Investindo em uma nova realidade

O mercado financeiro está mudando e estamos próximos de cruzar uma importante "fronteira psicológica" nos investimentos.

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Quero começar este artigo com um “comentário anedótico”. Em 2012, quando a taxa Selic chegou aos seus níveis mais baixos em anos recentes, houve uma “explosão” nos meus serviços de consultoria financeira a indivíduos e famílias (algo que eu já não faço mais). Os meus clientes tinham um perfil muito bem definido: Um patrimônio, normalmente, entre cem mil e três milhões de reais. Ou seja, gente “com grana”, mas não o suficiente para serem clientes de um private bank “típico”.

Eram pessoas, geralmente, cultas. Algumas não entendiam muito de finanças, mas tinham uma percepção de que “algo estava errado”. Os rendimentos estavam caído e coisas como os custos dos investimentos (frequentemente negligenciados) começavam a ficar evidentes. Muitos fundos e outros investimentos populares começaram a dar retornos reais negativos.

As pessoas começaram a buscar ajuda profissional, pois perceberam que precisariam “se sofisticar” e adotar novas estratégias. Pior: não faziam isso para “ganhar mais”, mas sim para tentar salvar os níveis de renda com os quais estavam acostumadas.

Bem, no momento em que eu escrevo este texto, há um certo consenso entre analistas e profissionais de mercado que, na próxima reunião do COPOM (no mês que vem), a taxa Selic deve sofrer um corte de um ponto percentual (indo dos atuais 9,25% para 8,25% a.a.). Se esse corte vai se concretizar eu não sei, mas, se isso acontecer, será um evento com um certo “impacto psicológico”, pois vai acionar aquele “gatilho” da Caderneta de Poupança (criado, justamente, em 2012, quando as taxas foram até 7,25% a.a.), que fará com que o retorno fixo de 0,5% ao mês passe a ser 70% do equivalente mensal da Selic. Ou seja, baseado no que vi em 2012, não vou me surpreender  se alguns investidores começarem a “surtar” e a procurar, desesperadamente, ajuda para manter seus rendimentos em níveis (considerados por eles) aceitáveis.

Eu já venho insistindo, aqui no blog, que, com as nossas taxas de juros caminhando rumo àquilo que se pratica em países “normais” (e olha que ainda estamos longe…), os investidores brasileiros precisão redefinir seus conceitos de “investidor agressivo” e “investidor conservador”.

Aquilo que é hoje “extremamente agressivo” poderá ser o “conservador” de amanhã, e isso sem NENHUMA garantia de que se conseguirá manter os níveis de ganhos atuais. Não vai mais dar para ter aquela visão simplista de que “renda fixa é conservadora e renda variável é agressiva”.  As pessoas precisarão aprender, “na marra”, que existe renda fixa conservadora e agressiva, assim como existe renda variável conservadora e agressiva…

Ganhar dinheiro de forma “tranquila”, no mercado financeiro, se tornará algo cada vez mais difícil e desafiador, e os investidores precisarão adotar uma postura mais proativa, investindo não apenas o dinheiro, mas também investindo em sua “formação de investidor”. E isso vale tanto para investidores iniciantes quanto aqueles experientes, porém “viciados, que precisarão desaprender muito do que aprenderam e, ao menos em alguns pontos, recomeçar do zero.

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