O mundo está mudando, e o Brasil ficando para trás

O mundo está mudando, rápido e em todos os sentidos. Infelizmente, estamos absolutamente defasados e desinformados em relação a isso aqui no Brasil

Duas semanas atrás, estive em Nova York participando de uma das maiores conferências de tecnologia do mundo. Com a presença dos CEOs e fundadores das empresas que mais têm crescido e se destacado nessa área, a conferência trouxe o que de mais moderno e disruptivo tem acontecido no mundo das Fintechs. Saí de lá assustado. Não só eu, mas quase todos os espectadores. Até mesmo os americanos, que após assistir às palestras e ter contato com as novas tecnologias e tendências não cansavam de repetir: “ I‘m scared!” (estou com medo).

O mundo está mudando, rápido e em todos os sentidos. Infelizmente, estamos absolutamente defasados e desinformados em relação a isso aqui no Brasil. Fui fundador e o principal sócio de uma startup de tecnologia que ganhou quase todos os prêmios de melhor startup do país, não sou um aventureiro neste mundo. Posso afirmar categoricamente que nossas startups mais avançadas estão a quilômetros de distância do que está acontecendo em termos de tecnologia de ponta no mundo. E curiosamente parecemos estar cada vez mais arrogantes e cegos.

A velocidade das coisas é impressionante. As novidades vêm de todos os lados e áreas. E não é só o futuro que vai ser muito diferente, o presente já está. Mas assim como um sapo dentro de uma panela de água fria que vai aquecendo aos poucos não percebe a cilada em que está e morre cozido, estamos inertes e sem perceber que tudo a nossa volta esta mudando. Provavelmente morreremos também cozidos. Exagero? Talvez, mas repare nestas estatísticas:

– de cada 10 operações feitas hoje em dia na bolsa de valores americana, somente uma é gerada por um ser humano;

– nos últimos 15 anos, 52% das empresas do índice S&P simplesmente desapareceram;

– 87% do valor de mercado do S&P vem hoje em dia de bens intangíveis;

– A Amazon tem já 67 milhoes de prime members nos EUA (assinantes que pagam um valor anual para a empresa). É maior do que o maior banco americano (Chase) tem de correntistas. Ah, e sua ação multiplicou seu valor por 5x na bolsa nos últimos 2 anos;

– 52% do headcount das empresas de fintech é formada por engenheiros de programação e designers de produtos;

– 1GB de amazenamento de memória tinha um custo de 10 milhões de dólares em 1970. Hoje custa 3 centavos;

– O mapeamento do genoma de um indivíduo custava 100.000 dólares dez anos atrás. Hoje custa 200 dólares;

Agora o mais assustador:

– 90% dos dados que existem no mundo hoje foram armazenados nos últimos 2 anos!

Já parou para pensar no que isso significa? O ser humano registra seus fatos de alguma maneira há dezenas de milhares de anos. Os mais antigos desenhos em cavernas descobertos foram feitos há mais de 40.000 anos. Ou seja, toda a informação que registramos em livros, desenhos, códigos e qualquer outro meio nos primeiros 39.998 anos somada é somente um nono da que foi registrada nos dois anos seguintes. E toda a informação que temos registrada hoje é somente um décimo da que teremos daqui a cinco anos!

O que isso significa? Que tudo vai mudar ainda mais rápido daqui pra frente. Isso porque os termos da vez em tecnologia são “machine learning” e “artificial intelligence”. É o que está sendo chamado de quinta revolução industrial. Até hoje o homem ensina a maquina. Estamos entrando num mundo onde a maquina ensina a maquina. E para isso ela só precisa de um combustível: dados! E com essa evolução exponencial de nossa capacidade de armazena-los é difícil dizer onde essa capacidade e inteligência das máquinas pode parar. Ou se vai parar, afinal a discussão sobre os limites ético e de atuação das máquinas já se transformou em medo.

Muitas profissões serão colocadas em xeque. Radiologistas, cozinheiros, vendedores de lojas, traders de ações, professores e psicólogos são apenas alguns exemplos de profissionais que terão de se reinventar. A relação de preço das coisas também vai mudar à medida que seu processo de produção irá sofrer uma enorme transformação. O que é caro pode passar a ser muito barato e muita coisa que é barata poderá se tornar escassa e consequentemente cara em pouco tempo. O mundo será muito mais imediato, quase “um clique” para qualquer coisa, e teremos de aprender a lidar com isso.

Blockchain, chatbots, algotraders, e outras palavras esquisitas já são muito mais do que somente enredo para filmes de ficção. São a nova realidade. Quer você queira ou não. Não sei se é o mundo que eu gostaria de ter para mim ou para meus filhos. Mas é o mundo com o qual terei de lidar. Estar em NY e ter contato com essa nova realidade abriu meus olhos para a urgência de pular para fora da panela! O mundo 2.0 vai cozinhar os desavisados…

Socios da Geração Futuro: Esquerda, Eduardo Moreira;

Direita, Evandro Pereira

Foto: Germano Lüders

16/12/2014

Comentários
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  1. Paulo Roberto Elias

    Olha, eu acredito muito nisso também, com uma exceção: não bastará as pessoas se reinventarem, ao menos não no médio e longo prazos, a sociedade terá que se reinventar, nascerá um capitalismo 2.0

  2. Fernando Cortopassi

    A matéria fala em “Quinta Revolução Industrial”. Acredito que queria falar da “Quarta Revolução Industrial”. Finalizei um trabalho de conclusão em MBA de Gestão de Pessoas tratando deste assunto sob a perspectiva de RH… o homem deve passar a ser o Super Homem, considerando as tantas competências necessárias para sua sobrevivência nesse (nem tão) admirável mundo novo…

    1. Marcelo Vazão

      Oi Fernando! Tudo bem? Cara, vc poderia dividir aonde eu encontro conteúdo sobre essa perspectiva do seu MBA, por favor? Obrigado! Abs!

  3. Fernando Schuster Battaglin

    Olá, alguem sabe que “conferencia de tecnologia” é essa? Por acaso é a Technology and Society?