Ganhou força em Brasília a possibilidade do trecho sul do decantado Ferroanel de São Paulo ser incluído no novo pacote do bem que a presidente Dilma Rousseff deve anunciar na próxima quarta-feira, 15 de agosto. A União e o governo paulista estiveram reunidos nas últimas semanas e estariam próximos de destravar um dos maiores gargalos ferroviários do país: a travessia de trens de cargas pelo centro da cidade de São Paulo. A surpresa é justamente a escolha pela concessão do trecho sul do Ferroanel e não do trecho norte, que é considerado mais atrativo economicamente pelas empresas concessionárias. Segundo estudos feitos por elas, faltaria carga para pagar o investimento caso seja escolhido o trecho sul. Nesse caso, parte do custo teria de ser bancado por dinheiro público.
Mas o governo estadual parece ter convencido o governo federal da importância de privilegiar o trecho sul. Para satisfazer o setor privado, um dos atrativos seria a construção de um parque intermodal na rodovia dos Imigrantes. Ali, cargas de caminhão poderiam ser transferidas para a ferrovia. Outro ponto que agradou a União é a rapidez para o início das obras. Parte das licenças ambientais está adiantada desde a construção do Rodoanel. O investimento pode ser da ordem de 1 bilhão de reais. Em um modelo cogitado, a concessionária ficaria com o controle da ferrovia e cobraria direito de passagem de outras operadoras privadas. Hoje, ALL e MRS têm linhas que chegam até a Baixada Santista.
A concessão de mais ferrovias está entre as grandes promessas do governo Dilma para tentar destravar o crescimento da economia brasileira. O pacote pode incluir transferência ao setor privado de linhas já existentes, como trechos da ferrovia Norte-Sul, e construção de novos ramais, como o Ferroanel.


