“Mulher-Maravilha”: os recordes e as crises diplomáticas

Filme da super-heroína é blockbuster em todos os sentidos: elenco estrelado, diretora aplaudida e orçamento nada modesto

76 anos depois da sua estreia, a super-heroína “Mulher-Maravilha” finalmente parece ter ganhado um filme digno do seu brilho. É um verdadeiro blockbuster em todos os sentidos: elenco estrelado, diretora aplaudida, orçamento nada modesto (150 milhões de dólares) e uma estratégia agressiva de marketing.

Tratando-se de DC Comics, nada disso é prova de que o filme é bom. Basta lembrar dos fracassos “Esquadrão Suicida” e “Batman vs. Superman”. E, para deixar claro: eu ainda não assisti ao “Mulher-Maravilha”. Na realidade, não sou fã de filmes de super-heróis, com exceção dos filmes do Batman e especialmente os dirigidos por Christopher Nolan.

Ainda assim, fiquei intrigada em abrir uma nova exceção para essa produção pela curiosidade de ver uma megaprodução protagonizada por uma super-heroína e pelos recordes que ela está quebrando.

E não só. Se você, como eu, ainda não assistiu, veja só a lista mental que transcrevi aqui no blog e que vem me convencendo a abrir um espaço na agenda para ver essa princesa guerreira no cinema:

Mulheres no comando

Eu posso não ser uma fã de filmes de super-heróis, mas, verdade seja dita, é dificílimo ver uma produção desse tipo em que as mulheres estejam no centro das atenções.

Isso é um pouco perturbador quando lembramos que outros super-heróis (Batman e Super Homem, por exemplo) já foram tema de dezenas de filmes e que a última vez que tivemos uma super-heroína como protagonista foi em 2005, com “Elektra”, de Rob Bowman e estrelada por Jennifer Garner.

O combo de “Mulher-Maravilha” é, felizmente, revigorante. Além da personagem principal, Diana (Gal Gadot), temos uma mulher também na direção, Patty Jenkins, diretora de “Monster: Desejo Assassino” (2003), que deu à Charlize Theron o Oscar de melhor atriz.

Recordes, recordes

Em cartaz já há pouco mais de uma semana, “Mulher-Maravilha” se tornou o filme dirigido por uma mulher com a maior bilheteria já vista em uma estreia. Arrecadou nada mais, nada menos que 103 milhões de dólares, desbancando “50 Tons de Cinza” (2015), que ocupava o topo desse ranking até então.

Além de recorde, essa conquista é um belo de um golaço para a diretora Patty e para as mulheres da indústria cinematográfica. Mais uma vitória depois do Festival de Cannes, que neste ano escolheu, pela primeira vez em cinco décadas, uma mulher para o prêmio de melhor direção, Sofia Coppola.

“Piratas do Caribe” comeu poeira

Antes um título frequente nas listas de mais vistos e mais bem-sucedidos, o último filme da saga “Piratas do Caribe”, “Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar”, foi passado para trás pela poderosa Mulher-Maravilha. No Brasil, a produção estrelada por Johnny Depp amargou 575 mil ingressos vendidos, enquanto a história da amazona bateu a marca de 1,3 milhão.

Críticas interessantes

Quem me acompanha aqui no blog sabe que eu não costumo ler críticas antes de assistir a um filme. Gosto de manter a surpresa e às vezes arrisco sem nem sequer ter lido a sinopse do começo ao fim.

Isso não impede, é claro, uma olhada geral nas críticas para capturar o espírito da recepção de qualquer produção. E com “Mulher-Maravilha” tem sido a mesma coisa, mas os meus sites favoritos trataram desse filme muito bem.

No Rotten Tomatoes, está com pontuação de 92%, comparável à obtida por “Logan” (2017), filme elogiadíssimo. Já no CinemaScore, está com nota “A”.

No Brasil, minha amiga Beatriz Blanco, do site Bonus Stage, fez um vídeo muito legal sobre“Mulher-Maravilha”. Quem preferir ter mais informações sobre o filme antes de ir assistir, pode conferir as suas impressões aqui.

Nem tudo é glória

“Mulher-Maravilha” está sendo boicotado em alguns países árabes. No Líbano, por exemplo, o filme foi banido dos cinemas depois de uma campanha ferrenha por um grupo anti-Israel, e, na Tunísia, teve a sua exibição suspensa. Isso por que a atriz principal, Gal, é israelense e fez parte das forças armadas do país.

Além disso, ela já criticou publicamente o grupo palestino Hamas e demonstrou seu apoio para as Forças de Defesa de Israel, país com quem o Líbano tem uma relação tensa.

“Nos recusamos a normalizar a relação com o inimigo”, disse um dos envolvidos no boicote ao filme no Líbano. “Não falo de desentendimento político, mas de resistência contra a ocupação”, afirmou ele em entrevista ao site CNN Money.

Depois de considerar tudo isso, a minha posição é a de que o filme vale o ingresso. Agora, se “Mulher-Maravilha” irá atingir as expectativas ou não é tema para um próximo post.

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