Empreender é loucura. Enlouqueça!

Pode estar certa(o): por trás da história de cada empreendedor que você admira, está alguém arrebatada(o).

Sempre ouvi dizer que empreender é loucura. E a razão parece mesmo estar do lado de quem diz isso. Segundo estudo do SEBRAE “A Sobrevivência das Empresas no Brasil”, duas a cada 10 pequenas e médias empresas morrem antes de completar dois anos de idade. As principais razões são os custos e impostos para 31% dos entrevistados, seguidos por baixa demanda (29%) e capital de giro (25%). O estudo foi publicado em 2016 e levou em conta dados da Receita Federal de 2008 a 2014, ou seja, ainda pegou carona na onda de crescimento econômico que não mais experimentamos desde 2015, quando o PIB chegou a 3.77% negativos. Aguardemos, portanto, dados ainda mais desanimadores no próximo estudo.

 

Por outro lado, nunca se empreendeu tanto. Informações disponibilizadas pela Unitfour apontam um crescimento de 20% no número de empresas abertas em 2016 em comparação a 2015. A principal razão é o aumento do desemprego, ou seja, empreender no Brasil é mais falta de opção do que propriamente uma escolha deliberada. Até a imagem do empresário, que no Brasil historicamente é visto como vilão, está se modificando. Pesquisa realizada neste ano pela Fundação Perseu Abramo na periferia de São Paulo revelou a descrença na função social do estado e que a única forma de ascensão social seria o mérito pessoal. Ponto a favor dos que tentam empreender, apesar de tudo.

 

E é exatamente apesar de tudo que alguém parece se atirar no mundo do empreendedorismo. Porque se for fazer um “business plan” sério, dificilmente seguirá em frente. Com nenhum incentivo real do governo, segue em frente porque ou não tem mais o que perder – são 13,5 milhões de desempregados no Brasil (dados do IBGE de julho de 2017) – ou porque está arrebatado por um sonho de futuro que, não raramente, só o empreendedor consegue ver. E aqui fazemos uma pausa para perguntar: você já se sentiu alguma vez arrebatada(o) por algo? Para lhe ajudar a refletir sobre essa pergunta, arrebatar vem do latim AD, “a, junto, em”, mais RAPTARE, derivado de RAPERE, “levar embora, saquear, apoderar-se de”.

 

Steve Jobs estava arrebatado, quando no início da década de 80 foi o primeiro a perceber o potencial comercial da interface gráfica do usuário guiada pelo mouse, o que levou à criação do Macintosh.

Richard Branson só podia estar arrebatado quando, depois de abandonar a escola aos 16 anos por causa da dislexia, começou uma empresa de venda de discos pelo correio, dando origem ao que seria um império que vai do entretenimento a viagens espaciais.

Elon Musk estava arrebatado, quando, com apenas 11 anos, criou seu próprio vídeo game, que mais tarde foi vendido para uma empresa sul-africana por 500 dólares. E ainda mais arrebatado quando, em 2011, a SpaceX, outra de suas criações, tornou-se a primeira empresa no mundo a vender um voo comercial a Lua.

No “Singularity University Global Summit 2017”, realizado de 13 a 15 de agosto em San Francisco e que reuniu 1.400 pessoas de 64 países, a coragem apareceu, junto com empatia e criatividade, como uma das maiores habilidades para o futuro. Coragem, para quem não sabe, vem do latim CORATICUM, derivada de COR, que significa coração.

 

Pode estar certa(o): por trás da história de cada empreendedor que você admira, está alguém arrebatada(o), ou seja, que teve sua razão sequestrada por algo que a(o) impulsionou a perseguir um sonho apesar e acima de tudo – acima, inclusive, de necessidades básicas como comer e dormir. O especialista em mitos e inspirador da saga Star Wars Joseph Campbell, em um trecho do livro “Mito e Transformação”, que me foi pela primeira vez apresentado por Alessandro Gruber, um de meus sócios na Corall, diz, a respeito da escala de valores criada pelo psicólogo Abraham Maslow, que “os cinco valores de Maslow são os valores pelos quais vivem as pessoas que não têm mais nenhuma razão de viver. Nada se apoderou delas, nada as arrebatou, nada as levou à loucura espiritual e as tornou interessantes para conversar. Essas pessoas são chatas”.

 

Então, parodiando Campbell, enlouqueça! Coloque seus talentos a serviço de seu sonho e empreenda. Se ainda não der para abandonar seu emprego, tudo bem. Use o seu tempo livre, suas noites, seus fins de semana, enfim, toda sua energia criativa que não suporta mais ficar represada em uma vida medíocre e simplesmente não seja mais uma pessoa chata – e frustrada – no mundo percorrendo uma escada sem fim, onde a realização é uma meta nunca alcançada.

(Corall Consultoria/Corall Consultoria)

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