Estamos falando da mesma coisa?

Esquecemos que tudo o que “observamos” é apenas uma perspectiva do que está acontecendo. Será que estamos falando da mesma coisa?

Dois colegas se encontram na segunda-feira e começam a contar como foi o final de semana, que se divertiram bastante e adoraram o filme policial antigo que assistiram na internet. Mas logo Mário comenta que achou o filme um pouco tenso e até o fez refletir, e Jorge discorda totalmente: ele diz que foi um dos filmes mais divertidos que ele já viu. E intimamente, Jorge começa a questionar o julgamento do Mário em geral: “ele é realmente um cara pessimista e sobre tudo o que fala, ele dá uma versão negativa.”

Jorge assistiu à comédia policial de 1984 Loucademia de Polícia, enquanto que Mário assistiu ao clássico O Poderoso Chefão de 1972. Parece uma história absurda, não é? O mais incrível é que funcionamos a maioria do tempo desse jeito, inclusive em nossos trabalhos.

Já trabalhei com mais de 100 times de liderança de empresas, vários dos quais viviam fortes tensões entre os membros do time. O diagnóstico geralmente era que havia “problemas de relacionamento” ou “personalidades difíceis”. Em princípio, eu duvido desse diagnóstico. O problema de relacionamento é muitas vezes um sintoma de outra causa: cada um está assistindo a um filme diferente.

Esquecemos que tudo o que “observamos” é apenas uma perspectiva do que está acontecendo, sempre parcial e influenciada pela nossa história e visão de mundo e nos confundimos, achando que é A VERDADE. E deste lugar, avaliamos, julgamos, criticamos, rotulamos os nossos colegas como se estivessem agindo a partir da mesma verdade e assim tendo ações absurdas. Mas eles não estão: eles agem com base em outra perspectiva, em outro filme.

O movimento mais poderoso que propomos nesses casos, e que parece óbvio, é simplesmente ouvirmos juntos a história de cada um sobre o que está acontecendo, sobre a sua expectativa de futuro (sua visão de futuro) e sobre sua necessidade, com curiosidade. Uma conversa franca combinada com uma escuta empática e temos a possibilidade de nos reencontrarmos, de construirmos diálogo e novos significados onde somente havia tensão antes.

Quando você perceber tensão na sua equipe (ou até na sua casa), não rotule automaticamente a outra pessoa; há grande chance que vocês estejam vendo filmes diferentes e por isto atuando de forma tão distinta. Convide para uma conversa, fique curiosa para o que a outra pessoa está percebendo da situação atual, qual é o seu sonho e sua necessidade e compartilhe os seus. Esse simples movimento já desfaz mais de 50% dos mal entendidos e confusões que geram tensões e problemas de relacionamento. Experimente!

 

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