E quem não quer ser feliz?

Essa matéria é pra quem quer descobrir o que é Felicidade na visão da ciência, psicologia, sociedade e do budismo.

Além da motivação, a felicidade também tem sido um dos nossos principais temas de estudo. Mesmo sendo um assunto que pode parecer subjetivo, muitas teorias sobre a essência da felicidade foram criadas ao longo do tempo por biólogos, psicólogos, filósofos, religiosos, artistas, etc e até hoje continuam surgindo novos caminhos para explorá-la. 

Esses dias, terminando a leitura do livro Sapiens – Uma breve história da humanidade (Yuval Noah Harari), encontrei um capítulo inteiro sobre felicidade. Nele, o historiador Harari, traz além de suas próprias reflexões sobre o tema, pesquisas, o ponto de vista de cientistas, psicólogos e também uma visão budista muito interessante. Resumi aqui os principais insights que tive durante a leitura para compartilhar com você:

  • Ciência

O que é felicidade para um cientista tem muito a ver com uma série de reações químicas que ocorrem dentro do nosso corpo. Biólogos por exemplo, pesquisam os mecanismos cerebrais que comandam a produção e distribuição de substâncias responsáveis por gerar sensações de prazer e bem estar. 

Que áreas do cérebro se ativam e como trabalham quando algo bom nos acontece? Na ciência perguntas não faltam, mas a visão sobre a felicidade está mais em uma mecânica de funcionamento do organismo, do que em falar sobre o que a origina.

  • Psicologia 

Se falarmos sobre o ponto de origem, talvez a psicologia nos ajude a enxergar um outro ângulo dessa história. A análise aqui é dos comportamentos, relações sociais, familiares, realizações pessoais, conquistas de objetivos profissionais, sistemas de recompensa e expectativas. São muitas as possíveis fontes do que nos faz felizes, assim como são várias as barreiras para isso. Mas nada supera o fato de que cada pessoa tem uma reação completamente diferente da outra diante de situações muito parecidas. Acho que isso é o que torna difícil a definição de um caminho “certeiro” para a felicidade.

  • Sociedade

Acredito que no âmbito social, as novas gerações estão associando felicidade com o sentimento de utilidade; vejo que querem realizar o trabalho dos sonhos e buscar maneiras de dar sentido à própria vida. A ideia é conquistar socialmente alguma relevância, achar um meio para contribuir com o planeta em que vivemos e não passar despercebido por essa existência.

Quando fizemos a volta ao mundo pesquisando o que motiva as pessoas, esperávamos ouvir mais vezes que dinheiro ou bens materiais fossem uma fonte de motivação, mas não foi o que aconteceu. Ouvimos muito mais respostas sobre buscar ser melhor a cada dia, realizar seus sonhos e ter um propósito. Uma pesquisa citada no livro Sapiens, diz que dinheiro traz felicidade só até certo ponto; além de determinada quantidade tem pouca significância, e concordamos com isso.

  • Budismo

Nas últimas décadas, mentalizações e práticas meditativas passaram a inspirar novos experimentos científicos em todo o mundo na tentativa de entender melhor a felicidade. O budismo, além de abordar muitas dessas práticas, tem uma visão sobre o assunto que achei super interessante:

Os budistas dizem que a raiz do sofrimento é a incessante e inútil busca de sensações efêmeras, que nos leva estar em um constante estado de tensão, inquietude e insatisfação. 

Segundo Harari, devido a essa busca, a mente nunca está satisfeita. Mesmo quando sentimos prazer, ela não está contente, porque teme que essa sensação logo desapareça e deseja ardentemente que permaneça e se intensifique. 

Para comprovar o ensinamento budista que Harari cita, resolvi fazer um teste e observar meus sentimentos em momentos em que estava prestes a me exaltar ou diante de alguma situação tensa. O resultado foi muito interessante pois ao invés de tentar brigar contra o que estava sentindo, mesmo que não fosse algo bom, me permiti sentir e simplesmente depois de um tempo passou. Foi uma espécie de acolhimento que pratiquei comigo mesmo e que gerou um bem estar maior do que nas vezes em que tentei mudar o que estava sentindo “à força”.

Acredito que essa pode ser uma grande chave para a felicidade, pois nessa prática vejo acontecer a integração do nosso lado emocional, tão esquecido no dia a dia. Parece que fomos treinados a coibir o que sentimos, pois exigimos de nós mesmos bem estar em tempo integral. Se não nos sentimos bem, buscamos loucamente uma maneira pra recuperar essa sensação. Sem notar, vamos criando comportamentos que não admiramos em nós e que se tornam gatilhos automáticos. 

Precisamos aumentar a atenção ao lado emocional, pois mente e corpo são os mais exigidos hoje em dia, seja resolvendo problemas ou cumprindo compromissos da vida pessoal e profissional. 

E se o maior sucesso da nossa busca pela felicidade for aprender a aceitar aquilo que sentimos? 

Já que tentar mudar o que sentimos acaba gerando mais sofrimento, então uma boa saída pode ser entender qual motivo nos faz sentir o que sentimos diante de uma determinada situação.

Para mim, uma grande pista é que a felicidade passa necessariamente pelo autoconhecimento, pois só quando estamos cientes do nosso funcionamento interno, somos capazes de alterá-lo para agir de maneira harmoniosa, plena e feliz. 

Por Danilo España

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Idealizadores do Walk and Talk, Luah Galvão e Danilo España, realizaram 3 projetos. O primeiro foi uma Volta ao Mundo por mais de 2 anos em que visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que Motiva pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores. O segundo foi caminhar os 800 km do Caminho de Compostela na Espanha, entrevistando peregrinos sobre o sentido da Superação. E recentemente voltaram da Expedição Perú, onde o sentido da resiliência foi a grande busca do casal. Agora que estão de volta ao Brasil compartilham suas descobertas através de textos e histórias inspiradoras para esse e outros veículos de relevância, assim como em palestras e workshops por todo o Brasil. Descubra mais sobre o projeto: www.walkandtalk.com.br. Conheça também a página no Facebook.

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