhas conquistadas. O resultado vai aparecer em 2020 ou 2024. O Brasil precisa evoluir esportivamente e não utilizar a Olimpíada no próprio país para atingir o pico de conquistas olímpicas. Um atleta não se forma do dia para a noite. Ele precisa de investimento e de uma lição de casa bem feita.

Qual é a lição de casa que falta ao Brasil?

Brunoro - A Olimpíada é um evento pós-Olimpíada. O Brasil precisa estar preparado para transformar essa experiência única e se tornar um país multiesportivo. As confederações precisam trabalhar mais e aproveitar esse canal olímpico para tornar suas modalidades conhecidas. É dessa maneira que a prática pode ser popularizada com diversidade, ou seja, ir além do futebol e do vôlei. O legado da prática muda um país.

Mas como aproveitar esse ciclo olímpico?

Brunoro - É fundamental criar núcleos de excelência em todo o país. É preciso pensar a respeito, mas tenho dúvidas se isso está acontecendo.

Falta uma política esportiva ao país?

Brunoro - Sim, é preciso unir esforços. O Ministério da Educação, por exemplo, tem que ser mais participativo: levar o tema para as escolas e tornar a prática da educação física obrigatória. Não estou enxergando isso até o momento. As entidades esportivas também não estão se preparando para o período pós-olimpíada. Isso é grave.

20.12.2011 - 11h11

O potencial do Brasil é ser o próximo Oriente Médio

Edward Dineen trabalhou por mais de 20 anos na indústria do petróleo. Desde o início de 2011, ele trocou o combustível fóssil pelo renovável. Dineen é o presidente da LS9, empresa americana especializada no desenvolvimento de biotecnologia para a produção da energia alternativa, como o etanol. Em meados deste ano, a LS9 abriu um escritório no país de olho no crescimento do biocombustível. “O Brasil é um grande mercado que está na fase de desenvolvimento” diz Dineen, que fica no escritório central da empresa em São Francisco, nos Estados Unidos.

Qual é o potencial da bioenergia brasileira?

O potencial do Brasil é ser o próximo Oriente Médio no biocombustível. Há um grande espaço para aumentar a produção de cana de açúcar. O país é líder em produção atualmente. A tecnologia pode ajudar no desenvolvimento da terra e de novas espécies. São pontos importantes para o país aumentar a produção de etanol nos próximos 20 anos.

É possível converter o mundo para o etanol?

Levará um longo tempo para o biocombustível ter impacto global. O mundo ainda é altamente dependente de petróleo. Mas o que o Brasil está fazendo com o etanol é um grande exemplo para substituir a gasolina. Na área de químicos é mais simples do que nos combustíveis.

A burocracia brasileira atrapalhou a abertura da empresa?

A burocracia brasileira não é única no mundo. Cada país tem o seu desafio. Na China e em algumas partes da Europa é preciso entender quais são os pontos chave para a abertura de um negócio. É por isso que um time local pode ajudar.

01.12.2011 - 17h13

Supercade é aprovado com problemas

 Até a manhã desta quinta-feira (1º), Brasil, Paquistão e Egito formavam um grupo peculiar de países que avaliavam a possibilidade de concentração de mercado após a formação de uma joint venture ou de uma fusão. Essa característica de análise posterior ao negócio criou problemas que se tornaram clássicos. A união entre Nestlé e Garoto foi rejeitada pelo Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência após dois anos de atividade conjunta. Com a criação do Supercade (veja matéria aqui), o país passa a avaliar uma aquisição antes que os negócios passem a ser um só.

Mas o processo de defesa da concorrência continua turbulento. Com mais de 700 operações em 2011, 95% das análises feitas pelo Cade não trazem nenhum aspecto relevante ou que se revelam prejudiciais à economia. São os chamados casos simples, que devem ter um prazo curto de análise. O problema é que o simples pode ter se tornado complexo no texto final aprovado pela presidente Dilma Rousseff. O prazo intermediário de 20 dias úteis para esse tipo de situação, que estava na proposta inicial, foi retirado. Agora, grandes e pequenos negócios têm o mesmo limite de tempo: 240 dias. Com um acréscimo de 90 dias para os grandes casos. Nos Estados Unidos, a espera inicial é de 30 dias. “A análise tem que ser rápida e não pode frear a economia”, diz Ana Paula Martinez, sócia do escritório Levy & Salomão e ex-diretora do Departamento de Proteção e Defesa Econômica.

Outro veto importante praticamente descaracteriza a necessidade de cumprir prazos. Anteriormente, as empresas podiam concretizar o negócio se o órgão responsável pela defesa da concorrência não avaliasse o processo no período de um ano – o que segue a média internacional de avaliação. No Supercade, a fusão só acontece após a assinatura do órgão. “Não existe mais a pressão de aprovar ou vetar o ato de concentração em até 330 dias, que é bastante razoável”, afirma Lauro Celidônio, sócio do escritório Mattos Filho. “Qualquer atraso de avaliação prejudicará as empresas.”